Crise convulsiva: como agir e vencer barreiras do preconceito


02/07/2015      às 10h55     -    Foto: divulgação Andressa-capaArnaldo Viana 5 Tratar do assunto convulsão era algo que sempre esteve em voga visto a importância e incidência da questão.  Por isso, hoje falaremos um pouco do que é uma crise convulsiva, suas possíveis causas, tratamento e indicações terapêuticas, com o neurologista e neurocirurgião Arnaldo Vianna, que nos trará informações valiosas acerca da questão. Andressa Amaral:  O que é de fato uma crise convulsiva? Arnaldo Vianna: Na verdade é um sinal do organismo, especificamente do Sistema Nervoso Central, mostrando que há algo errado acontecendo.  Geralmente caracteriza-se pela contratura muscular de todo o corpo ou parte dele provocado por um aumento excessivo de atividade elétrica em determinadas áreas cerebrais. Andressa: Mas, é muito comum ouvirmos falar que os indivíduos acometidos por crise convulsiva apresentam sinais diferentes, como isso acontece? Arnaldo: Na verdade a convulsão caracteriza-se em generalizada e parcial ou focal.  No caso da generalizada, era a conhecida há tempos atrás, como grande mal, onde há perda da consciência face abalos tônicos clônicos, mais conhecida como ataque epilético.  Neste quadro geralmente o paciente tem perda da consciência, na fase tônica todos os músculos dos braços, pernas, tronco, ficam endurecidos e contraídos, logo após o indivíduo entra na fase clônica, onde apresenta contrações rítmicas, repetitivas e incontroláveis. Em ambas as situações, a saliva pode ser abundante e ficar espumosa. Mordida pelos dentes, a língua pode sangrar. Andressa: Em relação a este quadro, é muito comum ouvirmos as pessoas falarem: segurem a língua, cuidado com a saliva porque crise convulsiva pega... Enfim, existem várias formulações populares acerca do assunto.  Fale-nos um pouco sobre isso. Arnaldo: Primeiramente é importante esclarecer que crise convulsiva não é contagiosa, ou seja a saliva, baba, não provoca nenhum mal a quem está próximo.  Em relação à língua, não é indicado segurar porque a força da contratura é muito forte e capaz de machucar de forma severa a pessoa que tentar fazer isso. Andressa: Em caso deste tipo de crise, que não escolhe hora, local, como as pessoas podem agir para ajudar o paciente e procurar socorro? Arnaldo: O correto é proteger a cabeça para que não haja queda e lesão grave, colocar o paciente de lado com a cabeça protegida para que não engasgue com a baba e a língua não vire, remova todos os objetos ao redor que ofereçam risco de machucá-la, afrouxe-lhe as roupas, não introduza nenhum objeto na boca nem tente puxar a língua para fora, aguardar a crise passar e procurar ajuda do especialista depois.  Qualquer ação diferente desta pode gerar problemas sérios ao paciente. É importante também evitar aglomerações perto de quem está tendo a crise. Andressa: Em relação à parcial, fale-nos um pouco. Arnaldo: Esta é a conhecida como crise de ausência, onde os pacientes ficam com o olhar perdido, como se estivessem no mundo da lua, e não respondem quando chamadas. Quando a ausência dura mais de dez segundos, o paciente pode manifestar movimentos automáticos, como piscar de olhos e tremor dos lábios, por exemplo. Essas crises chegam a ser tão breves que, às vezes, ele nem sequer se dá conta do que aconteceu.  Por isso, a importância de observar, principalmente as crianças, se tais sinais ocorrem com frequência para que possam ser diagnosticadas e tratadas. Andressa: E quais são as causas de crises convulsivas? Arnaldo: Bom dentre várias podemos destacar: febre alta em caso de crianças com menos de 5 anos, intoxicações por gases de cozinha, medicamentos sem prescrição e orientação médica, bebida alcoólica, drogas, traumatismo de crânio, hipo ou hipertensão arterial, tumores cerebrais, meningites, encefalites, infecções, falta de oxigenação no cérebro. Andressa: E as consequências de crises convulsivas no âmbito cerebral e comportamental do paciente existem?  E quais os tratamentos indicados para pacientes com crises convulsivas? Arnaldo: Em relação às consequências, dependendo da crise pode comprometer alguma área do cérebro, como por exemplo afetar as funções executivas, motivos estes que muitos pacientes que sofrem crises convulsivas, apresentam problemas atencionais, o que não é uma regra.  O fato é que nunca se sabe em que área vai ocorrer a descarga elétrica, por isso o acompanhamento médico é fundamental. Em relação ao tratamento, primeiramente é fundamental o diagnóstico diferencial feito pelo neurologista através de investigação clínica e por meio de exames específicos para que se possa utilizar a medicação adequada ao tratamento. Além disso, eu indico e acho importantíssimo que estes pacientes façam acompanhamento psicológico, visto que a própria história da doença, que era tida há tempos atrás como grande e pequeno “mal”, traz preconceitos em sua contextualização.  Visto isso, é muito importante que o paciente saiba desconstruir estes protocolos sociais e convier com o quadro sem que encontre barreiras que atinjam sua auto-estima, socialização e consequentemente sua vida enquanto ser social. Para finalizar gostaria de agradecer a oportunidade de trabalhar em sua equipe e aprender cada vez mais com sua experiência e profissionalismo. Aos leitores que tiverem dúvidas, podem enviar emails que responderemos a todos. (*) Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected]. Contatos / Clínica CRIAMSA: / 99886-1239 – CDT (Sala 302)



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