Crise econômica 'alimenta' crise política, diz Renan

Presidente do Senado divulgou nota de balanço do fim do semestre. Para ele, ajuste fiscal pode virar 'desajuste social' e juros são 'pornográficos'


17/07/2015    -    às 19h      -      Foto: Divulgação renanO presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em nota de balanço sobre os trabalhos da Casa no primeiro semestre que o Congresso não é um "agente de instabilidade" e que é a crise econômica que gera a crise política pela qual passa o país. "O Congresso, composto de homens responsáveis e patriotas, não é um agente de instabilidade. As dificuldades que ora enfrentamos não foram criadas aqui, mas nem por isso nos omitimos. Não é a política que contamina a economia. Quem alimenta a  crise política é a crise econômica", afirmou o senador. Renan, que faz parte da base aliada do governo mas se posiciona como crítico do ajuste fiscal proposto pela presidente Dilma Rousseff, escreveu ainda críticas à política econômica. Ele chamou os juros no país de "pornográficos". "O ajuste fiscal caminha celeremente para ser um desajuste social com a explosiva combinação recessão, inflação alta, desemprego e juros pornográficos. Até aqui só o trabalhador pagou a conta e não há ainda horizonte após o ajuste", continuou Renan. A nota do senador foi divulgada pouco depois de o colega dele de partido, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter informado, em entrevista coletiva, que passará a integrar a oposição ao governo. Cunha e Renan impuseram dificuldades ao Planalto em votações no primeiro semestre. Uma delas, a devolução da Medida Provisória que reduzia desonerações, foi lembrada pelo senador na nota. "Aqui procuramos ajudar, contribuir e aperfeiçoar medidas para recolocar a Nação no rumo do crescimento e da distribuição de riquezas e, quando necessário, frear a sanha arrecadadora como o fizemos na devolução de uma medida provisória juridicamente equivocada que teria agravado a recessão e o desemprego", lembrou Renan.



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