Entrevista / Departamento com pressão sob controle


domingo, 2 de março de 2014   -    Foto: Campos 24 Horas

Entrevista / Bruna Araújo Siqueira_______________________________________ (Leia mais abaixo)

Gerente do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde

Bruna Araujo  2 Bruna Araujo 6Haja losartan para regular a pressão e omeprazol para o estômago. Esses medicamentos deveriam ser essenciais para quem comanda um Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) que, somente no ano passado, distribuiu cerca de 120 milhões de itens de medicamentos, fazendo mais de 2 milhões de atendimentos. E, ainda, cuida da descentralização do atendimento, antes feito em um só local (Farmácia Municipal, no Centro) novidade implantada pela secretaria de Saúde este ano, agora com medicamentos básicos mais perto da população nas 72 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Sem contar que Campos é o município do estado com o maior catálogo de remédios disponibilizados à população.

É nesse meio todo que trabalha a jovem farmacêutica, Bruna Araújo Siqueira, responsável pelo DAF e por toda a rotina de trabalho do órgão. Apesar de sua pouca idade, começou a atuar no local há oito anos, com outras responsabilidades, como estagiária, ainda na faculdade. Para se dedicar a toda essa tarefa na prefeitura, deixou todos os trabalhos que tinha em farmácias da cidade e descobriu que gosta mesmo de trabalhar com o Sistema Único de Saúde (SUS). Conhecimento não lhe falta e diz que Campos é modelo na área de farmácia para muitos outros estados brasileiros, com alguns serviços somente encontrados aqui, figurando, inclusive, como polo regional dispensador de medicamentos para a própria cidade, além de São Fidélis, São Francisco do Itabapoana e São João da Barra.

Campos 24 Horas– Para começar, qual é o trabalho do Departamento de Assistência Farmacêutica.

Bruna Araújo Siqueira – Ele é responsável pela aquisição e distribuição de medicamentos para as 72 UBSs do município, 21 programas municipais estratégicos existentes e mais o Centro da Mulher, do Idoso e da Criança. A estrutura de assistência é formada pelo almoxarifado central, farmácia municipal e a farmácia do estado. Além do processo de aquisição e armazenamento, o DAF tem preocupação de atenção farmacêutica adequada, com acompanhamento e orientação durante a dispensão dos medicamentos. E conta com estrutura de 31 farmacêuticos e 29 técnicos, aprovados no último concurso público, em 2012, oferecendo atendimento qualificado à população. (Leia mais abaixo)

Bruna Araujo 4C24H– Sim, mas como é feita a distribuição destes profissionais se são 72 UBS no município?

Bruna – Antigamente o atendimento era centralizado na farmácia municipal e em 2012, dentro da nova política de saúde, foi descentralizado. Nós selecionamos 30 unidades, as de grande porte e melhor localizadas, para funcionar como pólos de dispensão de medicamentos, colocando profissionais para orientação à população e, também, melhorando o abastecimento daquela unidade. Isso quer dizer que não é um simples entregar medicamento, mas orientar e acompanhar o paciente, explicar como este deve ser consumido, entre outros. A ideia é, com o tempo, expandir esse serviço para todo o município.

C24H– Ainda sobre os profissionais, eles regulam também a validade dos medicamentos?

Bruna Araujo  1Bruna – Sim. Eles cuidam do armazenamento, controle de qualidade, condições de temperatura, além de proporcionar que os medicamentos estejam disponíveis nas UBSs. E também orientam o paciente na entrega e tira dúvidas deles. Antes dos profisisonais do concurso serem chamados, Campos só contava com 15 para atender toda a rede. Hoje o município é um dos poucos que oferece melhor qualidade de atendimento e com maior número de profissionais atuando, inclusive, alguns em programa que leva o medicamento na casa do paciente. Na cidade do Rio de Janeiro tem um modelo parecido, mas não igual, já que lá as UBSs são terceirizadas, não tem uma estrutura pública. E, também, não tem o número de ítens de medicamentos disponibilizados que nós temos.

C24H– Medicamento em casa? (Leia mais abaixo)

Bruna – É. Trata-se do Programa de Atendimento em Casa (PAD), que oferece agentes comunitários de saúde que vão à casa dos pacientes, com visitas mensais, priorizando o portador de hipertensão e diabetes, com acompanhamento da pressão arterial e da glicose. E o medicamento é levado à casa do paciente e aí entra a figura do profissional de farmácia, que dá as orientações como usar aqauele medicamento, entre outros procedimentos. Hoje o programa está em 17 bairros, com um total de cinco mil cadastrados que recebem o medicamento na porta de casa. O programa é tão eficaz que o município de Barra Mansa já copiou. São Paulo tem modelo igual, mas a entrega do medicamento é feita pelos Correios.Bruna Araujo  9Bruna Araujo 6

C24H– Mas e a questão da falta de remédio, porque isso?

Bruna – Não há falta de medicamentos, o que pode acontecer são problemas pontuais de repasse, atraso no transporte, entre outros. Mas com a informatização das unidades, esse problema foi resolvido, porque agora, quando o estoque está baixando, o pedido é feito imediatamente e, em consequência, o abastecimento também. Antes da informatização, o departamento dependia do administrador da unidade para fazer uma listagem, se deslocar até o Centro para entregar, tudo isso demandando muito tempo. Sem falar que os farmacêuticos nessas unidades pólos, também são responsáveis pelo controle do estoque. E não sai medicamento nenhum sem receita do SUS.

C24H– E a farmácia municipal, que funciona no antigo Centro de Saúde?

Bruna – Ali são feitos atendimentos sujeitos a processos administrativos e tem a medicação que faz parte de uma lista adicional padronizada pelo município, que oferece outras alternativas de tratamento, além dos medicamentos que o Ministério da Saúde exige que esteja disponível à população. Em outros municípios, por exemplo, o captopril e o losartan são as únicas alternativas gratuitas disponíveis para hipertensão. E Campos oferece o diovan como alternativa, quando os outros não realizam o efeito esperado, de acordo com o médico. Ainda respondendo a sua pergunta, na farmácia municipal são atendidos os programas especiais, como o Programa Antitabagismo, o Programa de Atendimento Domiciliar (PAD), distribuição de medicamentos para profilaxia para meningite, influenza A e outros. (Leia mais abaixo)

C24H – Quer dizer que em Campos tem outros medicamentos que o Ministério das Saúde não preconiza?

Bruna– É. O Ministério da Saúde criou uma lista nacional de medicamentos obrigatórios, dizendo que o município deve oferecer 130 itens básicos ou essenciais. Campos optou por padronizar 198 itens, porém, de acordo com a procura, efetuou mais 94 itens considerados sujeitos a processo, que também oferece alternativa. Desta forma, hojte a população tem dois ou três opções para diabetes, dois ou três para hipertensão, doenças vasculares e outros.

Bruna Araujo  1C24H – E a farmácia do estado? Como funciona?

Bruna– Funciona aqui ao lado da farmácia municipal. Ela disponibiliza medicamentos especiais para doenças raras e de alto custo.  São 141 itens e Campos é polo regional dispensador, responsável pela dispensão e atendimento para Campos, São Fidélis, São Francisco do Itabapoana e São João da Barra. Campos se tornou polo, por apresentar estrutura adequada de atendimento, em farmácia individualizada para isso. Ela também é responsável pelo recebimento de abertura de processo. A partir daí, encaminha para o Estado, que por sua vez faz a análise e, depois, envia o medicamento que nós distribuímos. O governo municipal funciona como facilitador nestes casos, evitando que o paciente se desloque à capital para todo esse trâmite burocrático. Todo isso leva 30/45 dias, quando então o paciente recebe o medicamento que vem do Estado.

C24H– Realmente haja losartan e omeprazol para administrar tudo isso. Você tão jovem, como se desliga disso tudo depois do expediente? (Leia mais abaixo)

Bruna – Não é difícil não. Na maioria das vezes saio daqui muito tarde, nunca antes das 18h. Também não sou muito das noites, prefiro mais o dia. Faço academia, vou à praia, tudo normaL ____________________________________________ Postado por Fabiano Venancio



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