Custodópolis, um bairro de rica história e tradições


  • 29/09/2021, 16h30, Foto: Reprodução/Guarus 24 Horas.

Custodópolis é um bairro que tem cultura, identidade, história e tradição. Berço do samba, é ali que estão fincadas as raízes da União da Esperança, a mais popular escola de Campos com seus sambas e bambas imortais. Mas a “Cidade de Palha” tem muito mais pra contar além da campeoníssima agremiação verde e rosa. Povoamento de antigos cortadores de cana na primeira metade do século passado, Custodópolis deve seu topônimo ao médico e benfeitor Custódio Siqueira, quando o bairro era ainda uma espécie de extensão da zona rural de Campos.

Doutor Custódio era proprietário de terras na comunidade resolveu transformá-las em lotes, vendidos “baratinho”, “com pagamento facilitado”. Se alguém não tivesse no mês dinheiro para pagar, ele falava: “depois você me dá”. As áreas loteadas ficaram conhecidas como “Terras de Custódio”. Na memória, Custódio tinha o registro de um “homem muito bom e simples, que entrava na casa dos moradores, tomava cafezinho e atendia os pobres”. (Leia mais abaixo)

Na travessia do rural-urbano, o mais antigo e populoso bairro de Guarus contou com melhorias, através de oferta pública de iluminação, abastecimento d água, coleta de lixo, calçamento e transporte coletivo. Mas há problemas que se arrastam há vários anos.  

O bairro tem deficiências como saneamento e, grande parte dos moradores utiliza fosse séptica, que em ocasião de chuvas e da falta de escoamento transbordam, além do alagamento das ruas.    

 “Custodópolis precisa de melhores condições do atendimento na saúde, além de espaços de lazer para a comunidade. O bairro ainda carece de obras de infraestrutura como redes de esgoto e saneamento. Na praça José Dias Nogueira, os brinquedos e equipamentos estão quebrados”, afirma Rodrigo Conceição Amaro. 

—A unidade de saúde tem atendimento precário, não atende as demandas da comunidade. Não há um ginecologista, um cardiologista ou um ortopedista. Há falta de médicos especialistas — relata Rodrigo Amaro, presidente da Associação de Moradores de Custodópolis. 

As deficiências do transporte público de passageiros se somam a outras carências; “Ônibus só em horário de pico, fora destes horários o passageiro demora 40 minutos no ponto e, nos finais de semana, é pior. Se a pessoa quer ir ao um culto em uma igreja em outro bairro ou rever seus parentes que mora em outro lado da cidade, é melhor desistir”, conta o líder comunitário.  (Leia mais abaixo)

No futebol, o Grêmio Custodópolis também honra o nome e as tradições do lugar, campeão invicto da Taça Cidade de Campos 2020.

Os geniais sambas de Neguinho, porém, representam uma antologia do passado. O cidadão Milton hoje se converteu a uma religião evangélica, equidistante do cenário que o consagrou, enquanto a União da Esperança se encontra no segundo grupo e busca se refazer das péssimas administrações. Mas a cultura de Custodópolis continua viva, forte e rica, assim como sua memória identitária.   



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