21/03/2016 08h29 | Foto: Campos 24 Horas
Por: Andressa Amaral
Neuropsicopedagoga
Quando chegamos ao mundo, no seio de nossas famílias, num primeiro momento,
Surgem em nossos pensamentos algumas indagações...
Afinal nós não somos iguais, porque somos especiais?
E por sermos especiais já surgimos de uma mutação genética, e por isso em nossos cromossomos, temos mais um. O que nos faz termos em nossa herança a trissomia do cromossomo 21.
E por esta diferença, nossa chegada é diferente. Será como nossos pais se sentem?
Afinal, será que somos como eles esperavam? Que já no ventre imaginavam?
E aí nosso coração pergunta: O que temos a oferecer, a todos que nos aguardavam, já que não somos o que esperavam?
Nossos olhos são pequenos e puxadinhos, mas nós vemos como heróis, nossos lindos papaizinhos.
Nossa lentidão pra andar e pra falar, a muitos deve incomodar, mas isso não diminui nosso desejo de buscar.
Podemos até demorar, um pouco mais para ler, mas isso não elimina nossa capacidade em aprender.

Queremos ter autonomia, crescer e viver normalmente, não simplesmente sermos vistos como uma trissomia.
Às vezes todos nos olham, e pensam: nossa eles são tão diferentes!!! Curioso é que poucos veem: que lindos... são gente como a gente.
Ainda bem que existe no mundo, um lugar de grande alegria, o motivo de nosso sucesso, o que nos faz entender a vida, superar nossas diferenças, onde durmo e sempre há alguém em vigília, este lugar que tanto amo é o que chamamos família.
E por isso, quem de nós vive em família, temos certeza que o fato de sermos diferentes, não muda como nossos pais se sentem!!!
Sei que nossos olhos puxados, e os dedinhos alargados são brilhantes aos corações de nossos pais tão amados.
Eles fazem de nossa chegada um motivo a mais pra viver, pois pra eles somos tudo e precisamos crescer.
A cada conquista que temos, um passinho que nós damos, um B A BÁ que falamos, uma letrinha que identificamos, são joias ao tesouro da família que ganhamos.

Fica o desejo então, às famílias que nos recebem filhos de sangue ou do coração, que nos vejam neste dia 21 com os olhos do coração e vivam esta inefável missão: De entender que a Síndrome de Down é apenas uma trissomia de um cromossomo, fruto de uma mutação, e que jamais pode ser vista como forma de exclusão, num mundo onde a bandeira é o lema de inclusão.
E com a escrita da alma, nesta data tão especial, peço licença à ciência, para discorrer com o coração, acerca destes anjos lindos, que me ensinam um mundo novo a cada dia.
Que neste dia 21, ninguém me leve a mal...
Mas estas simples palavras dedico aos meus amados pacientes e a todos portadores de Síndrome de Down.
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