Delegado da PF questiona Bacellar sobre não ter comunicado às autoridades movimentação de TH Jóias

O depoimento do presidente da Alerj foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo


  • 08/12/2025, 09h12, Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo.

Durante depoimento na sede da Polícia Federal no Rio, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi questionado sobre não ter comunicado às autoridades que Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, estava retirando itens de sua residência na véspera da operação. A pergunta foi feita em razão de um vídeo enviado por TH Jóias ao presidente da Alerj, mostrando um freezer cheio de carnes e mencionando não ter como “levar”. Em resposta ao delegado, Bacellar afirmou: "Não tô aqui pra entregar colega. Não tô aqui para proteger colega também que faz nada errado". O depoimento foi revelado pelo Fantástico neste domingo.

A PF passou a investigar um possível vazamento da operação após encontrar a casa de TH Jóias, no dia 3 de setembro, com indícios de fuga às pressas. O deputado foi preso no mesmo dia, em outro endereço, na Barra da Tijuca. Ao analisar o material do telefone do parlamentar, a polícia identificou elementos que sugerem que Bacellar não apenas teria informado sobre a operação como também orientado TH Jóias a destruir provas. (Leia mais abaixo)

Durante o depoimento exibido pelo Fantástico, o delegado questiona: "Diante dessa informação de que um parlamentar ali, eventualmente, seria objeto de uma operação, em que ele estava, eventualmente, retirando coisas do imóvel, o senhor procurou alguma autoridade para dar essa notícia?". Após Bacellar admitir que não avisou nem a Polícia Civil, nem o Ministério Público do Rio, o delegado insiste: "Vendo que possivelmente seria a frustração do cumprimento de uma ordem judicial, o senhor não calhou de avisar?

Bacellar responde: "Dr. Guilherme, para mim, para falar a verdade para o senhor, eu não vou... Não tô aqui para entregar colega. Não tô aqui para proteger colega também que faz nada errado. Confesso que até me assustei. Achei aquilo ato de impertinência dele: me ligar de um telefone que eu não tinha. A gente tem um grupo de deputados que lá é franqueado, inclusive tem um grupo de deputados 'Assembleia'. Ele me liga de um outro telefone, me pega de surpresa. Eu atendi, mas depois não fiz mais contato com ele. E só falei isso com ele. Falei: 'Você tá doido?'" (Leia mais abaixo)

A PRISÃO - Bacellar foi preso na última quarta-feira, pela Polícia Federal, acusado de obstrução à investigação, pela suspeita de vazar dados sobre a operação dos agentes contra o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. O presidente da Alerj, segundo relatório da PF, teria avisado o colega parlamentar sobre a prisão, com instruções para se livrar de evidências, como apagar dados do celular.

TH Jóias responde a processos por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, além de ser suspeito de intermediar negociações de armas com o Comando Vermelho (CV). A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), onde corre o caso. (Leia mais abaixo)

OPERAÇÃO ZARGUM - Em 3 de setembro, TH Jóias, foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas para o Comando Vermelho. Segundo a investigação, TH Jóias utilizava o mandato na Alerj para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar.

Na época, foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva, dos quais 15 foram efetivamente cumpridos, além de 22 de busca e apreensão, com ações em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia, na Zona Oeste, e em Copacabana, na Zona Sul. Na Alerj, policiais federais e procuradores recolheram um malote com apreensões. Fonte: Site de O Globo (Leia mais abaixo)



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