Defesa diz que Bolsonaro apenas imprimiu cópia de minuta citada em investigação

Segundo os advogados, documento chegou ao ex-presidente apenas em outubro de 2023




09/02/2024, 09h56, Foto: Divulgação.


A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que a suposta minuta de um decreto de estado de sítio encontrada na sede do PL durante a Operação Tempus Veritatis deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira 8 foi impressa por Bolsonaro apenas em outubro de 2023.(Leia mais abaixo)


Segundo o portal g1, o documento foi encontrado na sala de Bolsonaro na sede do PL em Brasília. A defesa afirma que se trata de uma cópia do documento encontrado no celular do ex-ajudante de ordens do tenente-coronel Mauro Cid, preso em maio.(Leia mais abaixo)


Na nota, a defesa afirma que essa cópia foi enviada ao celular de Bolsonaro pelo advogado Paulo da Cunha Amador Bueno, em 18 de outubro. E, “a fim de facilitar a leitura do texto”, o ex-presidente decidiu imprimir a minuta.(Leia mais abaixo)


Leia o comunicado da defesa de Bolsonaro, na íntegra

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro tendo tomado conhecimento, através dos veículos de imprensa, sobre a apreensão de suposta minuta de decreto de estado de sítio, durante diligência de busca e apreensão realizada nesta data na sede do Partido Liberal em Brasília vem esclarecer o quanto segue(Leia mais abaixo)


1. No ano passado, por ocasião da prisão preventiva do Ten Cel Mauro Cid, houve a apreensão dos aparelhos de telefonia celular do referido militar;(Leia mais abaixo)


2. No curso das análises dos referidos aparelhos, foram localizados arquivos do que seriam possíveis minutas de decretos de Estado de Sítio ou de GLO, conforme largamente noticiado na imprensa na oportunidade;(Leia mais abaixo)


3. A defesa do ex-Presidente devidamente constituída naqueles autos teve acesso a tais arquivos, que constituem elementos da investigação;(Leia mais abaixo)


4. O ex-Presidente desconhecendo o conteúdo de tais minutas solicitou ao seu advogado criminalista, Dr. Paulo Amador da Cunha Bueno, que as encaminhasse em seu aplicativo de mensagens, para que pudesse tomar conhecimento do material dos referidos arquivos;(Leia mais abaixo)


5. O Dr. Paulo encaminhou os arquivos diretamente para o celular de seu cliente no dia 18 de outubro de 2023 (cf print de tela);(Leia mais abaixo)


6. A fim de facilitar a leitura do texto, o ex-Presidente fez a impressão em papel do referido arquivo;(Leia mais abaixo)


7. A impressão provavelmente permaneceu no local da diligência de busca e apreensão havida na data de hoje, que alcançou inclusive o gabinete do ex Presidente, razão porque lá foi apreendido;(Leia mais abaixo)


8. Trata-se, portanto, de documento que já integrava a investigação há tempos e cujo acesso foi dado ao ex-Presidente por seu advogado, vez que, repita-se desconhecia, até então, sua existência e conteúdo;(Leia mais abaixo)


9. Tal fato será comunicado imediatamente nos autos da investigação (Pet 12100), acompanhado de ata notarial do conteúdo do celular do advogado, a fim de que não haja qualquer suposição equivocada de que o ex-Presidente tinha intenções ou estaria alinhado a movimentos golpistas;(Leia mais abaixo)


10. Bem pelo contrário, o fato de só ter tido conhecimento do conteúdo do referido documento através de seu advogado em outubro p.p., somente deixa assente sua distância de qualquer empreitada ilegal.(Leia mais abaixo)


Veja o print disponibilizado pela defesa de Bolsonaro:

Esse documento encontrado no PL não seria a mesma minuta supostamente redigida por Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso na quinta-feira. Segundo a Polícia Federal, no relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Martins teria redigido uma minuta para decretar estado de sítio em reunião no Palácio do Planalto em novembro de 2022.


Bolsonaro publicou nesta sexta-feira 9 um vídeo no qual o advogado Paulo Cunha Bueno lê a nota da defesa e disse que “a ‘minuta’ de Estado de Sítio encontrada pela PF na sede do Partido Liberal, nada mais era que peça de processo fornecida pelo ministro encarregado do inquérito”.


O documento pedia a prisão de “diversas autoridades”, inclusive a de Alexandre de Moraes, ministro do STF que conduz o inquérito, e a de Gilmar Mendes, e não seria o mesmo encontrado na sede do PL. Bolsonaro teria pedido alterações na minuta.


Fonte: Revista Oeste