Campos 24 Horas – O Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado nesta segunda-feira (27), é uma data fundamental, instituída pelo Ministério do Trabalho para conscientizar sobre a importância da segurança laboral. O objetivo é reduzir o número de ocorrências, incentivar o uso correto de equipamentos de proteção e promover condições de trabalho dignas e seguras. Em Campos, o Programa de Atenção à Saúde do Trabalhador (Past), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Subsecretaria de Vigilância em Saúde, desempenha um papel essencial na vigilância em saúde do trabalhador.
Essa atuação garante a notificação dos acidentes de trabalho nos sistemas de informação em saúde. Com isso, os agravos relacionados ao trabalho são devidamente reconhecidos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando aos trabalhadores o acesso à Rede de Atenção à Saúde. (Leia mais abaixo)
A coordenadora do Past, Yasmin Costa, informa que, nos últimos cinco anos (2022-2025), os acidentes de trabalho mais comuns no município ocorreram com trabalhadores da construção civil — como pedreiros e serventes de obras —, seguidos por motociclistas (mototaxistas e entregadores), motoristas de carga e descarga, trabalhadores rurais e soldadores do setor de fabricação de carrocerias. Segundo ela, esse perfil indica uma frequência maior de acidentes em atividades marcadas por processos de precarização do trabalho, atingindo principalmente trabalhadores informais e terceirizados, cargas de trabalho que envolvem esforço físico, exposição ao calor excessivo e aos efeitos das mudanças climáticas, exposição a agentes mecânicos, manuseio de ferramentas manuais e execução de tarefas em ambientes de alto risco ocupacional.
“No primeiro quadrimestre de 2026 (janeiro à abril), foram registrados 1.028 acidentes de trabalho no município de Campos dos Goytacazes, dos quais 840 (81,7%) corresponderam a acidentes típicos (ocorridos durante a atividade de trabalho), 188 (18,3%) a acidentes de trajeto (no deslocamento para o trabalho) e seis evoluíram para óbito, evidenciando que os acidentes ocorridos durante a execução das atividades laborais permanecem como o principal evento relacionado ao trabalho registrado no município”, apontou.
A coordenadora ressalta que acidentes de trânsito envolvendo motoristas, ciclistas e motociclistas que atuam no transporte de passageiros ou entrega por plataformas digitais são de notificação compulsória. Nesses casos, o registro deve ser feito obrigatoriamente como acidente de trabalho no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
“O registro desses eventos, muitas das vezes, aparece somente em estatísticas de acidentes de trânsito, o que contribui para a visão dos casos como fatalidades e para o ocultamento da dimensão real dessa modalidade de gestão do trabalho. A prevalência de acidentes de trabalho graves e fatais com essa categoria profissional se apresenta como um dos principais desfechos que retratam os impactos desse modo de organização e gestão do trabalho no processo saúde-doença. Desse modo, contribui para desresponsabilização das empresas-plataforma pelas consequências desse trabalho na sociedade e no Sistema Único de Saúde”, salientou.
Prevenção - Yasmin enfatiza que a ocorrência de acidentes de trabalho não se limita à falha nos equipamentos de proteção. O campo da Saúde do Trabalhador aponta que as condições de trabalho e a organização do processo de trabalho, como jornadas extensas, ritmo intenso de produção, metas abusivas, falta de treinamento, manutenção precária e falhas na gestão de riscos são determinantes. De janeiro a abril de 2026, registraram-se seis óbitos relacionados ao trabalho, sendo três decorrentes de acidentes típicos e três de acidente de trajeto. (Leia mais abaixo)
“A prevenção de acidentes é um compromisso coletivo. Para além de assegurar condições seguras no ambiente de trabalho, fornecer equipamentos e promover treinamentos, o empregador deve promover a participação ativa dos trabalhadores por meio do diálogo, conduta essencial para ambientes mais saudáveis. Esse cuidado é urgente no caso de trabalhadores terceirizados, que frequentemente enfrentam maior rotatividade, fragilidade nos vínculos e menor acesso a capacitações, fatores que aumentam sua vulnerabilidade e a exposição ao risco de acidentes”, destacou.
Past - O Past atua na perspectiva da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e da Política Nacional de Vigilância em Saúde, visando à promoção da saúde e à redução da morbimortalidade decorrente dos processos e ambientes de trabalho, enfatizando que o reconhecimento do trabalho como um dos determinantes e condicionantes da saúde deve ocorrer em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde.
“Nesse cenário de precarização no mundo do trabalho, o papel da Saúde do Trabalhador no SUS é fortalecer as ações de vigilância, capacitar as equipes da RAS (atenção primária, atenção especializada e urgência e emergências) e apoiar a participação dos trabalhadores na luta por melhores condições de trabalho. A luta por direitos é uma luta coletiva que só se efetiva com o protagonismo do trabalhador e a participação da população nos espaços de decisão”, finalizou a coordenadora.