08/11/2016 18h09 | Foto: Divulgação

O presidente da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, repudiou a ação de manifestantes que invadiram o plenário da Alerj na tarde desta terça-feira (08). Picciani disse que a "invasão do plenário é um crime e uma afronta ao estado democrático de direito sem precedentes na história política brasileira". O deputado afirmou ainda que é "um caso de polícia e de Justiça, e não vai impedir o funcionamento" da Casa.
"No dia 16, iniciaremos as discussões das mensagens enviadas à Alerj pelo Poder Executivo. Os prejuízos causados ao patrimônio público serão registrados e encaminhados à polícia para a responsabilização dos culpados", completou.
Durante ato, a sala da vice-presidência da Alerj foi destruída pelos manifestantes. Eles protestavam contra o pacote anticrise, anunciado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) que será encaminhado para a apreciação dos deputados.
A invasão provocou correria dentro da Alerj e o primeiro vice-presidente da Casa, deputado Wagner Montes (PRB), chegou a ser cercado pelos manifestantes. Após a confusão, o controle de entrada foi perdido e muitas pessoas acessaram o local. Houve depredação nas dependências da Casa.
O protesto que começou na manhã desta terça acontece contra o pacote de "maldades", apresentado pelo governo na semana passada, além do possível atraso nos salários este mês.
O pacote de medidas de Pezão acaba com programas sociais como os restaurantes populares e o aluguel social para pessoas que perderam as casas nas enchentes.
Depois de três horas de ocupação do plenário, os manifestantes não descartam permanecer no local até que os deputados vetem o pacote de medidas do governo.
No final, os manifestantes conseguiram um encontro com os deputados Zaqueu Teixeira (PDT), Flávio Bolsonaro (PSC), Wagner Montes (PRB) e Iranildo Campos (PSD), entre outros, repudiaram as medidas de Pezão e criticaram o fato de o governo ter enviado o pacote pronto sem ter conversado com parlamentardes.
Iranildo citou mensagens divulgadas na internet dando conta de que cada deputado receberia R$ 100 mil para votar a favor do governo.
"Está lá na internet. E é um absurdo. Eu voto com a minha consciência e nada mais. Não tenho vínculo com nada. E esse pacote é uma covardia", disse,
O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do estado do Rio, Rafael Barcia, saiu em defesa da categoria lembrando que ela não tem reajuste há muito tempo, e que não aceitará desconto previdenciário de 14%.
"Eu não vou aceitar isso. E não aceito que a Casa que nos representa vote a favor desse plano que tanto atinge os servidores públicos. Não estamos aqui querendo reajuste, embora a inflação esteja corroendo nosso salário. A Polícia trabalha com abnegação. Sem helicópteros, faltando combustível. E agora vem essa medida. É preciso que se revejam os contratos do governo porque lá está o rombo", completou.