Diários de Anthony Fauci detalham bastidores de vacinas e a origem da Covid-19

Convocado pelo senador Rand Paul, ex-conselheiro médico da Casa Branca criticou perseguição política e se negou a responder questionamentos durante audiência


  • 03/08/2026, 14h26, Foto: Reprodução.

Campos 24 Horas – Anthony Fauci, que atuou como principal conselheiro médico do ex-presidente americano Joe Biden durante a pandemia, recusou-se a responder as perguntas de senadores durante audiência realizada na última quarta-feira (29). O depoimento tinha como foco as ações do médico durante a pandemia e as investigações sobre a origem da Covid-19.

Diante do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado americano, o ex-diretor do NIAID (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas) invocou o direito à Quinta Emenda da Constituição americana, que assegura proteção contra a autoincriminação. (Leia mais abaixo)

Em sua declaração inicial, Fauci alegou que a convocação promovida pelo senador republicano Rand Paul refletia uma motivação política para incriminá-lo sobre suas ações na gestão da pandemia e nas apurações a respeito da origem da Covid-19.

“O único motivo pelo qual ele está me convocando perante esta comissão é para me fazer dizer algo, qualquer coisa, que possa justificar suas repetidas promessas públicas de que eu acabe, em suas palavras, ‘atrás das grades’”, afirmou o epidemiologista, citando uma “óbvia obsessão” do parlamentar por incriminá-lo como motivo para se recusar a falar.

O impasse ocorre no contexto da divulgação de mais de mil páginas dos diários pessoais, e-mails e anotações de Fauci mantidos entre 2019 e 2022. Os documentos foram apresentados por congressistas para questionar a postura do governo em relação a hipóteses de vazamento do vírus no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, e ao debate sobre medicamentos como a ivermectina.

Nas mensagens, o epidemiologista defende que se evite dar destaque as informações que, em sua avaliação, poderiam prejudicar a campanha de vacinação e o combate à pandemia. Acesse a íntegra do conteúdo, em inglês.

Diários pessoais, indulto preventivo e o debate sobre a origem da Covid-19 - Diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas entre 1984 e 2022, Anthony Fauci é acusado pelos republicanos de ter ocultado informações sobre a origem da Covid-19 e ter errado na condução da resposta à pandemia. (Leia mais abaixo)

Os arquivos tornados públicos detalham discussões de bastidores ocorridas no início de 2020. Em 31 de janeiro daquele ano, Fauci participou de uma teleconferência com pesquisadores organizada pelo cientista Jeremy Farrar, na qual os especialistas estavam divididos entre a hipótese de o vírus ter sido propagado de animais para seres humanos e a de um vazamento acidental em Wuhan. Não houve consenso na época.

Embora o médico tenha registrado posteriormente que o mercado de animais da cidade atuara como amplificador e não como a fonte primária, ele passou a defender a tese do surgimento natural a partir de reservatórios animais.

Em maio de 2021, Fauci pressionou por uma atitude ativa de comunicação para evitar a percepção pública de culpa ou ocultamento. Em suas anotações, declarou ter tido “uma conversa longa e difícil por telefone” com a equipe do HHS, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

“Eles estavam muito relutantes em permitir que publicássemos uma declaração no site do diretor do NIH sobre a questão do ganho de função. Isso é completamente ridículo, porque, se não respondermos às muitas afirmações enganosas que estão sendo feitas, parecerá que estamos encobrindo alguma coisa”, disse Anthony.

Ganho de função é um tipo de pesquisa em que cientistas modificam geneticamente um vírus ou outro microrganismo para que ele adquira novas características. (Leia mais abaixo)

Críticas ao FBI e divergências sobre a origem da Covid-19 - Durante uma reunião com representantes do Conselho de Segurança Nacional em 7 de julho de 2021, Fauci criticou o departamento de investigação federal por defender a tese de vazamento, demonstrando maior alinhamento com os relatórios da NSA (Agência de Segurança Nacional), favorável à transmissão natural.

“O FBI não faz ideia do que está dizendo, já que está convencido de que a origem da Covid-19 foi um vazamento de laboratório. As razões que eles apresentam não fazem sentido. Em contraste, a NSA apresentou algumas hipóteses plausíveis, inclinando-se fortemente para a hipótese de um salto natural de espécie no ambiente”.

Em uma entrada do diário de 13 de agosto de 2022, o epidemiologista detalha bastidores de uma tensão interna para conter um posicionamento do CDC que admitia a perda de eficácia das vacinas. Fauci afirmou ter pressionado o órgão a recuar de uma declaração de “ausência absoluta de eficácia das vacinas contra infecção e transmissão”.

“A questão era problemática porque, se eles divulgassem essa afirmação – que, na verdade, não é inteiramente correta, já que existe um grau modesto, embora decrescente, de proteção, como seria esperado –, isso entraria em conflito com a recomendação e o esforço para incentivar as pessoas a receber a vacina bivalente”.

Segundo Anthony, a fala “prejudicaria os esforços do Departamento de Justiça em relação aos mandatos de vacinação sob certas circunstâncias”. (Leia mais abaixo)

Embates políticos com Trump e anistia de Biden - A divergência sobre a origem da Covid-19 e sobre medidas de contenção, como a exigência de máscaras, também motivou manifestações do presidente americano Donald Trump (Republicanos) na rede social Truth.

No horário em que o epidemiologista compareceu à audiência, Trump afirmou que “disse desde o início que o vírus veio do laboratório de Wuhan, na China”.

“Fauci discordou veementemente, sempre tentando proteger a China. Eu ‘herdei’ Fauci, que estava lá desde a década de 1980, mas, a cada dia que passava, confiava cada vez menos nele”, escreveu o republicano.

“Ele tomou muitas decisões ruins, como a respeito das MÁSCARAS. Lembrem-se de que, no início, ele era contra o uso de máscaras. Ele então passou a recomendar máscaras em excesso. De qualquer forma, não o deixei paralisar o país, embora ele quisesse. Segui a linha federalista e deixei que os governadores decidissem”, afirmou Trump, que disse que retirou o médico “de cena, e então surgiu o ‘Sonolento’ Joe Biden, que fez de Fauci um ‘Rei!’”.

Antes de deixar a Casa Branca, o ex-presidente americano Joe Biden concedeu uma anistia preventiva a Fauci contra eventuais acusações federais decorrentes de suas declarações durante a pandemia da Covid-19. Apesar da proteção concedida, congressistas republicanos mantêm a pressão investigativa sobre os relatórios do período e a conduta das autoridades de saúde. (Leia mais abaixo)

Os arquivos tornados públicos abrangem também um episódio de saúde do próprio médico mantido em sigilo: em junho de 2021, Fauci foi diagnosticado com infarto pulmonar após buscar atendimento médico por dores no peito, quadro que se deu pouco tempo depois de Anthony ter recebido a vacina contra a Covid-19 ao vivo diante das câmeras.

Os registros informam o diagnóstico e o tratamento recebido, mas não estabelecem relação de causa e efeito entre o quadro clínico e a vacina.

O senador Rand Paul informou que haverá uma votação nesta semana para decidir se a atitude de Anthony Fauci ter ficado em silêncio durante a audiência e convocado a Quinta Emenda configurou desacato ao Congresso americano.

Fonte: NDmais



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