Diabetes tipo 1 causa complicações em 31% de adolescentes com a doença

Em níveis altos, pode causar complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos dos pacientes


  • 28/08/2022, 00h20, Foto: Reprodução.

A diabetes mellitus é uma doença crônica e não transmissível provocada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que regula a glicemia (açúcar) na corrente sanguínea e garante energia para o organismo. Em níveis altos, pode causar complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos dos pacientes. Há ao menos quatro casos clínicos envolvendo formas diferentes de diabetes. Em quadros mais graves, a enfermidade pode levar à morte.

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF, sigla em inglês), estimativas relacionadas ao número de casos existentes de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes com menos de 20 anos mostram que o Brasil ocupa o terceiro lugar no panorama mundial, com 92,3 mil casos, atrás da Índia (229,4 mil) e dos Estados Unidos (157,9 mil). (Leia mais abaixo)

Segundo o IDF, o diabetes tipo 1 causa complicações como doenças renais, cardíacas e oculares em 31% dos brasileiros entre 13 e 19 anos diagnosticadas com a doença. Desta forma, programas educacionais devem ser colocados em prática para evitar o agravamento do quadro de pacientes jovens.

Diferentemente do diabetes tipo 2, que está mais relacionado ao estilo de vida da pessoa ou à obesidade, sendo possível evitá-lo por meio de alimentação saudável e prática de exercícios, o tipo 1, apesar de ser menos comum —com cerca de 10% dos diagnósticos—, é considerado grave. Tem origem autoimune ou de fatores genéticos e surge geralmente na infância ou na adolescência.

"O diabetes tipo 1 é quando as células produtoras de insulina no pâncreas são destruídas pelo próprio organismo por uma reação imunológica. Ainda não se sabe ao certo o que acontece, mas o próprio organismo produz substâncias que destroem essas células e levam à não produção de insulina. E isso faz com que a glicose não seja absorvida nas células", afirma Cid Pitombo, especialista em tratamentos de obesidade.

Em geral, a descoberta é feita partir do momento em que o paciente começa a apresentar sintomas como sede constante, vontade frequente para urinar, fadiga, perda de peso, entre outros. Para o diagnóstico, são realizados exames de sangue para medir a glicemia, nível de açúcar no sangue. Testes mais específicos também podem ser solicitados, como de anticorpos e de níveis de glicose para confirmar o tipo de diabetes do paciente.

"É importante também entender que dentro do diabetes do tipo 1 há os tipos A e B. No tipo A, é quando conseguimos identificar alguns tipos de anticorpos que atacam o pâncreas. No caso do tipo B, nem conseguimos identificar quais são esses anticorpos. Não se sabe quais são as causas. Mas ambos são tratados com insulina", acrescenta Pitombo. (Leia mais abaixo)

Não há prevenção e o tratamento envolve aplicações diárias de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, assim como medições de controle constantes, imediatamente após ser confirmado o diagnóstico. Sem a insulina, o paciente não sobrevive.

"No caso do diabetes tipo 1, é difícil dar dicas preventivas, porque nem sabemos exatamente como se inicia esse processo no organismo. O que sabemos é que a obesidade é um dos grandes vilões no início de doenças envolvendo diabetes. A obesidade produz substâncias que dificultam a ação da insulina nas células, faz sobrecarga nas células pancreáticas, sendo um dos grandes fatores que podem diminuir a função dos pâncreas, assim como consumo excessivo de carboidratos, alimentos gordurosos e açúcar", explica o especialista.

Orientações No entanto, ao receber o diagnóstico, algumas medidas devem ser colocadas em prática. É importante que a pessoa adote novo estilo de vida, que envolva alimentação saudável e prática de exercícios, para manter os níveis de glicose sob controle. Um profissional de saúde também deve acompanhar regularmente o paciente.

Além disso, os fumantes diagnosticados com o tipo 1 devem abandonar imediatamente o cigarro. "As lesões produzidas futuramente por causa dos diabete, como lesões vasculares e renais, são agravadas com o fumo. Quem está fora do peso, também deve emagrecer para não ter a sobrecarga do pâncreas e o mau funcionamento da insulina na absorção da glicose, que é a chamada resistência insulínica", orienta o especialista.

Com relação a cirurgias metabólicas, Pitombo afirma que elas têm bom efeito apenas para portadores do tipo 2. "Porque produz substâncias que estimulam a produção de insulina e as novas células no pâncreas, mas a cirurgia não tem efeito no portador de diabetes tipo 1, pois ele não tem mais células a serem estimuladas", disse ele. (Leia mais abaixo)

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com parentes próximos que têm ou tiveram o diabetes tipo 1 devem fazer exames regularmente para acompanhar o nível de glicose no sangue.

Além dos tipos 1 e 2, há ainda o termo pré-diabetes, usado cada vez mais para descrever pessoas com deficiência de tolerância à glicose e/ou glicemia de jejum alterada e também diabete gestacional.

Mundialmente, mais de 537 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivem atualmente com o diabetes. Sexto país em incidência no mundo, o País tem ao menos 15,7 milhões de pessoas adultas com esta condição. A estimativa é que a doença alcance 23,2 milhões de adultos brasileiros até 2045, conforme informações do IDF.

Sintomas do diabetes tipo 1: - Fome frequente - Sede constante - Vontade de urinar diversas vezes ao dia - Perda de peso - Fraqueza - Fadiga - Mudanças de humor - Mal-estar - Náusea e vômito

Entre os sintomas das crianças diagnosticadas com diabete tipo 1, é possível observar que elas tendem a voltar a fazer xixi na cama durante a noite ou apresentar infecções recorrentes na região íntima. (Leia mais abaixo)

Conheça os tipos de diabetes: Diabetes tipo 1 é o principal tipo de diabetes na infância, mas pode ocorrer em qualquer idade. Não pode ser prevenido. Pessoas com diabetes tipo 1 precisam de insulina para sobreviver.

Diabetes tipo 2 é responsável pela grande maioria (mais de 90%) dos casos no mundo. Existem evidências de que o diabetes tipo 2 pode ser prevenido ou retardado com alimentação saudável e prática de atividade física.

Pré-diabetes é um termo usado cada vez mais para descrever pessoas com deficiência de tolerância à glicose e/ou glicemia de jejum alterada. Indica um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 e complicações relacionadas à doença.

Diabetes gestacional: as grávidas com diabetes gestacional podem ter bebês grandes para idade gestacional, aumentando o risco de complicações na gravidez e no parto para a mãe e o bebê.

Fonte: Viva Bem (Leia mais abaixo)



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