Crianças sem limites ou hiperativas?

ARTIGO


18/10/2015    -     às 17h50       -    Foto: Campos 24 Horas andressaPor: Andressa Amaral Neuropsicopedagoga Estamos vivendo uma era, onde o mundo gira numa dinâmica onde há sempre justificativa para todas as ocorrências e intercorrências da vida diária e estas, precisam ser alicerçadas na ciência.  Muito comum tem sido esta associação científica por vezes equivocada, para justificar a falta de limite de crianças e até mesmo adolescentes, que não possuem regras, rotinas diárias, que não conhecem o NÃO como instrumento regulador na vida diária.  E, a associação mais comum e perigosa, é transpor características de crianças sem limites a um diagnóstico de hiperatividade ou até mesmo de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

A grande questão é que a hiperatividade em seu diagnóstico, traz traços fortes e muito similares aos de crianças que não possuem limites.  Por este motivo, é preciso ter cuidado extremo no momento de uma investigação clínica de modo que esta criança não receba um rótulo de hiperativa que o acompanhará para toda uma vida, quando o problema pode ser simplesmente uma questão psicoeducativa familiar. Para que se possa entender melhor a questão é preciso observar o que de fato caracteriza uma criança hiperativa.  A hiperatividade é uma marca neurobiológica que caracteriza o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.  Geralmente a prevalência dela é em meninos, pois as meninas acometidas por tal transtorno, em grande maioria é predominantemente desatenta e não hiperativa. Além disso, crianças hiperativas de fato, trazem em seus hábitos, agitações motoras contínuas, são crianças que de fato não conseguem ficar paradas, se mexem o tempo inteiro, por vezes apresentam movimentos motores até mesmo involuntários.  Juntamente a estes fatores, são impulsivas, ou seja, primeiro agem, depois pensam, e se arrependem, sem contar que a grande maioria destas crianças apresentam compulsão, principalmente alimentar, pois não conseguem alcançar a sensação de saciedade. Outro fator marcante de crianças hiperativas é o sono, que em grande maioria apresenta momentos agitados, além da ansiedade que o sintoma que prediz todos os outros acima mencionados, pois estas crianças querem executar todas as informações que chegam em seus cérebros ao mesmo tempo, e como não conseguem, isso gera ansiedade constante. Contudo, o grande problema é que estas características que marcam crianças de fato hiperativas, tem sido suplantadas, confundidas, e justificadas em grande escala, pela ausência  de limite presentes nas famílias de hoje. É muito comum observarmos queixas do tipo: meu filho está terrível, responde a todo mundo, é muito agitado, espalha tudo, tem dificuldade de aceitar o não... Será que esta é uma criança hiperativa ou sem limite?  Relatos como estes são comuns de famílias que na maioria das vezes passam o dia fora por causa de trabalho, trocam afeto por aparelhos eletrônicos, e transpõem para a escola uma função que é sua: a de educar. Na grande maioria, estas crianças não são hiperativas, mas sem limites, são crianças que não possuem rotina, que dormem tarde e com isso ficam agitadas na escola e apresentam dificuldades de concentração, crianças que passam horas em jogos eletrônicos e consequentemente se tornam compulsivas, são crianças que não tem horários regulados para estudar, tomar banho, e ter seus momentos de lazer.  Ou seja, são crianças que vivem uma realidade familiar desestruturada e que reflete em uma criança com características também desestruturadas e consequentemente são confundidas como hiperativas. É muito importante que as famílias fiquem atentas a estas questões, principalmente quando buscam ajuda de especialistas.  O diagnóstico de hiperatividade precisa de um determinado tempo para ser fechado, pois este, apesar de amparo de alguns exames, avaliação neuropsicológica, ele é clínico, carece de observação.  E muitas vezes, algumas crianças que não são de fato hiperativas, mas que estão vivendo uma hiperatividade circunstancial estão sendo submetidas a usos constantes de medicações fortes, quando de fato o que esta criança precisa é de uma reestruturação comportamental e familiar. Em casos de hiperatividade sabe-se da importância da medicação para a autorregulação cerebral.  Contudo, em situações de diagnósticos induzidos, que na maioria das vezes acontecem pelos próprios pais que já chegam nos consultórios pedindo medicações, e até mesmo cometendo relatos exagerados e omissos ao profissional que avalia, o uso de medicação inadequado pode levar esta criança a outros problemas sérios como irritabilidade, ansiedade e até mesmo agressividade. Aguardo sugestões, perguntas e dúvidas.  É sempre um prazer responder a todos os leitores.  Email para: neuropsiandressaamaral@gmail. com. Outros contatos: (22) 9 99653190 / 9 98861239 / 30520960 Consultório: Prédio do Medical Center, Rua 13 de Maio, Centro, Sala 805.   (Leia mais abaixo)



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