domingo, 26 de abril de 2015 - Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Gestão e planejamento continuam sendo as palavras chaves para o bom administrar, segundo o administrador de empresas que, pela experiência que tem na área de saúde, quando começa a falar, algumas pessoas chegam a pensar tratar-se de um médico ou profissional similar. Ele fala de atendimento, valorização profissional, repasse de recursos, investimentos, equipamentos de última geração e suas finalidades e até de obras, seja de construção, reforma ou ampliação. Fala, ainda, de um assunto polêmico, que é a marcação de ponto para o servidor e o que existe por trás do projeto, que começou há um mês, com instalação de catracas nas portarias e está evoluindo para o ponto eletrônico, também já implantado.
É assim o dia a dia do servidor concursado da Prefeitura de Campos, que também é professor, pós graduado em gestão hospitalar, Carlos Filipe Mocaiber Lopes (primo lá longe do ex-Prefeito de Campos que tinha o mesmo sobrenome, na verdade, primo de sua mãe), atualmente vice-presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), acumulando ainda função de diretor interino de auditoria, controle, avaliação e regulação da Secretaria Municipal de Saúde. Quando o assunto é número, ele sabe de cor e diz que, no caso, por exemplo, de investimentos em saúde no município, a maioria deles é bancado por verba municipal e royalties do petróleo, ficando a menor parte (e bota menor nisso) por conta do governo federal.
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – Você fala em investimentos e em outras palavras diz que a maior parte quem banca é a prefeitura. Pode explicar?
Filipe Mocaiber – Sim. Hoje a política de investimentos do governo na área de saúde é totalmente dependente dos recursos dos royalties, além de outros recursos da prefeitura. Em 2014 a Fundação Municipal de Saúde (inclui-se HFM, HGG, PUs de Guarus e da Saldanha Marinho, Unidades Pré-Hospitalares de Travessão, São José, Santo Eduardo, Ururaí e Farol) custou para os cofres públicos R$ 303 milhões. Foram R$ 108 milhões provenientes dos royalties, R$ 188 milhões da prefeitura e R$ 6 milhões de verba federal (SUS). Destes R$ 303 milhões, R$ 188 milhões foram para pagamento de pessoal e R$ 115 milhões para custeio da FMS e investimentos.
C24H – Que investimentos são esses?
Filipe – Muitos deles em equipamentos, outros em obras e até em valorização do servidor. Por exemplo: foi adquirido tomógrafo de 16 canais para o HGG que custou em torno de R$ 1 milhão e 250, três aparelhos de ultrassonagrafia, aparelho de endoscopia, montagem de três salas de cirurgia no HFM, aparelho chamado arco cirúrgico que é utilizado em cirurgia ortopédica, duas esteiras para teste de esforço, aparelho de coloscopia de última geração, inclusive com imagem em HD, além de refrigeradores para o Hemocentro, muitos mobiliários, entre outros que estão por vir.
C24H – Mas que muitos outros que estão por vir? Não pode falar?
Filipe – Posso. Está por vir um novo aparelho de tomografia para o HFM, que ficará com dois, já que possui um. Além disso, foi montado todo serviço para a Clínica do Homem no HGG, com equipamentos para cirurgia e, ainda, equipamento de eletroencefalograma e equipamento chamado lâmpada de fenda para a oftalmologia. Tem também a nova clínica cirúrgica do HGG com 14 leitos e muito mais. Sem falar que a política de investimento é de sempre comprar equipamentos e mobiliários, porque é uma renovação contínua, já que tudo tem prazo de validade e um desgaste muito grande pelo uso constante.
C24H –
Não só de equipamento vivem as unidades. E as obras?
Filipe – Estão sendo feitas e outras já foram. No HGG, por exemplo, foi entregue um CTI com 15 leitos e, também, houve reforma na clínica médica, além de estar sendo reformada a clínica pediátrica, podendo dizer tratar-se de uma nova clínica, toda temática, lúdica. Também reforma e adaptação de espaço para instalação de clínica cirúrgica como já falei e obras no novo Pronto Socorro, com objetivo de acolher melhor os pacientes e os profissionais, apresentando maior resolutividade. Sem falar nos trabalhos para colocar ali uma agência transfusional. Tudo isso, levando-se em consideração que o HGG não foi construído para ser de fato um hospital como é, com essa demanda imensa que tem, por isso a necessidade de transformá-lo em hospital de verdade. E tem outras obras em outras unidades da FMS.
C24H – Mas muitas obras estão parando, como a do Pronto Socorro do próprio HGG, não é?
Filipe – Não, todas estão em andamento, inclusive, a do novo Pronto Socorro do HGG. As obras continuam, mas no momento, por causa da crise nacional e a queda do barril de petróleo, o calendário foi dilatado. Isso é natural. Se você está numa estrada sabendo que tem pouco combustível, você tem que desacelerar para chegar até seu destino. E é isso que acontece numa prefeitura. E isso é diferente de parar, isso é desacelerar.
C24H – Dentro deste contexto vamos falar das obras da unidade pré-hospitalar São José. Como estão?
Filipe – Estão muito bem e até o final do ano será entregue à população. Posso dizer que esta será a grande unidade de saúde da Baixada, que tem objetivo reter todos os pacientes da região, que não vão mais precisar se deslocar para o HFM ou HGG. Terá atendimento de urgência e emergência, leitos de observação, atendimento ambulatorial com várias especialidades, laboratório 24h, aparelho de tomografia para identificar doenças como AVC e doenças de caráter cirúrgico, odontologia, Raio X, eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrasson, sala de mamografia, sala de gesso, entre outros.
C24Hs
– E a tão falada unidade pré-hospitalar de Travessão? Tem jeito?
Filipe – Claro que sim, tanto que o governo viu que não havia condições de continuar como estava e foi projetada a reforma, podendo se falar numa nova unidade. A partir daí foi necessária que, temporariamente, se levasse o atendimento que aconteceu lá, para o Clube da Terceira Idade, em frente. E para a parte de urgência e ambulatório foi preparado um ambiente refrigerado para isso. As obras estão em andamento.
C24H – Equipamentos adquiridos e obras realizadas. E a parte de pessoal. Não conta?
Filipe – O governo sabe que o bom atendimento não é feito só com equipamentos e obras, mas com pessoal qualificado e motivado para isso. E entre as políticas de valorização foram instituídas as gratificações para esses profissionais de saúde. Posso dizer sem erro que Campos é o município da região que melhor paga a estes profissionais, sem distinção. Posso citar a gratificação para os profissionais que trabalham em hospital nível III, em Campos o HFM, classificado pelo Ministério da Saúde como referência em trauma, que atende a todos os requisitos e pela complexidade do atendimento. E esse recurso é exclusivo da prefeitura. E tem ainda a transposição do regime dos servidores da urgência e emergência, de celetistas para estatutários, o que era um desejo antigo deles. Também a gratificação para o profissional médico emergencista, tanto do HFM quanto do HGG. A prefeitura verificou que teria que usar a política de valorização, visando reter os bons profissionais e, em conta partida, exigir padrão de qualidade. Mas o profissional só recebe essa gratificação se cumprir requisitos como assiduidade, produtividade e atendimento humanizado.
C24H –
Vamos ao ponto polêmico, que é o controle de pessoal...
Filipe – Além do controle do ponto, existe projeto maior por trás da logística de frequência. Todos sabemos que dinheiro público tem que ser bem cuidado e há investimento muito grande com a folha de pessoal e o objetivo é verificar se o governo que paga ao servidor está tendo a contra prestação real do serviço. Primeiro foi o controle de acesso dos servidores, pacientes e visitantes, através de catracas eletrônicas e portas de acesso a determinados setores, implantadas há um mês no HFM e já sendo instaladas no HGG. Esse projeto será estendido a outras unidades da FMS, como o São José, por exemplo. Também sabemos que livro de ponto e sistema de senha são falhos e a decisão então foi pelo sistema biométrico, iniciado este mês no HFM e no próximo no HGG. Esse sistema também será estendido as demais unidades do órgão.