Se o brasileiro conseguia driblar a crise econômica cortando apenas o consumo supérfluo, agora o cenário requer atitudes mais incisivas para dar conta do orçamento. Uma delas tem sido abrir mão do plano de saúde. Meio milhão de pessoas ficaram sem a proteção da assistência médica particular de dezembro de 2014 até setembro deste ano, de acordo com a Agência Nacional de Saúde (ANS).
Os dados se referem tanto para quem tinha plano individual, e que agora não consegue mais pagar, como para quem ficou desempregado e acabou perdendo também o plano conveniado pela empresa. Para a Associação Brasileira Medicina Grupo (Abramge), que representa as operadoras, essa redução é inédita no setor e “a perspectiva para o número de beneficiários continua sendo de queda”, disse em nota.
O superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, Luiz Augusto Carneiro, atribui os resultados ao agravamento da crise e à queda do nível de emprego. “O plano de saúde é o terceiro principal desejo do brasileiro, atrás de educação e da casa própria. É também um benefício muito valorizado pelos funcionários das empresas. Então, é natural que, enquanto houver condições financeiras, os beneficiários e as empresas tentarão preservar esse benefício”, diz. (Leia mais abaixo)
É como se a conquista da classe média quanto ao consumo estivesse regredindo. “O trabalhador que se orgulhou de ter o plano agora volta a engrossar a fila do SUS. O que pode se esperar é uma queda na qualidade do serviço e também na qualidade de vida”, complementou o economista especialista no setor de saúde privada Ronaldo Azevedo.