Dengue tipo 2 preocupa no verão; em Campos a chikungunya


  • 16/01/2020, 10h25, Foto: Divulgação.

Responsável pelas grandes epidemias de dengue no Brasil em 2007, 2008 e 2009, o sorotipo 2 do vírus que provoca a doença deve voltar a circular entre a população fluminense neste verão. Em Campos o que preocupa são os 90 casos de chikungunya registrados no Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI).

De acordo com o médico da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), Alexandre Chieppe, embora os sinais e sintomas de todos os quatro sorotipos sejam os mesmos, a previsão é motivo de preocupação. (Leia mais abaixo)

- O sorotipo 2 do vírus da dengue é associado a casos mais graves da doença e, como ele não circula no estado do Rio de Janeiro desde 2008, grande parte da população nunca teve contato com o patógeno, não desenvolveu anticorpos e, por isso, está mais exposta. Temos vírus circulando, um mosquito transmissor muito bem adaptado ao ambiente urbano e, agora, a suscetibilidade da população vem completar o tripé que sustenta epidemias de arboviroses, dentre elas as de dengue - alerta o especialista.

Chieppe informa que 2019 foi o segundo ano com o maior número de casos de dengue notificados desde o início da série histórica, em 1975, com um crescimento de 517% em relação a 2018.

- Foram mais de 1,5 milhão de casos da doença, principalmente em Minas Gerais, São Paulo e no Espírito Santo, com 754 óbitos. A reentrada do sorotipo 2 do vírus, após anos de circulação dos sorotipos 1 e 4, é a principal explicação para esse aumento. E esse quadro pode vir a se repetir no Rio de Janeiro - explica.

Nesse cenário, o diagnóstico precoce e o acompanhamento clínico adequado são decisivos para desfechos favoráveis. Por isso, além de intensificar ações para conscientização da população em relação à eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti, a SES-RJ está preparada para atender com agilidade e precisão as pessoas que adoecerem.

- A organização da rede de atendimento à população é fundamental para diminuir o risco de complicações e, consequentemente, o número de óbitos. O plano de contingência conta com equipes de resposta rápida, com médicos e enfermeiros disponíveis 24 horas, fluxo de internação de casos graves, acesso a exames laboratoriais e a teste diagnóstico, dentre outras estratégias - adianta Chieppe. (Leia mais abaixo)

EM CAMPOS - Somente nestes primeiros 15 dias do ano o Centro de Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI), em Campos, já tem registrados 90 casos de chikungunya, número que embora alto, ainda é menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 450 casos. Os dados são extraoficiais, confirmados pelo diretor da unidade, o médico Luiz José de Souza, mas que ainda não foram contabilizados pelo setor de epidemiologia do município. A Prefeitura contabiliza dois e ressalta que mais casos estão sendo analisados.

Segundo Luiz José, o aumento do número de casos é previsto durante o verão e, além da chikungunya, as autoridades de saúde se preocupam com a possibilidade da entrada do sorotipo 2 da dengue.

 



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