Crise na segurança do Rio não é problema para enfrentar "com uma bala de prata", diz Barroso

"Você precisa de inteligência, planejamento e ocupação social dos espaços perdidos"


  • 22/02/2018, 19h30, foto: Ilustração.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Roberto Barroso disse em entrevista à jornalista Miriam Leitão que a crise na segurança no Rio de Janeiro não é um problema a ser enfrentado com uma “bala de prata”, e alertou para os riscos da intervenção determinada pelo governo federal na segurança pública do estado. “Há muitos riscos envolvidos, e sobretudo o problema do Rio não é um problema que você enfrente com uma bala de prata. Você precisa de inteligência, planejamento e ocupação social dos espaços que o Estado perdeu”, disse Barroso. Barroso rejeitou que o problema possa ser resolvido em meses de trabalho. “O problema do Rio tem que ser um programa patriótico e suprapartidário de enfrentamento do que hoje é total descontrole na segurança pública”. A intervenção federal no RJ foi assinada pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira (16), quando já entrou em vigor. O general de Exército Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, foi nomeado interventor e tem o comando da Secretaria de Segurança Pública, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e do sistema carcerário fluminense. Na entrevista, o ministro Barroso ainda comentou sobre a ruptura da sociedade carioca e fluminense. “O Rio é um pouco uma cidade que se partiu”, disse. “Parte da sociedade se sente marginalizada a ponto de não ter nenhuma perspectiva de acesso neste mundo de consumo e civilização que nós vivemos.” Para Barroso, a falta de perspectiva de acesso e interlocução fazem com que a violência se torne muitas vezes a única forma de comunicação. “Eu acho que isso foi, em grande medida, o que aconteceu no Rio. Portanto, é preciso evidentemente enfrentar a criminalidade, mas é preciso fazer também um papel de resgate social, com educação, saúde, serviços mínimos nessas comunidades que são dominadas pelo tráfico.”  



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