A infância roubada: o estresse infantil e seus reflexos na aprendizagem


Falando de Saúde e Educação Por: Andressa Amaral Neuropsicopedagoga Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected]. Contatos / Clínica CRIAMSA: / 9 98861239 – CDT(Sala 302) 70587b7b-19cd-4e9e-9675-6ef9b9849d97Cada vez mais, o real significado da palavra criança tem sido dissolvido frente à explosão do mundo tecnológico.  A Criança em seu sentido próprio, que brinca com brinquedos não virtuais, que corre, fica suja de terra, que joga bola, solta pipa, brinca de fazer comidinha... está cada dia mais escassa. Hoje o perfil de criança que se tem é o miniadulto, com agenda geralmente cheia, que ficam em casa sem os pais (geralmente acompanhados de cuidadores), que dormem muito tarde porque não possuem rotina, que passam grande parte do tempo frente a um computador ou celular, que come correndo, que raramente conversa... Enfim, criança que é tudo! Menos CRIANÇA. Assim tem sido o mundo moderno, uma era de estímulos visuais em excesso, que roubam as maravilhas essenciais da infância: o manuseio com brinquedos, atividades de correr, equilibrar, as frustrações das brincadeiras entre amiguinhos que se perde, o abraço entre amigos... Ou seja, estímulos essenciais para a formação de conceitos e habilidades indispensáveis para o comportamento humano, são de fato exauridos pela modernidade. Com isso, esta nova CRIANÇA – MINIADULTO, assume para si todos as tipicidades dos adultos, como aparatos tecnológicos, as maquiagens que substituem as brincadeiras de bonecas, dentre outros, gerando como conseqüência crianças com características psicológicas que há algum tempo atrás eram próprias dos adultos. É neste contexto que surge o stress infantil, as crianças convivem hoje em ambientes próprios de adultos, participam das conversas dos pais, vivenciam conflitos familiares, por vezes até violentos, tomam ciência das dificuldades de um lar, perdem seus horários rotineiros, pois a hora de dormir das crianças acaba sendo a dos pais, e com isso, além de perderem a infância, a grande maioria apresenta patologias físicas e psicológicas e que sobretudo, desorganizam sua vida e refletem na aprendizagem. Os sintomas do stress infantil variam entre emocionais (choro em demasia, insegurança, ansiedade, medo), comportamentais (agressividade, hiperatividade, distúrbios do apetite e do sono, brigas na escola, gagueira, ranger de dentes, afastamento dos colegas) e físicos (dores de cabeça e de estômago e outros sintomas sem doença física). Todos estes sintomas começam surgir na criança e vão assumindo proporções, que acabam se tornando transtornos graves e consequentemente atrapalhando toda a vida daquela criança, sobretudo sua aprendizagem. Crianças dentro de quadros de stress infantil, nitidamente oscilam comportamento, tem sono alterado, por vezes agitado, às vezes ficam muito sensíveis, ou com sintomas agressivos, o que reflete diretamente em sua vida escolar, vez que aquela criança passa a ficar mais desmotivada, desatenta, por vezes inquieta, dispersa, e às vezes agressiva.  Quadros como estes, tem sido confundidos com TDAH e medicamentos fortes, tem sido a primeira opção para o tratamento. Contudo, é importante entender que o STRESS INFANTIL é uma condição circunstancial que tratada adequadamente, e detectada precocemente, pode ser totalmente revertida, ao passo que o TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) é um quadro que pode e deve ser tratado, o indivíduo consegue ter uma vida totalmente normal, contudo permanece ao longo da vida. Por tais razões é muito importante que as famílias fiquem atentas às mudanças de comportamentos repentinas na rotina das crianças, para que estas não se tornem transtornos graves. CLÍNICA CCRIAMSA Rua dos Goytacazes, 991 - IPS Tel: 22 3052-0960 / 99886-1239 email: [email protected] site: www.criamsa.com.br

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Entenda os prejuízos de uma vida sem o sono de qualidade Andressa (Leia mais abaixo)

Por que dormimos e permanecemos cansados, improdutivos, sem foco e ansiosos?

O ritmo frenético da vida moderna, alicerçada pela tecnologia, onde vivemos 24 horas conectados, a pressa para darmos conta de resolver todos os compromissos do dia, tem levado o homem da era tecnológica e dormir cada vez menos e com menor qualidade, ou seja, ficamos on line o tempo inteiro e não permitimos o off line ao cérebro para que ele se reestruture.

É muito importante entendermos que as ações do corpo são comandadas pelo funcionamento cerebral.  Ou seja, assim como um motor de um veículo precisa estar em condições adequadas para o carro funcionar sem riscos ao condutor, com combustível para produzir deslocamento, o cérebro também precisa estar em condições adequadas de funcionamento. E, neste caso, um dos combustíveis indispensáveis para o bom funcionamento cerebral, é a qualidade do sono do indivíduo.  É muito comum observamos indivíduos que não conseguem alcançar um sono de qualidade, sofrerem de ansiedade, irritabilidade, quadros depressivos, além de problemas imunológicos graves. Contudo, o mais importante de tudo, não é somente a quantidade de horas que o indivíduo dorme, mas a qualidade deste tempo de sono, pois cada organismo necessita de um tempo para se recompor.  Apesar das divergências científicas, já se sabe que temos vários estágios que perpassam do sono leve ao profundo, e que estes, são indispensáveis para que tenhamos uma vida de qualidade. Cada vez mais, neste mundo conectado, em que as pessoas além de não conseguirem estabelecer uma rotina para seus ciclos de sono, ainda dormem pouco e em estado de alerta.  Na maioria das vezes o indivíduo tem a sensação de que dormiu, mas não descansou.  Ou seja, o cérebro não descansou, não atingiu aos estágios de sono necessários para completar seu ciclo regular. E, com isso, certamente, assim como um motor de um carro sem combustível, ou manutenção adequada, a tendência é dar problema. Acontece que há uma distância enorme entre o motor de um carro e o cérebro humano.  As máquinas geralmente dão sinais mais imediatos, o cérebro, quando sintomatiza, é sinal de que o problema já existe.  Por isso, na grande maioria dos casos, pessoas que não tem sono de qualidade desenvolvem, como dito anteriormente, quadros de ansiedade, dificuldade de concentração, perda de foco, comprometimento motor, irritabilidade e até mesmo quadros depressivos. Assim como é muito comum crianças que também não possuem sono de qualidade, desencadearem hiperatividade e dificuldade de concentração e de aprendizagem, além de quadros severos de ansiedade e até mesmo agressividade. Por este motivo, cuidar da qualidade do sono é indispensável para uma vida saudável.  Hoje já existem inúmeras linhas terapêuticas que buscam tratar o indivíduo como um todo, dentre elas, a medicina integrativa, que trabalha com mudança de hábitos alimentares e comportamentais, além de uso de homeopatia, linhas de tratamento da medicina chinesa, tais como técnicas de acupuntura especializada,  onde a premissa é o equilíbrio entre corpo e mente.  Ou seja, não simplesmente levar ao indivíduo um quantitativo de horas de sono, mas a um ciclo indutivo do sono de qualidade, que consiga equilibrar o organismo e fazer com que este indivíduo tenha uma vida melhor.  Vale ressaltar que o tratamento adequado ao equilíbrio dos distúrbios de sono, não se reduz ao uso de medicamentos, mas a um conjunto de atividades e hábitos que precisam fazer parte da vida deste indivíduo, além de equipe multidisciplinar atuando no problema, vez que cada ser tem uma resposta fisiológica diferenciada. Email para: neuropsiandressaamaral@gmail. com Outros contatos: (22) 9 99653190 / 9 98861239 / 30520960 Consultório: Prédio do Medical Center, Rua 13 de Maio, Centro, Sala 805

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Déficit de Atenção, Ansiedade, Stress e Irritabilidade

AndressaChegando ao Brasil, o tratamento em neuroterapia ajuda o recondicionamento e autorregulação das atividades cerebrais com resultados similares a uso de medicamentos psicoativos como estimulantes cerebrais. A Neuroterapia, técnica muito utilizada nos Estados Unidos e Europa, vem ganhando espaço cada vez maior em meio a profissionais que atuam no tratamento e acompanhamento de pacientes que sofrem de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TOC (Transtorno Obssessivo Compulsivo), TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), dentre outros. A eficácia deste tratamento se dá pelo fato da mesma atuar na correlação entre os padrões de atividade cerebral e os aspectos psicológicos do indivíduo. Ou seja, através do instrumento neurofeedback, um aparelho que avalia as condições de ondas cerebrais no momento em que o paciente desenvolve determinadas atividades, este aparelho dá, a este indivíduo o feedback de como seu cérebro reage a determinadas circunstâncias.  Com isso, o terapeuta vai conduzindo o tratamento de modo que o indivíduo consiga se autorregular e superar suas dificuldades. Através do neurofeedback as atividades cerebrais são estimuladas e alteradas e o paciente consegue verificar este processo ocorrendo através de softwares que monitoram junto aos aparelhos todo este processo.  Com isso, o cérebro que hoje, através das neurociências, já se sabe que possui plasticidade, ou seja, não é rígido, e pode se reabilitar, começa a se recondicionar e o organismo percebe estas respostas. Os transtornos emocionais e cognitivos estão relacionados com a deficiência ou excesso de algumas frequências cerebrais em regiões específicas do cérebro. Por exemplo, o transtorno do déficit de atenção está associado com a excessiva atividade de ondas lentas no córtex frontal. A ansiedade, a irritabilidade e a redução da tolerância ao estresse estão relacionadas com a produção excessiva de frequências de atividade muito rápida em determinadas regiões do cérebro. Através da técnica do neurofeedback, há a  inibição das ondas em excesso e o aumento das frequências em deficiência. “Com o treinamento, as pessoas alcançam um maior equilíbrio emocional, uma melhora da concentração, planejamento, organização, criatividade, memória e raciocínio, o que as tornam mais produtivas, autossuficientes e relaxadas”. Muitos pacientes que necessitam de usos de medicamentos para concentração, memória, ansiedade, conseguem no final do tratamento diminuir consideravelmente ou até mesmo eliminar o uso dos mesmos.

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Quando a timidez se torna uma doença?

andressaEncontramos em nosso dia-a-dia relatos comuns de pessoas que dizem ter dificuldade de falar em público, que ficam inibidos ou retraídos frente a outras pessoas, quando se deparam com situações sociais fora de pessoas de seu convívio rotineiro, além de apresentarem constante preocupação com o julgamento que as pessoas desconhecidas farão a respeito de seus comportamentos e atitudes. Os tímidos desejam se relacionar com os outros, mas não sabem como fazê-lo. Além disso, eles sofrem de baixa autoestima e apresentam medo intenso da rejeição, gerando grande sofrimento. Este quadro tem se tornado cada vez mais comum nos dias de hoje, principalmente entre adolescentes, que optam pelos eletrônicos a terem que ser submetidos ao convívio social. Várias são as causas da timidez, o próprio fator genético, as novas vivências, o meio social em que fomos criados, dentre outros.  Acontece, que quando estas causas trazem consequências acentuadas para a vida destes indivíduos supostamente tímidos, a ponto de lhe causarem prejuízos na vida (social, acadêmica, profissional e afetiva) de forma excessiva e persistente, esta passa a ser uma fobia social o timidez patológica. O fóbico social apresenta, assim como o tímido, medo enorme de se sentir o centro das atenções, de estar sendo observado negativamente, porém com muito mais intensidade que o tímido “normal”. Na maioria das vezes, o medo e a ansiedade começam muito tempo antes do evento social ocorrer e são desencadeados pela mera expectativa que o fóbico tem de vivenciá-lo e com preocupação excessiva do seu desempenho. É interessante como situações consideradas simples, por quem não sofre de fobia social, como comer, falar em público, escrever, fora de seu contexto de rotina, causam-lhes tanta ansiedade, a ponto de serem evitadas, além de sintomas físicos.  Alguns fóbicos sociais apresentam quando submetidos a este quadro, vermelhidão no rosto, sudorese intensa, tremores, taquicardia, boca seca, fala trêmula, tensão muscular, dentre outros. Este quadro é muito comum na adolescência, fase em que diversas indagações sobre a identidade surgem, e se agrava podendo perdurar por toda vida quando não tratado, muitas vezes desencadeando outros problemas como uso de álcool, drogas e até mesmo quadro depressivo. Buscar ajuda de especialistas, neste caso, o quanto antes é o melhor caminho. O tratamento geralmente se dá através de psicoterapia em TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) que irá ensinar este indivíduo a superar suas limitações, além de complementação através de medicação quando necessário.

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Crianças sem limites ou hiperativas?

andressaEstamos vivendo uma era, onde o mundo gira numa dinâmica onde há sempre justificativa para todas as ocorrências e intercorrências da vida diária e estas, precisam ser alicerçadas na ciência.  Muito comum tem sido esta associação científica por vezes equivocada, para justificar a falta de limite de crianças e até mesmo adolescentes, que não possuem regras, rotinas diárias, que não conhecem o NÃO como instrumento regulador na vida diária.  E, a associação mais comum e perigosa, é transpor características de crianças sem limites a um diagnóstico de hiperatividade ou até mesmo de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A grande questão é que a hiperatividade em seu diagnóstico, traz traços fortes e muito similares aos de crianças que não possuem limites.  Por este motivo, é preciso ter cuidado extremo no momento de uma investigação clínica de modo que esta criança não receba um rótulo de hiperativa que o acompanhará para toda uma vida, quando o problema pode ser simplesmente uma questão psicoeducativa familiar. Para que se possa entender melhor a questão é preciso observar o que de fato caracteriza uma criança hiperativa.  A hiperatividade é uma marca neurobiológica que caracteriza o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.  Geralmente a prevalência dela é em meninos, pois as meninas acometidas por tal transtorno, em grande maioria é predominantemente desatenta e não hiperativa. Além disso, crianças hiperativas de fato, trazem em seus hábitos, agitações motoras contínuas, são crianças que de fato não conseguem ficar paradas, se mexem o tempo inteiro, por vezes apresentam movimentos motores até mesmo involuntários.  Juntamente a estes fatores, são impulsivas, ou seja, primeiro agem, depois pensam, e se arrependem, sem contar que a grande maioria destas crianças apresentam compulsão, principalmente alimentar, pois não conseguem alcançar a sensação de saciedade. Outro fator marcante de crianças hiperativas é o sono, que em grande maioria apresenta momentos agitados, além da ansiedade que o sintoma que prediz todos os outros acima mencionados, pois estas crianças querem executar todas as informações que chegam em seus cérebros ao mesmo tempo, e como não conseguem, isso gera ansiedade constante. Contudo, o grande problema é que estas características que marcam crianças de fato hiperativas, tem sido suplantadas, confundidas, e justificadas em grande escala, pela ausência  de limite presentes nas famílias de hoje. É muito comum observarmos queixas do tipo: meu filho está terrível, responde a todo mundo, é muito agitado, espalha tudo, tem dificuldade de aceitar o não… Será que esta é uma criança hiperativa ou sem limite?  Relatos como estes são comuns de famílias que na maioria das vezes passam o dia fora por causa de trabalho, trocam afeto por aparelhos eletrônicos, e transpõem para a escola uma função que é sua: a de educar. Na grande maioria, estas crianças não são hiperativas, mas sem limites, são crianças que não possuem rotina, que dormem tarde e com isso ficam agitadas na escola e apresentam dificuldades de concentração, crianças que passam horas em jogos eletrônicos e consequentemente se tornam compulsivas, são crianças que não tem horários regulados para estudar, tomar banho, e ter seus momentos de lazer.  Ou seja, são crianças que vivem uma realidade familiar desestruturada e que reflete em uma criança com características também desestruturadas e consequentemente são confundidas como hiperativas. É muito importante que as famílias fiquem atentas a estas questões, principalmente quando buscam ajuda de especialistas.  O diagnóstico de hiperatividade precisa de um determinado tempo para ser fechado, pois este, apesar de amparo de alguns exames, avaliação neuropsicológica, ele é clínico, carece de observação.  E muitas vezes, algumas crianças que não são de fato hiperativas, mas que estão vivendo uma hiperatividade circunstancial estão sendo submetidas a usos constantes de medicações fortes, quando de fato o que esta criança precisa é de uma reestruturação comportamental e familiar. Em casos de hiperatividade sabe-se da importância da medicação para a autorregulação cerebral.  Contudo, em situações de diagnósticos induzidos, que na maioria das vezes acontecem pelos próprios pais que já chegam nos consultórios pedindo medicações, e até mesmo cometendo relatos exagerados e omissos ao profissional que avalia, o uso de medicação inadequado pode levar esta criança a outros problemas sérios como irritabilidade, ansiedade e até mesmo agressividade. Aguardo sugestões, perguntas e dúvidas.  É sempre um prazer responder a todos os leitores.  Email para: neuropsiandressaamaral@gmail. com. Outros contatos: (22) 9 99653190 / 9 98861239 / 30520960 Consultório: Prédio do Medical Center, Rua 13 de Maio, Centro, Sala 805.

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A importância do sono na aprendizagem (Leia mais abaixo)

IMG-20150927-WA0003Quanto mais dinâmica se torna a vida em sociedade, mais comprometida tem se apresentado a qualidade e a regularidade do sono nos indivíduos. O grande problema é que o processo cíclico do sono é de tamanha importância para uma vida diária de qualidade, principalmente no que tange aos processos de aprendizagem. Cada vez mais, as famílias diminuem suas permanências em casa, em atividades conjuntas face à dinâmica da vida moderna.  Com isso, o contato das famílias com os filhos, fica cada dia mais restrito ao período noturno, pois é muito comum que estas culminâncias de horários, onde todos podem estar juntos, aconteçam somente no final do dia. Com isso, principalmente com crianças, os pais, na busca de compensarem esta ausência diurna, quando chegam à casa, tentam amenizar esta ausência brincando com as crianças, por vezes em atividades mais ativas, como correr, jogar bola, ou até mesmo em outras circunstâncias o que acaba por vezes, fazendo com que o momento de sono desta criança não inicie antes das 23 horas, hábitos que tem se tornado cada vez mais rotineiro. O grande problema inerente a esta questão é que o sono é um momento da rotina humana de extrema importância para o desenvolvimento da aprendizagem e como tal, este precisa ser de qualidade, vez que sua ineficácia afeta as funções executivas do cérebro tais como: memória, concentração e atenção.  Ou seja, crianças que não tem um sono de qualidade tendem a apresentar comprometimentos em seus processos de aprendizagem e ainda manifestarem circunstâncias comportamentais de hiperatividade motora e aspectos de ansiedade. Muitas vezes, principalmente em idade escolar, os pais recebem queixas da escola em cujos relatos aparecem a dificuldade de concentração da criança, inabilidade em manter o foco e permanecer quieto, características ansiosas e consequentemente dificuldades na aprendizagem.  E, por muitas vezes, estes pais são levados a um diagnóstico imediato de TDAH, o que não necessariamente é o que ocorre.  Existem inúmeros casos de crianças que apresentam características de TDAH, quando na verdade não aprendem, não se concentram por questões relativas a sonos irregulares. Dentre inúmeros fatores que atrapalham o sono regular, existem alguns que são de extrema importância e ocorrem rotineiramente sem que percebamos, tais como: – Tempo de sono insuficiente – existem inúmeras crianças que dormem muito tarde, não conseguem completar seu ciclo mínimo de sono, acordam cedo, e vão, de fato, despertar na escola, apresentando características de agitação motora, irritabilidade e problemas comportamentais. – Atividades com dinâmicas motoras perto do horário da criança dormir aceleram o processo metabólico e dificultam o estado de relaxamento necessário para que a criança consiga adormecer. – Alimentos com características energéticas  em horários próximos ao momento de sono, também podem afetar a dinâmica do sono. – Ambientes agitados influenciam negativamente o sono. Além destes, inúmeros hábitos e fatores influenciam para uma noite de sono agitada ou tranquila.  O ser humano precisa em média de 8 a 10 horas de sono para que consiga estruturas os processos biológicos do organismo.  Desta forma, uma criança em fase de aprendizagem que não dispõe de um sono de qualidade, em ambiente propício, com tempo mínimo necessário, tem grandes possibilidades de apresentar comprometimento em seu foco atencional e em seu comportamento como um todo.  Por isso saliento da importância de psicoeducação acerca de hábitos que possam regular tais atividades e consequentemente garantir a esta criança, principalmente, condições para que desenvolve seu processo cognitivo de forma regular. Aguardo sugestões, perguntas e dúvidas.  É sempre um prazer responder a todos os leitores.  Email para: neuropsiandressaamaral@gmail.com. Outros contatos: (22) 9 99653190 / 9 98861239 / 30520960 Consultório: Prédio do Medical Center, Rua 13 de Maio, Centro, Sala 805.

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Como tratar crianças com déficit de atenção

20150403_092926Nesta última edição de nossa série de reportagens sobre TDAH, com a neurospicopedagoga Andressa Amaral, o Campos 24 Horas foi ao seu consultório e fez indagações que a maioria dos leitores vêm fazendo durante este período: Qual é o tratamento mais indicado a crianças e adolescentes que possuem dificuldade ou transtorno de aprendizagem e hiperatividade (TDAH), que será o tema desta edição. Confira a entrevista: Campos 24 Horas – Durante todo esse período, muitas indagações foram feitas sobre o tratamento ideal do TDAH.  Como a senhora orienta aos leitores a respeito disso? Andressa Amaral – Olá, mais uma vez é um enorme prazer estar aqui, e hoje em especial, em meu local de trabalho, finalizando um série de reportagens que me rendeu conhecer pessoas muito especiais, responder perguntas, ajudar com meus conhecimentos, o que certamente foi a maior recompensa desta série de reportagens. Mas, em relação ao questionamento, posso dizer que não há melhor tratamento à criança e adolescente portadora de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) do que um acompanhamento através de uma equipe multidisciplinar. C24H – E o que é de fato esta equipe multidisciplinar e porque esta ajuda tanto no tratamento? Andressa – A equipe multidisciplinar é um grupo de profissionais, geralmente composto de neuropsicopedagogos, psicólogos, psicopedagogos, fonoauliólogos, fisioterapeutas, neurologistas, psiquiatras, nutricionistas, educadores, arteterapeutas, que atuam em conjunto no diagnóstico e tratamento do TDAH. O trabalho em equipe é fundamental, porque o transtorno além de ser neurobiológico, ou seja, nasce com o indivíduo, seus sintomas atingem várias esferas do comportamento humano, tais como: aprendizagem (geralmente o mais afetado), personalidade, alimentação, equilíbrio, concentração e outros.  Por este motivo, apenas um profissional não consegue sozinho, resolver o problema, desde o diagnóstico, até o tratamento. C24H – E por falar em diagnóstico, suponhamos que meu filho apresente sintomas de uma criança TDAH, como falamos em outras reportagens (hiperatividade, falta de concentração, inquietude e outros), como é feito esse diagnóstico? Andressa – Em relação a essa questão, é preciso que os pais tomem muito cuidado pela opção inicial da busca, pois muitas vezes, na ansiedade de uma resposta para o problema, buscamos enquanto pais, aflitos mediante a situação, o que é totalmente compreensível, solução imediata para o problema, o que não há. O diagnóstico de TDAH, não deve e não pode ocorrer em apenas uma visita ao profissional, seja ele qual for, é necessário que sejam feitas algumas baterias de testes avaliativos, entrevistas familiares e com a criança, provas operacionais, exames rotineiros para eliminar outras possíveis causas da desatenção, e outras investigações paralelas, o que geralmente leva de 03 à 06 meses. É muito importante que as famílias entendam a importância de um diagnóstico preciso para um tratamento eficaz.  Não adianta uma resposta imediata que possa trazer comprometimentos para a criança no futuro. C24H – Então, qual o primeiro passo devo seguir? Em que profissional devo levá-lo? Andressa – O indicado nestes casos, é que, pelo fato do transtorno afetar diretamente questões relativas à aprendizagem, os familiares procurem primeiramente um psicopedagogo ou neuropsicopedagogo.  São estes os profissionais indicados ao primeiro contato com o problema. A partir daí, estes deverão proceder com uma série de avaliações, e, após, levantadas as hipóteses, pois como falei anteriormente, o diagnóstico não deve ser definido por um único profissional, é preciso que sejam feitos encaminhamentos para outros profissionais, para que, cada um em sua especialidade, busque confirmar as hipóteses levantadas pelo profissional citado. Só, ai, depois de feitos todos os procedimentos indicados, testes, entrevistas, provas operativas, exames de rotina, é que se indica que a criança ou adolescente sejam conduzidos ao neurologista ou psiquiatra, visto que estes profissionais se estiverem alicerçados de informações técnicas, poderão, com precisão, dar parecer acerca do diagnóstico. Somente após este protocolo é que o tratamento e acompanhamento com a equipe multidisciplinar deve ser iniciado. C24H – E quais os tipos de tratamentos podem ser feito para crianças que possuem TDAH? Andressa – Na verdade existem vários tipos de procedimentos que podem ser adotados.  Isso vai depender do quadro do paciente.  Existem crianças que precisam de fato, da intervenção medicamentosa, que por si só, também não resolve o problema como falei anteriormente, além de ser perigosa se prescrita indiscriminadamente, sem um diagnóstico preciso. Em linhas gerais, independente do uso ou não de medicação, é muito importante a terapia interacionista, geralmente feita com profissionais especializados em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia Clínica, que busca extrair da criança as reais dificuldades que a mesma possui em relação à aprendizagem, e fazer com que esta criança, com o tempo, consiga lidar com suas limitações e desenvolver técnicas que lhes faça aprender a aprender.  Ainda há conhecida TCC – terapia cognitiva comportamental, feita por psicólogos especializados, e que é de suma importância na complementação do tratamento, pois irá focar os hábitos que tanto a família como o paciente deverão adquirir neste novo momento para o sucesso de seu quadro, dentre outras alternativas que ajudam muito no tratamento, como a arteterapia, a fisioterapia funcional, o acompanhamento alimentar, a medicina interna (ortomolecular) que vai buscar entender de que forma há desequilíbrio em substâncias no organismo do paciente que potencializam o transtorno,  dentre outras. C24H – Impressionante como existem vários recursos para o tratamento de crianças e adolescentes com TDAH. Mas, acima a senhora menciona alguns que nos chama atenção, como por exemplo, a arteterapia, fisioterapia funcional e medicina ortomolecular.  Fale um pouco sobre estas técnicas. Andressa – Bom, na verdade, todas são técnicas que trabalhadas de forma isolada, ou ainda trabalhada de forma indiscriminada, não garantem resultados satisfatórios. Como te falei anteriormente, é um trabalho, que para ser de excelência tem que ser multidisciplinar. Mas, vamos lá, falando da arteterapia, esta é um instrumento muito eficaz no tratamento, pois através da arte, estímulos são dados ao indivíduo que atuam na criatividade, capacidade de concentração, além de desenvolver habilidades que por vezes não se manifestam em situações comuns.  É muito importante valorizar o que os pacientes com TDAH fazem de melhor e o que gostam de fazer, pois quando gostam, se interessam, geralmente eles fazem muito bem.  Por isso, a arteterapia é fundamental, porque ela vai identificar no paciente estas habilidades e utilizá-las como aliadas ao tratamento. A fisioterapia funcional, principalmente o pilates e outras técnicas que podem ser trabalhadas em salas de recursos auxiliam muito no tratamento, pois são atividades que atuam nas habilidades psicomotoras do paciente que geralmente são afetadas pelo transtorno, além de atuar diretamente no equilíbrio e concentração que são grandes problemas de crianças portadoras do TDAH.  Há muitos resultados surpreendentes de pacientes que fazem este tipo de acompanhamento, pois a própria atividade ativa a produção de dopamina e noroadrenalina através dos estímulos utilizados, e por muitas vezes, ajudam na redução ou até mesmo exclusão de procedimentos medicamentosos. Em relação à medicina ortomolecular, esta tem trazido contribuições surpreendentes no acompanhamento multidisciplinar de portadores de TDAH.  A medicina ortomolecular busca entender, quais são as reais deficiências do organismo e repor, através de intervenção medicamentosa natural, estes componentes que por algumas razões estão ausentes ou hipossuficientes.  Estas reposições também ocorrem através de orientação alimentar, feita pelo próprio profissional, além de mudança de hábitos diários que auxiliam muito no tratamento. C24H – Quanto tempo dura, em média, um tratamento com crianças que possuem TDAH? Andressa – Não há como precisar um tempo, mas posso dizer que não é um tratamento rápido, pois, como falei anteriormente, só o diagnóstico, leva em média, de três a seis meses.  Fica um alerta aos pais: ao buscarem ajuda profissional, nunca aceitem em uma primeira consulta a certeza de um diagnóstico, pois é muito provável que possa haver precipitação e consequentemente erro no tratamento. Mas, voltando à questão, após diagnosticada, há um longo caminho a seguir, é preciso iniciar as terapias, de acordo com o plano de ação elaborado pelo profissional de acompanhamento, em paralelo com toda equipe envolvida.  Existem crianças que respondem de forma rápida ao tratamento, outras já levam mais tempo.  Mas o que posso dizer, é que o foco da equipe de acompanhamento multidisciplinar, orientada pelo psicopedagogo ou neuropsicopedagogo deve ser a condução do paciente a sua autonomia, ou seja, fazer com que ele, por si só, após algum tempo, consiga conviver normalmente com o transtorno. C24H – E esse tratamento, tem um fim em si mesmo? Andressa – Geralmente sim.  Existe um código de ética que deve ser seguido pelos profissionais.  Além disso, como falei em reportagens anteriores, o diagnóstico feito o quão precoce a idade do paciente, mais eficaz o tratamento.  Desta forma, os profissionais devem entender que a obrigação da equipe é desenvolver a capacidade no indivíduo de ter autonomia, pois geralmente, como o transtorno é diagnosticado na infância, a criança ainda é dependente, frequenta a escola, tem pessoas ao seu redor para auxiliá-la, mas e amanhã? Quando tiverem que enfrentar um mercado de trabalho, onde não haverá este trabalho diferenciado, pois o transtorno não é uma deficiência propriamente, e sim uma personalidade diferenciada que o indivíduo possui.. Por isso, ressalto a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado, para que, na idade adulta, estes pacientes tenham uma vida completamente normal, sem a necessidade do acompanhamento direcionado. C24H – Para finalizarmos esta série de reportagens que muito contribuíram para famílias que vivem esta realidade de crianças com TDAH, gostaríamos que a Sra deixasse uma mensagem, assim como os contatos para que os interessados pudessem procurar ajuda. Andressa – O que deixo como mensagem é que o amor é a senha do sucesso.  Portanto, pais, familiares, profissionais educadores, profissionais da saúde, que são atuantes diretos na questão do TDAH, é preciso que o que façamos, não importa a circunstância, condição ou diplomação, que façamos com amor. Por isso, pais, amem incondicionalmente seus filhos independente de serem TDAH, é apenas algo ínfimo comparado ao amor materno e paterno. Profissionais educadores, façam do amor o principal condutor de suas ações, olhem a todos como se fossem únicos, especiais em si mesmos, tenham todos os seus educandos, sejam eles especiais, TDAH, ou simplesmente normais, como presentes que engrandecem os seus dias. Profissionais da saúde e áreas afins, busquem na ética a melhor conduta, suplantem a pressa, o imediatismo, pela precisão, atuem pondo a frente todos os conhecimentos adquiridos na academia, diagnostiquem com a experiência e mediquem com amor. Bom, esta é a mensagem que deixo a todos, e informo que estaremos em próximas matérias discutindo outros assuntos como: AUTISMO, TRANSTORNO BI POLAR, BULLING, DROGAS NA ADOLESCÊNCIA E OUTROS. Aguardo sugestões, perguntas, dúvidas, é sempre um prazer responder a todos os leitores.  Podem enviar email direto para: neuropsiandressaamaral@gmail.com. Outros contatos: (22) 9 99653190 / 9 98861239 / 30520960 Consultório: Prédio CDT, Campos dos Goytacazes, Sl 302.

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andressaHoje falaremos de um grupo de crianças que possuem características ímpares em seus processos de desenvolvimento: as crianças portadoras de Síndrome de Down. De forma breve é importante entendermos um pouco acerca da SD, que  é desencadeada através da duplicação do cromossomo 21, ou seja, ao invés do indivíduo apresentar dois cromossomos 21, possui três. A esta alteração denominamos trissomia simples, sendo esta a mais frequente. Outra alteração decorrente é a translocação. O erro genético também pode ocorrer pela proporção variável de células trissômicas presente ao lado de células citogeneticamente normais. Como consequência dessas alterações genéticas, todo o desenvolvimento e maturação do organismo portador da síndrome se torna comprometido. Até algum tempo atrás, acreditava-se que não havia outra linha de tratamento para estas crianças, que não a medicamentosa.  Hoje porém, este quadro mudou, já se sabe que crianças com SD, mesmo apresentando diferenças fisiológicas na formação e desenvolvimento do Sistema Nervoso Central, estas estão aptas, assim como outras crianças que não possuam disfunções, ao aprendizado.  Contudo, a velocidade e forma com que este processo se desenvolve é que se diferencia. Por tais razões, alguns fatores são indispensáveis no desenvolvimento da aprendizagem destas crianças: a importância da família no processo de socialização destas crianças, a estimulação precoce e o papel da escola no processo de inclusão destas crianças. Antes destas crianças interagirem com outras crianças, de frequentarem a escola, elas passam pelo primeiro instrumento de socialização que é o seio familiar.  A família é o agente mais importante neste processo pois a interface é feita através dela.  O grande problema é que as expectativas do nascimento, muitas vezes acabam destoando quando se tem a informação que nascerá uma criança com SD.  Este primeiro momento é muito difícil até que os envolvidos se adaptem a esta nova realidade.  Contudo, o grande problema mora no fato de os familiares, principalmente os pais, acharem que crianças com SD são frágeis e acabam as superprotegendo.  Neste momento, o pais acabam limitando a autonomia desta criança, impedindo que frustrações, erros, medos, dentre outros fatores que são fundamentais para socialização, aconteçam. Por esta razão é fundamental que a família permita que esta criança desenvolva autonomia, que tente realizada sozinha algumas tarefas, que sofra frustações, que interaja com outras crianças, além de estimularem as mesmas em seus acertos, incentivando, trabalhando o lúdico em casa, e impondo regras de convivência desde a primeira infância que serão fundamentais neste processo. Além da família, é fundamental que estas crianças sejam estimuladas precocemente pois apresentam comprometimentos, devido à síndrome, de memória auditiva de curto prazo, o que sequencia uma dificuldade de concentração, acomodações espaciais, psicomotores, desenvolvimento do equilíbrio e principalmente de aquisição de linguagem. Neste sentido, iniciar um processo de estimulação fonoaudiológica, psicopedagógica, fisioterápica e psicológica são indispensáveis para que cada vez mais estas crianças consigam desenvolver seus processos cognitivos, ainda que num lapso temporal inerente à síndrome que deve ser respeitado. Outra influência indispensável é a escola como elemento de socialização e desenvolvimento da aprendizagem, vez que é na escola que todo trabalho desempenhado pela família e por profissionais de equipe multidisciplinar, se concretiza no momento de alfabetizar estas crianças. Na próxima semana, para tratarmos da importância da família neste processo faremos uma edição especial com a Querida Nina, uma estrela com Síndrome de Down que brilha a cada dia e surpreende a toda equipe que a acompanha graças aos estímulos que recebe de sua família.  Não deixem de ler!

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A neuropsicopedagoga Andressa Amaral aborda o tema e faz indagações  a fisioterapeuta Cristina Campista e a fonoaudióloga Bernadete Bretas. Confira: (Leia mais abaixo)

Andressa Amaral 1904Andressa Amaral- É muito comum ouvirmos comentários do tipo: Olha, seu filho ainda não fala? Nossa, essa criança ainda não anda? O meu filho nem engatinhou e logo andou..., Olhe, observe a fala de seu filho, ninguém entende o que ele fala... Enfim, inúmeras são as especulações, sugestões e ideias a respeito do que é realmente ideal em uma criança em determinada idade, ou se realmente há algo de errado com aquela criança.  Em relação ao assunto, é muito importante que nós, pais e profissionais, realmente, fiquemos atentos à questão, pois às vezes, através de observações simples é possível prevenir na primeira infância, e principalmente entre 0 e 3 anos, idade que tais sinais tornam-se mais evidentes, problemas sérios como por exemplo: dificuldades na fala, na psicomotricidade e consequentemente na aprendizagem da criança e até mesmo detectar sintomas de transtornos como por exemplo o TEA (transtorno do espectro autista), dentre outros que podem ser observados na primeira infância e permitir excelentes resultados com o tratamento precoce. Antes de conversarmos com nossas convidadas, vamos entender de fato o que significa atraso no desenvolvimento.  Essa questão refere-se em resumo, a crianças que não atingiram alguns recursos no tempo previsto, como: Coordenação motora ampla (habilidades físicas como rolar, sentar e andar), coordenação motora fina (capacidade de segurar as coisas, manipular objetos), linguagem e fala),habilidades sociais (relacionamento com outras pessoas), em períodos adequados a tais acontecimentos.  Esses fatos, geralmente são percebidos até os três anos de idade, ressalvados os casos de crianças prematuras que há mudança nesta relação de tempo. O importante é observar de que forma podemos perceber se há realmente algo de errado com nossos filhos.  Por exemplo: Se de 03 a 06 meses:a criança: não firma o pescoço quando está no colo, não tenta pegar brinquedos, estica apenas uma mão para pegar algo e deixa a outra fechada. Seentre 1 e 2 anos:  não engatinha, não fica de pé apoiando em alguma coisa, não fala mamá, ou papá, ou tenta se comunicar, não aponta para coisas interessantes, não identifica ao menos uma parte do corpo quando lhe perguntam, não sorri quando olha, não responde ao próprio nome. E ainda entre 2 e 3 anos:  não identifica objetos nomeando-os, fica nervosa aos sons de trovão, estouro de balão, etc, não segue instruções simples, não simboliza brincadeiras, usando por exemplo um objeto para simular um telefone, , quando anda sempre nas pontas dos pés, após vários meses andando, está sempre babando, cai com frequência, não forma pequenas frases, ninguém da família consegue entender o que ela tenta dizer… Estes são alguns sinais que precisam ser observados pois, pode haver algo errado no desenvolvimento da criança. Para elucidar a questão, estarei a seguir conversando sobre o assunto, com a fisioterapeuta Cristina Campista, especialista em fisioterapia funcional e pilates para sistemas de aprendizagem, acerca do desenvolvimento psicomotor. Neuropsicopedagoga aborda tema com fisioterapeuta e fonoaudióloga Andressa Amaral: Sabemos que muitas crianças não engatinham, andam direto, há problema nisso em relação ao desenvolvimento psicomotor? Cristina Campista fisioterapeutaFisioterapeuta Cristina Campista: É muito comum os pais sentirem orgulho do seu filho por que deram seus passos precocemente. No entanto, essas crianças perdem benefícios relacionados à fase de engatinhar.É comum a criança começar a engatinhar por volta dos sete até nove meses de idade. Já as crianças de um ano que não engatinham nem dão passinhos com apoio devem passar por uma avaliação com um pediatra ou mesmo com uma neuropsicopedagoga. O fato de não engatinhar, em alguns casos, pode indicar um problema motor mais sério. Daí a importância do acompanhamento. Em geral, o médico do bebê vai avaliar um conjunto de fatores na criança para indicar se o desenvolvimento, de uma forma global, está dentro do esperado. Andressa: Em que momento se estabelece a coordenação motora fina na criança? Cristina - A psicomotricidade abrande duas grandes áreas: a motricidade grossa e a motricidade finarelaciona-se com os movimentos de maior precisão: coordenação olho-mão e destreza na manipulação de objetos, caso isso não seja percebido pelos pais, até, em geral, no máximo até os três anos de idade, é preciso ficar em alerta. Andressa: Há fisioterapia para crianças com comprometimento na fala? Cristina - Sim, mas na questão da fala indico uma equipe multidisciplinar, onde a presença do fonoaudiólogo é indispensável, diante de um diagnóstico que pode ter manifestações clínicas tão variadas, que atingem funções tão diferentes quanto à capacidade motora; a linguagem; a compreensão, etc., é impossível que um único profissional da área de saúde consiga tratar o paciente de forma adequada e abrangente. Daí a necessidade de vários profissionais, treinados para compreenderem e atuarem áreas específicas do desenvolvimento da fala da criança. Mas a fisioterapia contribui muito no tratamento, estimulando canais sensoriais que ajudam no desenvolvimento da oralidade. Andressa - Já que sua especialidade é também o pilates, nos diga se este método ajuda no tratamento de crianças com atraso no desenvolvimento cognitivo. Cristina - Sim, com certeza. Nas terapias através de Pilates, o equilíbrio, a coordenação motora e a modulação tônica são estimuladas continuamente.E o que, atualmente, é conhecido como treinamento funcional, apresenta, também, incontáveis estímulos psicomotores. Continuando a questão do atraso no desenvolvimento, para finalizar, ouvimos  fonoaudióloga Bernadete Pereira Bretasa responder algumas indagações importantes Andressa Amaral: Em que momento já é possível os pais perceberem que as crianças podem apresentar futuros problemas de linguagem? Bernadete Pereira fonoFonoaudióloga Bernadete Pereira - Para a criança falar,ela passa por várias etapas é o que chamamos de Desenvolvimento da Linguagem.A primeira manifestaçãode linguagem da criança é o choro, depois dessa, vem a fase do balbucio, por volta dos 3 meses, a criança começa a emitir sons geralmente vogais descobrindo também essa área oral (lábios, língua, bochechas) e vai havendo um feedback com a mãe, e vice-versa. Se a criança não passapor essa fase, os pais devem ficar atentos, porque a criança pode não estar ouvindo ou está tendo outra razão para ela não passar por essa fase,aí é necessário que eles procurem ajuda, procurando o fonoaudiólogo para fazer uma avaliação, pois está havendo alguma anormalidade no desenvolvimento da fala de seu filho. Depois, de9 meses a 1 notam-se as primeiras palavras, e de 1 a2anos palavras e frases telegráficas (mamãe água, vovó bo(vovó foi embora), de 2 a 3anos, construção de frases. Se isso acontecer de forma diferente é preciso ficar atento. Andressa: Como uma criança de até 03anos de idade por exemplo podem nos apresentar sinais de Dislexia? Bernadete - Os  primeiros sinais de dislexia podem ser percebidos a partir dos 2 anos e meio de vida. A criança que desenvolve mais o transtorno de aprendizagem ela demora mais para aprender a falar. Quando tem o vocabulário restrito, simplifica demais as frases, troca o nome dos objetos, tem dificuldades para recontar uma história, com 6 anos, surge as dificuldades para ler, etc...Mas isso não pode ser visto isoladamente. As dificuldades só devem ser relacionados à Dislexia, quando são frequentes. O diagnóstico é fechado, depois que a criançacompleta 8 anos e realmente não conseguiu aprender a ler nem a escrever, mas o ideal é que comece o tratamento, assim que os pais percebem os primeiros sinais: Ler devagar ou com dificuldade, depois de uma idade em que foi alfabetizada. 2-Quando lê ou escreve,omite ou adiciona letras e palavras ao texto. 3-Tem dificuldade em interpretar os textos que lê. Se a mãe e o professor lê ele entende. Andressa: É normal crianças com três anos ainda falarem de uma forma de difícil compreensão? Bernadete - Uma criança de 3anos ela já faz frases, ela já conta estórias e já devem estar falando um número grande de palavras. Mas como já falei cada criança tem seu próprio desenvolvimento, se ela não está acompanhando corretamente essa fase, os pais devem procurar fazer uma avaliação da linguagem do seu filho, isso porque com 5anos, quando ela está sendo alfabetizada ela não poderá ter nenhuma dificuldade na fala e nenhum atraso de linguagem, senão ela poderá vir a ter uma dificuldade na leitura e escrita. Andressa: Quais sinais que os pais podem perceber que há  algum problema na fala? Bernadete - Os sinais seriam: fala incorreta(com trocas de fonemas: prato a criança fala platô, girafa=gilafa), gagueira, a criança quase não fala(se comunica com gestos), dificuldade auditiva. Andressa Amaral: Existe uma idade ideal para procurar um fonoaudiólogo? Assim que a criança começa a apresentar dificuldade no seu desenvolvimento da linguagem seja bebê, seja com 2anos,essa é a hora de procurar um fonoaudiólogo. Até os 4 anos a criança tem que ter uma linguagem totalmente correta, se antes disso ela não tiver acompanhando o seu desenvolvimento de linguagem, deve se procurar uma avaliação de uma equipe multidisciplinar para detectar o problema isso para a criança sem nenhum outro tipo de comprometimento. Diante o exposto, fica o alerta a todos os pais que observem o desenvolvimento de seus filhos, principalmente até os três anos de idade, pois se detectado que há algo de errado dentro deste período, problemas como: dislexia, disgrafia, insuficiência psicomotora, transtornos de aprendizagem e de comportamento, dentre outras comorbidades, através do tratamento precoce, podem ser tratadas de modo que a criança consiga viver em condições de normalidade.

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Crianças prematuras e as dificuldades na aprendizagem

Andressa Amaral 1904Para responder a este questionamento convidamos a neuropsicopedagoga Andressa Amaral, que esclarecerá um pouco sobre as diferenças no desenvolvimento cognitivo e dos sistemas de aprendizagem de crianças que nascem prematuras das crianças nascidas a termo e a probabilidade destas crianças apresentarem problemas de aprendizagem. C: Hoje cada vez mais ouvimos dizer que reduziu o índice de mortalidade de crianças prematuras, face à evolução da medicina. Mas as crianças prematuras apresentam as mesmas condições de desenvolvimento em relação às que nascem em tempo normal? R: Esta questão é bastante relativa, pois há crianças que apesar de terem nascido com baixo peso, antes de completarem 37 semanas, para estarem nesta categoria, também conhecida como RNBP, conseguem apresentar um desenvolvimento cognitivo sem comprometimento. Contudo, a grande maioria, apresenta, no decurso da vida algum comprometimento neste aspecto. C: Mas, que tipos de comprometimentos cognitivos uma criança prematura pode apresentar, e porque estes problemas acontecem? R: Além dos comprometimentos normais de crianças consideradas prematuras, como síndrome do desconforto respiratório, apnéia, displasia broncopulmonar, retinopatia, paralisia cerebral, hidrocefalia, hemorragia intracraniana, dentre outros, os RN prematuros que resistem às intercorrências perinatais tornam-se propensos a manifestar alto risco para comprometimento neurológico e/ou retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Estes problemas geralmente ocorrem pelo fato de a vida intrauterina ter sido interrompida antes que o ciclo maturacional desta criança se completasse, ou seja, assim como os outros órgãos, o cérebro também passa por um processo de formação e maturação. E, estudos mostram que a maioria das crianças nascidas prematuras apresentam disfunções em algumas áreas cerebrais que afetam em larga escala o desenvolvimento cognitivo e neuropsicomotor. C: Mas que tipo de comprometimento acontece no desenvolvimento cognitivo e de aprendizagem destas crianças? R: Geralmente estas crianças apresentam atraso natural no desenvolvimento, visto que todo seu processo maturacional já é, automaticamente comprometido, ou seja, é natural que haja uma lentidão nos estágios de desenvolvimento destas crianças comparados a crianças nascidas a termo. Além disso, é muito comum crianças prematuras apresentarem  comprometimentos neuropsicomotores, problemas de equilíbrio, atraso no desenvolvimento da linguagem não-verbal e verbal (fala) e problemas de aprendizagem quando em idade pré-escolar e escolar. C: Que tipo de problemas de aprendizagem estas crianças podem apresentar? R: A grande maioria apresentam quadros de desatenção, hiperatividade, além de outras questões como dislexia, discalculia (inabilidade em realizar cálculos), sem contar com problemas de inabilidades nas interações sociais, muito característicos nestas crianças. C: Em relação a estas inabilidades de interação social, porque isso acontece? R: Temos dois fatores que preponderam neste caso. Primeiro é o biológico pois estas crianças demoram mais para desenvolverem linguagem não verbal e estabelecer conexões simbólicas e sensitivas, ou seja, as trocas interacionais demoram mais evoluir, e estas crianças, quando comparadas a outras acabam apresentando dificuldades em interagir porque ainda não simbolizam, ou seja, não entendem como crianças da mesma idade que não são prematuras, por exemplo, às vezes algumas trocas emotivas, apresentando dificuldades de brincar e interagir com crianças de mesma idade. Outro problema é o emocional. Geralmente os pais de crianças prematuras, por todas as dificuldades enfrentadas após o nascimento destas crianças, a luta pela sobrevivência, há um forte influencia psicológica que faz com que estes superprotejam estas crianças com medo de que enfrentem mais  dificuldades, por considerarem que são mais frágeis em relação às outras crianças. Esta questão acaba limitando um pouco que esta criança se desenvolva e ganhe autonomia. C: Já sabemos que as condições patológicas de crianças prematuras não tem como ser evitadas, apenas acompanhadas e tratadas. Mas, as condições de desenvolvimento cognitivo e de aprendizagem, podem ser tratadas de modo a impedir que tais atrasos aconteçam? R: Na verdade estas disfunções são naturais, em grande escala, ou seja, impedir que tais atrasos ocorram, geralmente não é  possível, mas é indicado que tais questões sejam tratadas precocemente no sentido de inibir seus desenvolvimentos. C: E de que forma estes problemas podem ser controlados, quais os tratamentos indicados? R: Primeiramente é importante que os pais tenham acompanhamento para orientação familiar com especialistas, de modo que saibam primeiramente entender que estas crianças se desenvolvem de forma distinta em relação às que nasceram a termo. Além disso, a própria criança prematura deve estar em observação a partir dos 06 meses de idade no que tange ao seu  desenvolvimento, é preciso que se observe se o processo maturacional motor primeiramente está ocorrendo dentro do previsto para uma criança prematura. Outra questão importante é não comparar o desenvolvimento de uma criança nascida precocemente de uma que nasceu em tempo normal. Estes parâmetros não são adequados nestes casos. Após os seis meses de idade, caso observado que há algum comprometimento neuropsicomotor, esta criança já pode estar em acompanhamento terapêutico. Ademais, além de questões psicomotoras, a habilidades cognitivas também já podem ser observadas e estimuladas através de equipe multidisciplinar. C: E quais profissionais que podem atuar neste acompanhamento? R: O correto é que haja equipe transdisciplinar neste trabalho. É fundamental a atuação do pediatra, neurologista, psicopedagogo, nutricionista, fonoaudiólogo, psicólogo e fisioterapeuta, de modo que cada um, no momento propício possa realizar as intervenções necessárias para que estas crianças possam equiparar cada vez mais sua idade cronológica de seu desenvolvimento neuropsicomotor e cognitivo.

____________________________________________________ Ansiedade: um transtorno que não tem idade

andressa 2607Cada vez mais temos visto adultos, crianças e adolescentes mencionarem a seguinte frase: “sou muito ansiosa”, mas até que ponto o verbo ser está sendo empregado de forma adequada? Há uma diferença muito importante entre ser e estar, e justamente sobre este “ser ansioso” que estaremos falando em nossa matéria deste domingo. É comum o indivíduo, quando exposto a condições novas, que aguçam sua curiosidade, expectativa, medo, dúvida, manifestar estados transitórios de ansiedade. Exemplo: um adolescente um dia antes de uma prova do vestibular, naturalmente irá apresentar sintomas de ansiedade, assim como um adulto que será submetido à uma entrevista de emprego ou uma criança que espera muito por um brinquedo que está a caminho. Essas condições são manifestos orgânicos naturais a determinados sinais do meio externo. Porém, quando um indivíduo apresenta preocupação excessiva, expectativa sempre apreensiva de difícil controle, descontrole emocional por medo de situações que não ocorreram, mas que estão em seu pensamento como algo possível, sendo estes fatores contínuos na vida desta pessoa e acrescidos dos sintomas de: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono, certamente este indivíduo encontra-se num quadro clínico de transtorno de ansiedade. Dentro deste aspecto, o sujeito acometido por tais sintomas não está simplesmente ansioso por um fator isolado, este é, sempre ansioso. E em quadros patológicos de ansiedade, os sintomas são duradouros, persistentes, e causam sempre mais sofrimento a este indivíduo do que causaria a outro que não sofre do transtorno de ansiedade, como por exemplo, uma possível mudança climática que pode simplesmente preocupar os indivíduos que precisam trabalhar e terão o transito prejudicado, em um indivíduo com ansiedade, só o fato de pensar na possibilidade da chuva, já causa imenso sofrimento, medo, preocupação e às vezes sintomas orgânicos tais como: fadiga, taquicardia, oscilações de pressão, neste individuo ansioso. É de extrema importância que pessoas portadores de transtorno de ansiedade sejam diagnosticadas e tratadas precocemente, pois o diagnóstico tardio pode trazer consequências serias à vida destas pessoas. Crianças ansiosas em larga escala apresentam problemas de aprendizagem e variações comportamentais, adolescentes com este problema muitas vezes passam por fases de isolamento e muitos entram em quadros depressivos, assim como adultos. Outro sério problema advindo da ansiedade, é o descontrole alimentar, vez que indivíduos com quadros clínicos de ansiedade apresentam compulsão alimentar tendo tal ato como forma de aliviar suas angustias. Pelas razões acima descritas o controle da ansiedade é de extrema importância à vida de pessoas de todas as idades, por tais razões este quadro, já tratado como transtorno, possui tratamento direcionado, por meio de medicamentos orientados por médicos especialistas, acompanhamento psicológico comportamental, atividades físicas e fisioterapia direcionada e tratamentos mais modernos dentre os quais o biofeedback, tem alcançado destaque, vez que este é um procedimento não invasivo, sem intervenção medicamentosa e que trabalha na linha terapêutica de controle de frequência e variabilidade cardíaca para que o indivíduo sob condições de stress e ansiedade consiga estabelecer autocontrole de seus pensamentos e ações.

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TDAH: novo recurso substitui ritalina Andressa 1406 capaHoje muito se fala em crianças com TDAH, déficit de atenção, dificuldade de aprendizagem, ansiedade, etc. E, na maioria das vezes é muito comum os familiares informarem que estas crianças estão sob uso de medicação, e em larga escala, ritalina e/ou equivalentes. (Leia mais abaixo)

Nossa matéria de hoje fala de uma nova técnica o NEUROFEEDBACK, que tem trazido, segundo pesquisas, resultados fantásticos no tratamento de crianças com essas patologias e conseguido reduzir ou até mesmo eliminar o uso de medicação nestes indivíduos. Para isso, conversaremos com a neuropsicopedagoga Andressa Amaral um pouco sobre a questão. Campos 24H: O que de fato é este neurofeedback que tem surgido como um recurso promissor no tratamento de crianças TDAH? Andressa Amaral - O neurofeedback é uma espécie de eletroencefalograma biofeedback, que estimula estimula as habili-dades naturais do cérebro, regenerando e desenvolvendo suas potencialidades, na verdade o principio de utilização desta técnica permite que exercitemos determinados  processos mentais, como relaxamento, concentração  e a  visualização de imagens, com isso, através de aparelhos EEG (eletroencefalograma), ligado a um computador que nos dá condições de condições de avaliar e visualizar, em tempo real, as frequências das nossas ondas cerebrais. Estes sinais emitidos são interpretados e examinados por softwares específicos, que respondem com sinais sonoros e visuais, gerando uma retro-alimentação (feedback), que nos permite avaliar as condições dos nossos processos mentais, com isto, é possível a realização de um treinamento para reprogramação de nosso cérebro. De que forma este método pode beneficiar crianças, adolescentes e adultos com TDAH, DISLEXIA, DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, ANSIOSAS, HIPERATIVAS? Estudos funcionais de imagem mostram que portadores de TDAH, por exemplo têm apresentado uma atividade diminuida com grande quantidade de ondas teta (ondas lentas), no córtex pré-frontal. Estas ondas são  predominantes,  quando  estas  crianças  estão  envolvidas  em tarefas  que  exigem  atenção, dificultando muito seu desempenho em provas cognitivas relacionadas com o controle das funções executivas  (memória  de trabalho, planejamento, monitoração e execução de atividades complexas ou novas para o indivíduo). Desta forma, através deste treinamento tem sido possível corrigir padrões de atividade cerebral, com resultados em grande escala similar ao efeito de medicação. Andressa-capaComo é este tratamento? Na verdade é um treinamento, como se fosse uma “musculação para o cérebro”, mas um procedimento não invasivo, funcionando sob aparelhos de EEG, que tratam da conexão, principalmente com a área pré-frontal, responsável pelas funções executivas, e a mais afetada em casos de TDAH, por exemplo, que trabalham através de jogos, simuladores que treinam a atenção, memória e dão o feedback ao paciente de suas próprias limitações e evoluções, o que estimula ao paciente na melhora contínua. Com isso, através do princípio da plasticidade neuronal o cérebro vai se moldando e reagindo ao treinamento de forma eficaz. E como se inicia este tratamento através do neurofeedback? Primeiramente é preciso que seja feita uma avaliação neuropsicológica, de modo que se possa entender, de fato quais são as áreas cerebrais afetadas. Após isso, o profissional elabora um plano de tratamento de acordo com as reais necessidades daquele paciente e inicia o trabalho que geralmente ocorre em média, em 30 sessões, dependendo do caso. É muito importante enfatizar que esta técnica associa-se à terapia cognitivo comportamental, vez que seu princípio é norteado por treinamento pautado em metas e resultados, por isso a importância de profissionais habilitados para atuarem no treinamento. Quais são os profissionais habilitados? Neuropsicólogos e neuropsicopedagogos que atuem na linha comportamental, médicos, fisioterapeutas especialistas em reabilitação, que tenham formação em neuro e biofeedback. É muito importante que o trabalho seja realizado por especialistas para que se tenha a eficácia nos resultados Em relação à medicação, o tratamento é realmente eficaz? Sim, cada vez mais, as pesquisas tem sido muito satisfatórias nos resultados obtidos com pacientes após o treinamento, que conseguiram de fato, melhorar concentração, reduzir ansiedade e impulsividade e, consequentemente não mais necessitarem de medicação. Na verdade o princípio do treinamento feedback é fazer com que o paciente tenha conhecimento e controle de si mesmo, conseguindo portanto focar em uma única atividade, estar menos ansioso, entender em quais pontos suas dificuldades são maiores e trabalhar mais isso, e consequentemente moldar suas estruturas neuronais a esta nova realidade.

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Recuperação escolar e problema de aprendizagem Andressa Amaral 1904 As férias escolares geralmente são períodos do ano que trazem um paradoxo em seu significado. É muito comum observarmos o aumento nas procuras por viagens turísticas, eventos culturais e atividades em família neste período. Isso geralmente acontece porque são nestas épocas do ano que as famílias conseguem se reunir para curtirem as famosas: FÉRIAS ESCOLARES.

Porém, nem sempre esta realidade de diversão e passeios, são possíveis. Por vezes, estes são frustrados por um fantasma que assola muitas famílias com crianças em idade escolar: A RECUPERAÇÃO. Quantos planos, viagens, atividades em grupo, passeios, deixaram de acontecer porque um dos filhos ficaram em recuperação por apresentarem problemas de aprendizagem?

Essa é uma questão muito comum, em grande parte das famílias que possuem estudantes em casa. Aumenta a cada dia o número de crianças e adolescentes em recuperação escolar. Mas por quais razões este quantitativo tem aumentado? Até que ponto este é um problema educacional, familiar, social ou especificamente de aprendizagem? criança que não aprende

São estes fatores que serão discutidos em nossas próximas reportagens, na série: Por quais razões não aprendemos? (Leia mais abaixo)

Iniciaremos falando especificamente dos primeiros fatores que devem ser investigados quando uma criança ou adolescente apresenta problemas de aprendizagem: os fatores biológicos.

As crianças apresentam um curso natural em seus estágios de desenvolvimento, ou seja, após o nascimento passam por inúmeras transformações tais como: sustentar a cabeça, rolar no chão, engatinhar, andar, soltar os primeiros sons, interagir, aceitar comandos e assim sucessivamente. Todos estes estágios caracterizam processos de aprendizagem. Por isso, a importância dos pais ficarem atentos se algo não está acontecendo como deveria em um determinado momento.

Além disso, um outro momento, é a fase escolar. As vezes no desenvolvimento cotidiano, não se observa possíveis dificuldades. Contudo, quando a criança chega na escola, estes problemas aparecem. Desta forma é importante, ao detectar possíveis dificuldades na aprendizagem da criança, eliminar alguns fatores, tais como descritos abaixo:

- Observar se há algum comprometimento auditivo; geralmente o mais indicado são testes específicos para eliminar esta questão.

- Observar se há problema visual, também determinado através de exames oftalmológicos. (Leia mais abaixo)

- Observar se a criança não apresenta taxas sanguíneas ou hormonais comprometidas, vez que taxas destes gêneros também afetam a aprendizagem. Por exemplo: crianças anêmicas apresentam dificuldades de aprendizagem.

Observados tais fatores, já se faz necessário observar outras questões que podem indiciar alguma desordem no desenvolvimento e que desencadeiam dificuldades ou distúrbios da aprendizagem tais como descritos na tabela abaixo que podem indiciar atrasos psicomotores, de linguagem, tais como: dislexia, disgrafia, discalculia, problemas de concentração, atenção, que por vezes desencadeiam TDAH, dentre outros: materiaNeste sentido, se faz importante ficarmos atentos a conjuntos de sinais que podem nos apresentar possíveis problemas que afetam a aprendizagem do indivíduo. Contudo, estes não devem ser considerados isoladamente, e precisam ser investigados por profissionais especialistas para a identificação e resolução do problema.

Certamente, se detalhes que por vezes passam sem que percebamos, forem detectados ainda na primeira infância, problemas de aprendizagem e suas consequências, poderão ser evitados ou tratados da forma adequada sem que a cada dia taxas de fracasso escolar aumentem em demasia na sociedade e famílias fiquem cada vez mais perdidas no caminho a seguir. outraNas próximas semanas abordaremos especificamente as dificuldades de aprendizagem, falaremos do papel da família e da escola neste processo, assim como os tratamentos indicados para casos específicos em problemas de neurodesenvolvimento relacionados à aprendizagem. _____________________________________________________________________________________________________________ Crise convulsiva: como agir e vencer preconceito Andressa-capaArnaldo Viana 5 Tratar do assunto convulsão era algo que sempre esteve em voga visto a importância e incidência da questão.  Por isso, hoje falaremos um pouco do que é uma crise convulsiva, suas possíveis causas, tratamento e indicações terapêuticas, com o neurologista e neurocirurgião Arnaldo Vianna, que nos trará informações valiosas acerca da questão. Andressa Amaral:  O que é de fato uma crise convulsiva? Arnaldo Vianna: Na verdade é um sinal do organismo, especificamente do Sistema Nervoso Central, mostrando que há algo errado acontecendo.  Geralmente caracteriza-se pela contratura muscular de todo o corpo ou parte dele provocado por um aumento excessivo de atividade elétrica em determinadas áreas cerebrais. Andressa: Mas, é muito comum ouvirmos falar que os indivíduos acometidos por crise convulsiva apresentam sinais diferentes, como isso acontece? Arnaldo: Na verdade a convulsão caracteriza-se em generalizada e parcial ou focal.  No caso da generalizada, era a conhecida há tempos atrás, como grande mal, onde há perda da consciência face abalos tônicos clônicos, mais conhecida como ataque epilético.  Neste quadro geralmente o paciente tem perda da consciência, na fase tônica todos os músculos dos braços, pernas, tronco, ficam endurecidos e contraídos, logo após o indivíduo entra na fase clônica, onde apresenta contrações rítmicas, repetitivas e incontroláveis. Em ambas as situações, a saliva pode ser abundante e ficar espumosa. Mordida pelos dentes, a língua pode sangrar. Andressa: Em relação a este quadro, é muito comum ouvirmos as pessoas falarem: segurem a língua, cuidado com a saliva porque crise convulsiva pega... Enfim, existem várias formulações populares acerca do assunto.  Fale-nos um pouco sobre isso. Arnaldo: Primeiramente é importante esclarecer que crise convulsiva não é contagiosa, ou seja a saliva, baba, não provoca nenhum mal a quem está próximo.  Em relação à língua, não é indicado segurar porque a força da contratura é muito forte e capaz de machucar de forma severa a pessoa que tentar fazer isso. Andressa: Em caso deste tipo de crise, que não escolhe hora, local, como as pessoas podem agir para ajudar o paciente e procurar socorro? Arnaldo: O correto é proteger a cabeça para que não haja queda e lesão grave, colocar o paciente de lado com a cabeça protegida para que não engasgue com a baba e a língua não vire, remova todos os objetos ao redor que ofereçam risco de machucá-la, afrouxe-lhe as roupas, não introduza nenhum objeto na boca nem tente puxar a língua para fora, aguardar a crise passar e procurar ajuda do especialista depois.  Qualquer ação diferente desta pode gerar problemas sérios ao paciente. É importante também evitar aglomerações perto de quem está tendo a crise. Andressa: Em relação à parcial, fale-nos um pouco. Arnaldo: Esta é a conhecida como crise de ausência, onde os pacientes ficam com o olhar perdido, como se estivessem no mundo da lua, e não respondem quando chamadas. Quando a ausência dura mais de dez segundos, o paciente pode manifestar movimentos automáticos, como piscar de olhos e tremor dos lábios, por exemplo. Essas crises chegam a ser tão breves que, às vezes, ele nem sequer se dá conta do que aconteceu.  Por isso, a importância de observar, principalmente as crianças, se tais sinais ocorrem com frequência para que possam ser diagnosticadas e tratadas. Andressa: E quais são as causas de crises convulsivas? Arnaldo: Bom dentre várias podemos destacar: febre alta em caso de crianças com menos de 5 anos, intoxicações por gases de cozinha, medicamentos sem prescrição e orientação médica, bebida alcoólica, drogas, traumatismo de crânio, hipo ou hipertensão arterial, tumores cerebrais, meningites, encefalites, infecções, falta de oxigenação no cérebro. Andressa: E as consequências de crises convulsivas no âmbito cerebral e comportamental do paciente existem?  E quais os tratamentos indicados para pacientes com crises convulsivas? Arnaldo: Em relação às consequências, dependendo da crise pode comprometer alguma área do cérebro, como por exemplo afetar as funções executivas, motivos estes que muitos pacientes que sofrem crises convulsivas, apresentam problemas atencionais, o que não é uma regra.  O fato é que nunca se sabe em que área vai ocorrer a descarga elétrica, por isso o acompanhamento médico é fundamental. Em relação ao tratamento, primeiramente é fundamental o diagnóstico diferencial feito pelo neurologista através de investigação clínica e por meio de exames específicos para que se possa utilizar a medicação adequada ao tratamento. Além disso, eu indico e acho importantíssimo que estes pacientes façam acompanhamento psicológico, visto que a própria história da doença, que era tida há tempos atrás como grande e pequeno “mal”, traz preconceitos em sua contextualização.  Visto isso, é muito importante que o paciente saiba desconstruir estes protocolos sociais e convier com o quadro sem que encontre barreiras que atinjam sua auto-estima, socialização e consequentemente sua vida enquanto ser social. Para finalizar gostaria de agradecer a oportunidade de trabalhar em sua equipe e aprender cada vez mais com sua experiência e profissionalismo. Aos leitores que tiverem dúvidas, podem enviar emails que responderemos a todos. ______________________________________ Aumenta quantidade de crianças ansiosas Andressa3Cada dia mais tem se tornado frequente e aumentado consideravelmente a quantidade de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem na escola em função de ansiedade.  Ou seja, temos um quadro de crianças que acreditam que não irão conseguir aprender, automaticamente já desencadeiam medos, ficam agitadas e consequentemente geram bloqueios em seus processos cognitivos, assim como crianças e adolescentes que por serem ansiosas, inquietas, não conseguem estar concentradas e perdem o foco a todo momento o que compromete seu processo de aprendizagem.
Entender um pouco como funciona os transtornos de ansiedade assim como suas consequências é de extrema importância principalmente quando estamos falamos de crianças e adolescentes.  Assim, primeiramente  é preciso entender a diferença entre dois elementos que juntos compõem os transtornos de ansiedade:  o medo e a ansiedade propriamente dita. criansiosa1 Enquanto o medo é uma resposta  a uma ameaça iminente real ou percebida, como por exemplo, o sentimento manifesto quando nos deparamos com uma situação de perigo, a ansiedade caracteriza-se por uma antecipação a uma situação futura.   Ou seja, pessoas ansiosas, sejam  elas crianças ou adolescentes, imaginam um possível problema,  sofrem com as consequências do que será, e por conseguinte ficam ansiosas.  Neste sentido, há uma relação intrínseca entre ansiedade e o medo, vez que quando imagino uma situação que pode me levar ao perigo, dor, sofrimento, mesmo que ainda não tenha acontecido, sinto medo.
Porém, é preciso que tracemos um limiar entre indivíduos que sofrem de ansiedade como consequência de algum problema distinto, ou os que de fato, sofrem de algum transtorno específico de ansiedade e como consequência apresentam bloqueios e sofrimentos sociais em relação à sua vida. O primeiro caso é muito frequente em adolescentes e crianças inquietas, hiperativas, que geralmente possuem TDAH (déficit de atenção e hiperatividade), pois ao passo que estes indivíduos não conseguem parar, concentrar-se, automaticamente estão ansiosos por algo novo, o que traz sérios problemas principalmente na escola devido ao fato de não conseguirem focar no que está sendo visto, estando ansiosos por todos os outros elementos que despertam sua atenção e em consequência desencadeiam sérios problemas de aprendizagem. Junto a isso, temos crianças e adolescentes que não tem problemas de concentração, ou quaisquer indícios de inquietude, hiperatividade, mas que apresentam medos, tensões, esquivas sociais, fobias, que são constantes, não simplesmente momentâneos, face uma situação de estresse ou fator específico e que causam sérios prejuízos à vida destes indivíduos.  Temos neste caso o transtorno de ansiedade propriamente dito. ansiedade3 Dentre os transtornos específicos de ansiedade, destacaremos três para elucidarmos a questão: · Transtorno de ansiedade social (fobia social), indivíduos temerosos, ansiosos que se esquivam de quaisquer situações que envolvam interação social e que aparentem situações avaliativas.  Exemplo: apresentação de um trabalho escolar em grupo.  Fato que compromete o processo de aprendizagem deste indivíduo. · Agrofobia: quando são apreensivos ou ansiosos mediante situações de uso de transportes públicos, lugares abertos ou fechados,  estarem em meio à multidão. Tais situações são temidas por estas pessoas acharem que podem não escapar ou não disporem de auxilio mediante situações de perigo.  É o que acontece, por exemplo, com crianças ansiosas em relação às dificuldades de adaptações ao ambiente escolar, onde precisam estar ausentes de seus protetores: “pais”. · Transtorno de ansiedade generalizada, são associados à preocupações exaustivas em vários domínios como: escola, trabalho, lazer.  Geralmente são crianças e adolescentes que possuem “nervo à flor da pele”, fatigabilidade, dificuldade de concentração, os famosos “brancos” ou lapsos de memória, tensão muscular e perturbação do sono, o que afeta consideravelmente a aprendizagem. É importante frisar que pessoas ansiosas geralmente apresentam algumas características comuns tais como: roer as unhas constantemente, impaciência, auto nível de stress, irritabilidade, compulsão alimentar, dentre outras que podem trazer sérios danos as suas vidas. crianças ansiosas2 Em todos os casos, e principalmente em situações de transtorno de ansiedade generalizado, é importante entendermos que tal problema, se não tratado, desencadeia sérias consequências para a vida escolar destas pessoas quando são ainda crianças, comprometimentos da formação de personalidade e conduta deste indivíduo ao tornarem-se adolescentes e consequentemente, serão marcas que refletirão severamente e de forma dolorosa na vida adulta, tanto nas relações sociais, quanto na vivência profissional destes indivíduos.  Ou seja, crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade não tratados, possivelmente serão adultos escravos do ontem, e reféns de um amanhã pautado no medo. ______________________________________ Por que estamos tão esquecidos?
Andressa 1406 capaHoje vamos falar de um assunto que tem estado em pauta nas escolas, nas famílias, nas relações trabalhistas e até mesmo do indivíduo consigo mesmo: “Por quais razões estamos esquecendo tanto?”. As questões relacionadas à memória, tem de fato, sido constantes na vida das pessoas.  Mas, Porque será que por vezes esquecemos o que íamos fazer na cozinha? Ou simplesmente não conseguimos lembrar o número de um telefone que usamos sempre, ou até mesmo, temos tantos lapsos momentâneos de memória do tipo: “ nossa… eu ia te perguntar alguma coisa, mas esqueci”, e ainda… principalmente em relação à população estudantil, “ ai, estudei isso ontem e não consigo lembrar…”? Antes de entendermos os motivos que podem nos levar a lapsos ou déficits de memória, é preciso que observemos o contexto social no qual estamos inseridos, visto que fazemos parte de uma sociedade que se dinamiza a cada dia, em cujas atividades se tornam mais intensas e instantâneas, ou seja, estamos imersos em uma realidade instantânea, globalizada, em que somos obrigados a fazer várias coisas ao mesmo tempo: como por exemplo: tomar café, arrumar os filhos para levar para a escola, falar ao telefone para comandar ações, dentre outras. Mas, como será que nosso cérebro, em caso de adultos, responde a esse dinamismo social que nos impõe uma aceleração natural, uma rotina de trabalho exaustiva, horas de sono reduzidas e ainda uma carga de trabalho também turbulenta? E vamos além, como será que o cérebro de uma criança, que há tempos atrás vivia em condições de sonos regulares, atividades diárias regradas, muita recreação… Como será que reage o cérebro de uma criança que hoje dorme pouco, tem uma carga horária escolar integral em função da necessidade dos pais trabalharem, ficou horas imersas em jogos eletrônicos, não fazem atividade física, não extravasam energia? Inúmeros são os questionamentos, mas o fato é que nosso cérebro em se tratando de memória, as que mais se destacam são a  memória de longo prazo, a que nos faz armazenar informações, guardar lembranças, reter detalhes, e a memória operacional que nos permite resgatar, selecionar e utilizar as informações necessárias, pois o esquecimento já se sabe que é importante.  Imaginem se guardássemos todos os estímulos que recebemos? Seria algo impossível.  Portanto, esta memória seletiva, operacional é que permite que consigamos por exemplo, lembrar do número de um telefone, escolher em nosso cérebro as principais atividades que teremos que desenvolver no dia, lembrar do conteúdo estudado para a prova no dia anterior… Ocorre que, pelos motivos expostos acima, pela dinâmica da vida social, estamos vivendo uma realidade de uma população esquecida, com lapsos frequentes de memória, de crianças dispersas que esquecem com muita facilidade, e nestes casos geralmente por déficits atencionais. Porém, além dos fatores sociais é importante que saibamos que nossas estruturas cerebrais precisam ser ativadas da forma adequada para que tenhamos uma boa qualidade de vida. Hoje já se sabe que o nosso cérebro não é uma forma física imutável, mas possui uma plasticidade que o torna capaz de se modificar e se reorganizar em um novo processo de adaptação.  Ou seja, é preciso que as redes neuronais estejam sempre sendo estimuladas para que não haja atrofia e consequentemente problemas em seu funcionamento. Desta forma, assim como um carro, que se ficar parado muito tempo irá apresentar diversos problemas em seu funcionamento, nosso cérebro precisa ser ativado.  Mas, um carro funciona com combustível impróprio? O mesmo acontece com nosso cérebro, este precisa funcionar adequadamente.  Ou seja, para que nossa memória operacional funcione adequadamente, consiga selecionar as informações que precisamos e utilizá-las da melhor forma, é preciso que tenhamos acima de tudo, qualidade de vida, ou seja, que tenhamos sonos regulares, que façamos atividades físicas, que desenvolvamos hábitos regulares de leitura, de modo que possamos permitir que esta plasticidade cerebral seja constante. Contudo, existem circunstâncias de lapsos ou problemas relativos à memória, que são oriundos de alguns problemas específicos, como por exemplo: déficit de atenção, transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, crises de stress, depressão, dentre outras, que acabam trazendo por consequência problemas de memória.  Nestes casos, não basta simplesmente uma rotina saudável, o que é também muito importante, mas é preciso que estas pessoas sejam acompanhadas por especialistas para que disponham de evolução em seu quadro. Porém, apesar dos problemas relacionados à memória atingirem à grande parte da população, hoje já existem diversos recursos que amenizam consideravelmente tais problemas, dentre eles é possível destacar, os treinamentos específicos para memória operacional, dentre eles, o COGMED, reconhecido mundialmente, além da terapia neurofeedback e biofeedback que tem apresentado resultados fantásticos, assim como ginástica cerebral, fisioterapia funcional, e a própria terapia comportamental que realizadas de forma adequada conseguem resultados muito satisfatórios em pacientes acometidos por problemas relativos à memória operacional. Sendo assim, é importante observar se: · Estamos esquecendo as mesmas coisas com frequência. · Se esquecemos mais quando estamos muito cansados. · Se ficamos ansiosos em função de lapsos de memória. · Se tais esquecimentos tem ocorridos em situações que vivemos a pouco tempo. Se estes forem sintomas aparentes, é preciso ficar atento! ______________________________________________________ Ritalina e crianças: benefícios, riscos e tratamentos
Andressa e NazarethTDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em crianças e adolescentes. Desta vez, além da neuropsicopedagoga Andressa Amaral, o assunto também é  tratado com  a médica pediatra e neonatologista, Dra Nazareth Machado Félix. Elas falam de forma mais aprofundada sobre o  medicamento Ritalina, usado por milhões de crianças. Seu filho não para quieto nem para comer. Anda de um lado para o outro, sobe nos móveis,  derruba as cadeiras que encontra pelo caminho, corre pela casa. Espalha roupas e objetos. No colégio, sua agitação atrapalha aos colegas. A desatenção e a inquietude interferem também no rendimento escolar. Não termina as lições, comete erros grosseiros nos exercícios, esquece conteúdos que dominava satisfatoriamente até bem pouco tempo? Então você deve prestar atenção nas considerações que as duas profissionais conceituadas de Campos fazem a seguir sobre diagnósticos e tratamentos.  TDAH na visão da Pediatra e Neonatologista Nazareth Machado Félix e da Neuropsicopedagoga Andressa Amaral A neuropsicopedagoga Andressa Amaral  conversa com  à médica Dra Nazareth Machado Félix. Além das perguntas, Andressa Amaral  também faz considerações. Veja as respostas da médica pediatra e neonatologista Nazareth Machado Félix aos questionamentos da neuropsicopedagoga Andressa Amaral sobre TDAH, especialmente sobre o que diferencia essencialmente os casos em que crianças e adolescentes realmente necessitam de  tratamento com medicação, dos casos em que há necessidade acompanhamento multidisciplinar, sem medicação. Andressa e NazarethAndressa Amaral - "Primeiramente gostaria de agradecer a presença da amiga e profissional Pediatra e Neonatologista Dra Nazareth, que aceitou meu convite com muita presteza para conversar conosco acerca de sua larga experiência clínica e a grande incidência de crianças com diagnósticos precipitados de TDAH. Em nossa conversa, a pediatra iniciou mencionando um fator muito importante que é o fato de muitos profissionais da área agirem por vezes no imediatismo e até por pressão dos familiares acerca de uma solução rápida para o caso, prescrevendo o uso de Ritalina, o que nem sempre deve ser a primeira opção e conduta a ser adotada, visto que o medicamento produz efeitos colaterais". Nazareth 2Nazareth Machado Félix -  “ É importante falar que, dependendo do grau e potencialização do transtorno, a medicação se faz necessária, desde que com um diagnóstico preciso e concluso por meio de uma equipe multidisciplinar”. Andressa Amaral - "Essa questão abordada pela nossa convidada especial Dra Nazareth acerca do diagnóstico preciso é de extrema importância para o resultado satisfatório no tratamento, por isso é indispensável a atuação da família e seu posicionamento no tratamento da criança ou adolescente com TDAH. E quando falamos do posicionamento familiar, compartilhamos da mesma opinião, vez que os senhores pais e familiares, são os principais atores da equipe multidisciplinar que agem no tratamento de crianças com TDAH. Para explicitar a importância da participação familiar no tratamento do TDAH, indaguei à Dra Nazareth sobre seu olhar em relação à atuação dos pais na sociedade moderna, invadida pela tecnologia". Nazareth Machado Félix- “ Vivemos em uma geração marcada por uma ausência física e emocional por parte dos pais no processo educacional de seus filhos.  A realidade é que hoje é convencional e oportuno, em função do dia-a-dia agitado que vivemos, tentar suprir com equipamentos tecnológicos de última geração, uma presença e atenção que são insubstituíveis, e é neste momento que o afeto, o diálogo e a base familiar se tornam obsoletos, e aí, quando uma família se depara com um diagnóstico de um filho com TDAH, por vezes é muito mais fácil e imediato atuar com uso de medicação, de modo que a criança apresente um resultado momentâneo, o que pode acarretar possíveis efeitos colaterais, a estar enquanto família, disposta a vivenciar uma mudança real de hábitos familiares e comportamentais que é o ideal nestas situações”. Andressa Amaral - "E quando falamos em hábitos familiares, reforçamos a importância e eficácia da terapia comportamental, e principalmente quando feita de forma integrada com a família, na eficácia do tratamento de crianças acometidas pelo TDAH, pois é através desta conduta que novos hábitos de comportamento são desenvolvidos, tanto com a criança que possui TDAH, assim como com os familiares, de modo que novos hábitos sejam adotados e consequentemente as funções executivas do cérebro deste paciente são estimuladas de modo a responderem de forma muito positiva ao tratamento. P ara falar destes hábitos familiares, por vezes equivocados, e que precisam mudar para a eficácia do tratamento.  Pedi que a nossa convidada Dra Nazareth Machado Félix exemplificasse em função de sua vasta experiência profissional, falasse acerca do assunto. E a mesma trouxe de forma muito interessante a questão do uso da chupeta como um equivocado instrumento de regulação, ao passo que o choro é uma forma de manifesto da criança para o mundo ao seu redor... é um “dizer não”.  No momento em que a chupeta não deixa que esse ciclo natural se desenvolva, por vezes, os pais estão provocando um caráter inibitório no comportamento da criança.  E, mais tarde, ou você terá um adolescente que se esconde atrás de uma personalidade mascarada ou um jovem quer dizer o sim de uma forma mais agressiva, e acaba sendo vista como uma criança problemática.  Por isso a importância desta revisão de conceitos acerca dos hábitos familiares que a cada dia se tornam mais difusos. Outra questão que tratamos de caráter fundamental, em relação ao uso desmedido de Ritalina e seus derivados como um facilitador da aprendizagem, é o olhar dos pais para os filhos adolescentes em fase de vestibular, que por muitas vezes, segundo nossa convidada especial, Dra Nazareth Félix, fazem uso destes medicamentos como agentes que melhoram a aprendizagem, sem o devido acompanhamento médico e diagnóstico indicativo da necessidade real do medicamento". Nazareth  Machado Félix - “ Nestes casos, fica o convite aos colegas de profissão a um cuidado todo especial no momento da prescrição do medicamento e aos exageros por vezes elucidados no consultório por parte dos familiares para induzir a avaliação do profissional ao erro e prescrição indevida do medicamento”. Andressa Amaral - "Ainda falando do diagnóstico do TDAH, enfatizamos o papel da escola nesta questão que é fundamental em grande escala na detecção do problema, vez que na grande maioria, por afetar as funções executivas do cérebro, há um reflexo imediato no processo de aprendizagem da criança ou adolescente com TDAH, o que é muito mais facilmente observado na escola. Porém, o grande problema encontrado é que há uma gama de profissionais que ainda não conseguem entender o limiar entre uma criança levada ou com reais indícios de TDAH. Neste sentido o papel da escola e de uma equipe pedagógica preparada é fundamental no diagnóstico e evolução do tratamento. Para finalizar nosso satisfatório bate-papo de hoje, pedi que nossa convidada Dra Nazareth Félix resumisse em sua visão e experiência profissional, o que de fato possa ser um tratamento eficaz e de sucesso aos portadores de TDAH". Nazareth Machado Felix – "É indispensável a participação da família em primeiro lugar, na aquisição e prática efetiva de novos hábitos que irão auxiliar a criança ou adolescente em seu acompanhamento, depois a escola como mediadora da aprendizagem e o elo entre o paciente e a família na construção do saber, e uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, neuropsicopedagogos, psicólogos, fisioterapeutas, pediatras, fonoaudiólogos, de modo que estes, através de um trabalho de direcionamento comportamental e integrado possam chegar ao melhor resultado para o paciente de modo que o mesmo tenha uma vida absolutamente normal mesmo tendo TDAH.” Andressa Amaral - "Para finalizar, reitero todas as ponderações feitas pela nossa convidada Dra Nazareth Félix e reforço que é preciso de fato, que se tenha muita cautela com o diagnóstico e tratamento adotado para crianças acometidas pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois em se tratando de processos cognitivos, uma conduta adotada inadequadamente num tratamento poderá incorrer em danos irreversíveis ao indivíduo no decurso de sua vida. Aproveito para agradecer a grande quantidade de leitores que aderiram ao nosso projeto de levar conhecimento sempre, e continuamos à disposição para dirimir dúvidas e receber sugestões acerca do tema". Saiba como tratar a Discalculia andressa 0604 capa 2O problema com a aprendizagem da matemática assola inúmeras pessoas durante a alfabetização e em larga escala perduram na vida adulta. Aprender matemática dentro do processo natural da construção do conhecimento, já é um processo difícil por envolver em larga escala, raciocínio lógico. Porém, a grande questão é perceber se esta dificuldade da criança é um problema de adaptação com o método da escola em trabalhar os conteúdos, se é uma inadequação à forma com que o professor está desenvolvendo as relações que envolvem números, ou ainda se a questão é por déficit de atenção, ou mais conhecido como TDAH, ou se de fato, esta criança não consegue sobremaneira aprender assuntos que envolvem relações numéricas. Se esta última for a situação na qual esta criança está inserida ela pode sofrer de DISCALCULIA. A discalculia é uma desordem neurológica que afeta todo processo de aprendizagem que envolva números, tendo como principais sintomas:
  • Dificuldades frequentes com os números, confundindo os sinais: +, -, ÷ e x.
  • Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.
  • Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.
  • A inabilidade de dizer qual de dois números é o maior.
  • Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.
  • Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.
  • Dificuldade com tempo conceitual e julgar a passagem do tempo.
  • Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.
  • A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.
  • Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).
  • Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas, e sequências matemáticas.
  • Dificuldade de manter a contagem durante jogos.
  • Dificuldade nas atividades que requerem processamento de sequências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.
  • A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).
É muito importante ressaltar que por se tratar de uma desordem neurológica, não tem relação com escolaridade, problemas com sistema de ensino, preguiça, ou até mesmo, questões relacionadas à Q.I. Lógico que pessoas com baixo Q.I, podem apresentar dificuldades em cálculos, porém, não é regra que o inverso ocorra. Por isso, é muito importante que a criança seja diagnosticada ainda no período de alfabetização, para que se possa fazer o acompanhamento adequado e esta criança possa evoluir em sua escolaridade superando tais dificuldades e conseguindo viver normalmente e aprendendo a lidar com esta limitação que é a discalculia. Outra questão relevante ao assunto é a importância de uma equipe multidisciplinar no tratamento. O acompanhamento do neurologista é fundamental, além da equipe pedagógica da escola na implementação de um sistema pedagógico que favoreça esta criança na aprendizagem da matemática, o papel da família no estímulo paralelo em situações cotidianas que envolvam cálculos, no acompanhamento das atividades e a atuação do psicopedagogo que exerce o trabalho primeiramente de investigação para perceber se de fato trata-se de discalculia e a posteriori observando os melhores caminhos que propiciem a aprendizagem desta criança e aplicando métodos psicopedagógicos através de jogos, treinamentos de memória, desenvolvimento das habilidades matemáticas de modo com que esta criança ao longo do tempo consiga aprender de que maneira ela, por si só, consiga aprender a matemática. Seu filho tem dificuldade de aprendizagem? Hoje tem se tornado cada vez mais comum, presenciarmos muitos pais aflitos em relação à aprendizagem de seus filhos.  Os mesmos alegam que trocam os filhos de escola, colocam na orientadora, e ainda assim, a criança continua com dificuldades, não conseguem obter bom rendimento na escola, o que por vezes acaba gerando na própria criança a sensação de incapacidade. Este problema tem aumentado a cada dia, tanto nas famílias, quanto na comunidade escolar, e torna-se evidente quando os pais são chamados na escola ou ficam surpreendidos com resultados, logo no início do ano, que não são os esperados.  Essa questão geralmente é motivo de grande preocupação. Andressa Amaral 1904 Essas dificuldades são encontradas em aproximadamente 15% da população escolar. São crianças que não conseguem aprender da mesma forma que outras, apesar de possuírem, uma inteligência normal. Elas têm um perfil cognitivo diferente, um estilo diferente de aprender, mas, nem por isso , são menos criativas e capazes que as demais. A grande questão é identificar se estes problemas vivenciados pela criança se dão devido a fatores neurobiológicos, ou seja, que nasce com a criança, como: dificuldade de concentração, alguma disfunção específica do cérebro que impeça as construções lógicas e de linguagem, hiperatividade patológica, o que reflete nas dificuldades de aprendizagem, mas que de fato, não transtornos de aprendizagem que a criança já nasce com eles, como temos o exemplo clássico do TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. criança 0405Já nas dificuldades de aprendizagem propriamente ditas, geralmente o que ocorre, são situações pontuais, momentâneas, que acabam por atingir de tal forma o sistema cognitivo da criança, que altera por completo seu comportamento e consequentemente seu rendimento escolar.  Essas dificuldades podem estar ligadas a diferentes razões dentre as quais mencionaremos algumas a seguir: ·         Transição de fases escolares: É muito comum observarmos mudanças bruscas no rendimento escolar de crianças que passam do Ensino Fundamental I ao II, assim como nesta transição para o ensino médio.  Geralmente este problema ocorre pelo fato de ocorrer uma considerável modificação na metodologia de ensino, o que desencadeia uma ruptura de métodos já assimilados pela criança.  Neste sentido, esta fase de adaptação pode gerar grandes dificuldades a esta criança até que a nova situação se acomode. ·         Escolas com quantitativo grande de alunos por turmas: outra questão que muito atinge aos alunos no processo ensino-aprendizagem é o quantitativo de alunos em classe que por vezes dificulta que os professores consigam desenvolver um trabalho pedagógico voltado às diferenças, ou seja, a alunos que não conseguem acompanhar o mesmo ritmo dos colegas, o que não significa que este seja menos inteligente que o outro, mas que necessita de um olhar direcionado ao seu desenvolvimento acadêmico. ·         Falta de acompanhamento dos pais: por vezes em função da dinâmica da vida social, os pais não conseguem tempo para acompanharem o rendimento escolar de seus filhos e suas reais dificuldades, o que acaba se tornando um problema pois quando o problema se torno notório, geralmente no momento dos resultados, por vezes, fica difícil recuperar o tempo perdido. ·         Dinâmica escolar e metodologia que desfavorecem determinadas crianças: geralmente ainda existe um grande número de escolas que estão voltadas a uma pedagogia conteudista, de resultados meramente quantitativos, e ainda não estão preocupadas em observar o que faz de fato com que o aluno aprenda.  Nestes casos, geralmente alunos que já são um pouco desatentos, que não possuem grandes habilidades para o desenvolvimento escolar, encontram grandes dificuldades com estes sistemas de ensino, vez que, estes alunos precisam, para assimilar, de aulas dinâmicas, que ofereçam estímulos e gerem interesses ao aprendizado deste aluno. ·         Problemas emocionais: existe uma grande parcela de crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem após terem vivenciado algum trauma específico, seja ele de ordem familiar como: separação, perda familiar, dificuldades financeiras, conflitos familiares, que em grande escala, geram bloqueios significativos nos processos cognitivos da crianças e que refletem em sua aprendizagem, ou ainda circunstâncias externas tais como: bullyng na escola, problema com algum professor específico, falta de adaptação à escola, dentre outros, que por vezes podem refletir em consequências sérias por toda vida daquele aluno. Em função do que tratamos acima, é muito importante estarmos atentos à vida escolar de nossos filhos, pois o grande problema é que estas dificuldades de aprendizagem, quando não detectadas  precocemente e combatidas, podem acarretar problemas futuros de graves consequências. Existem um grande quantitativo de crianças que chegam à adolescência ou à idade adulta com quadros clínicos de depressão, ansiedade generalidade, síndrome do pânico, auto-estima comprometida, e que quando o quadro começa a ser investigado, os profissionais percebem que tais desordens foram desencadeadas por um trauma na vida escolar durante a infância, que gerou um bloqueio e desordem no sistema nervoso central daquele indivíduo. Este problema geralmente se dá, por estigmas que estas crianças que geralmente tem dificuldade de aprender por alguma razão, sofrem na escola, por parte dos colegas, que na maioria das vezes as chamam de “burras”, às vezes até mesmo por parte dos profissionais ainda despreparados que usam de termos que acabam potencializando queda na auto-estima da criança, como por exemplo: “ isso é muito simples... não acredito que você não fez”, além dos próprios familiares, que por vezes não conseguem perceber que o baixo rendimento não se dá simplesmente por desinteresse, mas por algum fator que está impedindo que esta criança aprenda. Por isso, é muito importante que os pais, a comunidade escolar e todos os atores envolvidos no processo-ensino aprendizagem estejam atentos no processo de construção do conhecimento destas crianças, para que consigam, vez que detectado o problema, em conjunto com profissionais especialistas no assunto, detectar o problema e descobrirem qual o melhor caminho a ser seguido para que aquela criança obtenha sucesso escolar. Neste sentido, é indispensável o olhar pedagógico da escola, observando as reais dificuldades da criança, o auxílio da família na implementação de sistemas rotineiros que facilitem o aprendizado desta criança e a participação, dependendo da situação, de uma equipe multidisciplinar trabalhando em conjunto da escola e família para que se desenvolva um método específico de modo que aquela criança se desenvolva e consiga após um tempo, caminhar sozinha e obter resultados favoráveis em sua vida escolar e no futuro em seu meio profissional. 20150524035613 Hoje trataremos de um tema que nos traz uma dicotomia de análise: a música como um instrumento terapêutico em casos de pacientes com problemas diversos de aprendizagem, sejam eles: problemas na fala, audição, escrita, além de hiperatividade, depressão, autismo, síndromes, dentre elas, a Síndrome de Down e outros. Sabemos que apesar da música ser muito antiga em sua influência no comportamento dos indivíduos, visto que existe desde a antiguidade, esta ganha espaço no mundo acadêmico no último século e tem trazido resultados fantásticos em tratamentos terapêuticos.  Tais benefícios extraídos através do trabalho terapêutico através da música se dão pelo fato da música ser um instrumento que consegue permear, ao mesmo tempo e ativar várias áreas importantes do sistema cerebral, atuando nas relações de equilíbrio e autorregulação do comportamento humano. Para entendermos mais sobre o assunto, convido a Psicóloga Gisela Paes, especialista em saúde mental e música que irá esclarecer aspectos importantes acerca do tema. Andressa Amaral: Por que a música é um recurso tão eficaz no tratamento de crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem? Gisela PaesGisela Paes:  A música tem uma grande importância porque a mesma possui  propriedades que possibilitam experiências e vivências destinadas à formação da criança e do adolescente. Ela é formada de som, ritmo, melodia e harmonia que desenvolvem a inteligência e a criatividade, assim como a memória e a imaginação. Ela funciona como um estímulo cerebral natural que atua diretamente na concentração do indivíduo, o que propicia benefícios em relação à aprendizagem. Eu sempre digo que a música pode resolver não somente a demanda do momento, mas ela vai além, pois atua também nas questões que provavelmente não atrapalhe aquele indivíduo no presente, mas que pode resultar no futuro. Andressa Amaral: Já se sabe que a terapia com música ajuda muito para crianças hiperativas. De que modo a música age nestes casos? Gisela Paes: No primeiro momento a mesma tem a função de trazer relaxamento. A criança precisa sentir prazer naquele ambiente sonoro, pois dessa maneira sua atenção estará mais propícia para aquela atividade. É nesse momento que os sons são trabalhados com o objetivo de trazer a criança maneiras de aprender, seja com jogos de palavras musicais, ritmos para execução seguindo um critério, onde aprenderão a acompanhar com melodias (nomes das notas )para memorizar, por exemplo, além de trabalhar o equilíbrio e mecanismos de regulação do cérebro o que propicia à criança hiperativa, que não consegue se concentrar, um novo caminho, no momento que estas crianças começam aprender a ouvir, sentir, e consequentemente se autorregularem Andressa Amaral: Quais os tipos de transtorno podem evoluir de forma positiva através da terapia com música? Gisela Paes: O trabalho terapêutico com a música é indicado para as mais variadas demandas.  Na minha experiência profissional, já obtive grandes resultados com crianças, em especial, posso citar as crianças com TDAH que não conseguiam de maneira nenhuma se concentrar (mantendo a atividade) e também de parar para realizá-la, pois eram extremamente inquietas.  Hoje a partir do trabalho realizado, vejo muitas dessas crianças que já são pré-adolescentes independentes nas suas atividades escolares, onde conseguem aprender sem a dificuldade outrora. Posso citar também o transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno de humor, onde proporciona para o indivíduo muito relaxamento.  Já tive e tenho até hoje grandes resultados com crianças, adolescentes e idosos com algumas deficiências como Síndrome de Down, também autistas e deficientes auditivos. Com este último também é realizado o trabalho terapêutico com a música, pois os mesmos sentem a vibração. É fantástico o resultado! Andressa Amaral: E em casos de autismo como a música pode ajudar? Gisela Paes:  Com autistas, é muito importante a terapia com música porque eles necessitam do movimento que a música traz. Como possuem dificuldades na comunicação, primeiramente se trabalha as emoções, para que haja uma interação paciente-terapeuta para depois alcançar as reações físicas.  Estimulam-se  assim os movimentos sejam eles rítmicos (instrumentos de percussão ou o próprio corpo) ou melódico (no teclado ou na voz). Andressa Amaral: Sabemos também da grande eficiência do trabalho terapêutico através da arte e da música em casos de Síndrome de Down. Por que esses resultados são tão positivos nestes casos? Gisela Paes: As pessoas com Síndrome de Down, tem uma relação muito interessante com o som. A facilidade que eles possuem para interagir e a identificação com a música é algo que traz muitos benefícios, pois ajuda não só na área cognitiva, mas também na socialização e na autoestima. Ao perceberem que podem emitir um som de um instrumento ou cantar seja individualmente ou em grupo, ficam muito felizes, pois se sentem valorizados e importantes, o que acaba trazendo resultados positivos para o desenvolvimento Como a música atua nas funções cerebrais? R: Cada vez mais estudos tem sido realizados no campo da neurociência  a respeito da música. Sabe-se que o estímulo musical aumenta as funções cerebrais,  influenciando na percepção, atenção, memória, nas funções executivas como processar e reter informações, resolver problemas, regular comportamentos.  De fato a música quando estimulada no indivíduo contribui positivamente, se estendendo até a vida adulta. Além da música atingir a rede neural do cérebro,  ela também afeta a frequência cardíaca, respiração, pressão sanguínea, digestão, equilíbrio hormonal, ritmos do corpo humano, humores e atitudes. A enorme influência da música sobre os aspectos físicos, mentais, e emocionais de nosso corpo acontecem de forma surpreendente. Andressa Amaral: A terapia através da música estimula a produção de alguns hormônios? Quais? Gisela Paes: Sim, claro! Segundo estudos, a dopamina é liberada no momento da intensidade da emoção e do prazer ao escutar a música. Porém, não são todas as músicas que causam “bem estar” e sensação de relaxamento. Alguns músicas podem causar sensação de incômodo  e angústia, onde o efeito será negativo, passando longe da sensação que deveria motivar o cérebro! Por isso a importância do trabalho realizado por profissionais que de fato saibam utilizar o recurso musical. Agradeço a oportunidade de tê-la como companheira de trabalho e como convidada em nossa série de reportagens, visto que através desta entrevista tão esclarecedora, nos é possível entender que existem caminhos naturais que possibilitam que o próprio organismo seja estimulado a ativar funções cerebrais e hormonais que por vezes estão em desequilíbrio em casos de transtornos do neurodesenvolvimento como tratamos acima. Outra questão muito importante é que os educadores comecem a utilizar o trabalho com música como um recurso de mediação didática, de modo a permitir que seus alunos que encontram limitações diversas possam ser beneficiadas. O que é dislexia 20150524035613Muitos tem sido os problemas enfrentados por pais e educadores, em relação a crianças em fase de alfabetização, no que diz respeito ao processo de leitura, visto que inúmeras são as crianças que encontram muitas dificuldades neste momento por não conseguirem ler, escrever, decodificar fonemas e grafemas. Porém, este problema vai além do simples fato de uma criança ler e escrever ou não.  Tal questão traz inúmeras implicações para a vida desta criança no decorrer de sua vida escolar, dentre as quais podemos enfatizar: estigmas por ser uma criança que está sempre em atraso em relação aos colegas, autoestima comprometida, vez que este aprendiz deixa de acreditar em si próprio, além do próprio descrédito que este sofre em seu seio familiar, quando em larga escala, pelo desconhecimento das possíveis causas do problema, os pais acham que a criança é desinteressada, preguiçosa e acaba gerando outros problemas associados. O fato é que estudos já comprovam que este problema tem nome: dislexia, que hoje já se sabe que é um transtorno genético e hereditário que compromete diversos níveis de linguagem no indivíduo.  Por ser uma dificuldade específica de linguagem, que gera dificuldades específicas como: soletração, leitura, escrita, trocas fonéticas, dificuldades em cálculos e lógica matemática, esta geralmente ganha significativa relevância quando a criança está na fase de alfabetização, pois é neste momento que a escola passa a detectar que algo diferente está acontecendo com esta, em relação às outras crianças. O grande problema é que ainda vivemos uma realidade em nosso sistema educacional, de profissionais que ainda desconhecem o problema e suas possíveis causas, e por vezes, atribuem essas dificuldades apresentadas pela criança, à falta de interesse, descomprometimento, e em larga escala, estigmatizam essas crianças, principalmente em uso de termos inadequados como: “seus amigos já conseguem, você não quer nada, não é possível que ainda não consiga identificar estes sons…”, e o maior problema é que estes estigmas refletem também no seio familiar ao passo que os pais recebem da escola e informação de que a criança não quer, não busca, não aprende!!! É preciso que pais e educadores fiquem muito atentos, ao indicarem uma dificuldade específica de linguagem em uma criança, pois a questão pode ir além do interesse.  A criança disléxica, por mais que queira, não consegue estabelecer a associação grafema e fonema, e consequentemente não conseguem estabelecer as conexões linguísticas necessárias aos processos de leitura e escrita, por isso a importância de um olhar diferenciado. Muito importante também é ressaltar que a dislexia manifesta-se em vários níveis e formas: ela pode estar no campo da leitura, da escrita, também conhecida como disgrafia, ou ainda na construção lógica da matemática o que infere-se o subtipo: discalculia.  Contudo, é importante observar que alguns sintomas são característicos e possíveis indicadores de crianças disléxicas: · Trocas fonéticas · Leitura silabada · Junção: “A lua está entre as nuvens” por “Alua está entreas nuvens”. · Quando a incompreensão na leitura ultrapassa a fase de alfabetização · Acréscimo de letras ou sílabas: “Estranho” por “estrainho”; · Omissão: “Chuva forte” por “chuva fote”; · Substituição: “todos” por “totos”; · Troca, omite ou inverte as letras durante a leitura, dentre outros. Vale ressaltar que a dislexia é um problema que ainda não tem cura, mas possui tratamento e acompanhamento direcionado.  Nestes casos o trabalho de reforço nos campos de consciência fonológica, compreensão e produção textual, para que esta criança consiga de fato evoluir em sua vida acadêmica. Para isso, é muito importante que haja um diagnóstico precoce, vez que o avançar da idade prejudica a eficácia do tratamento, além da importância deste trabalho ser realizado por uma equipe multidisciplinar composta por: pedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos de modo que a criança consiga evoluir em suas dificuldades e superar estas barreiras em seu processo de alfabetização. De extrema importância é entender que nem toda troca fonética ou de letras no processo de alfabetização podem ser consideradas dislexia, por isso, muito importante que os profissionais envolvidos neste processo conheçam de fato a questão para chegarem aos melhores resultados das crianças em questão. Como lidar com adolescentes TDHA andressa1Muitos são os desafios e angústias rotineiras vivenciadas pelos pais quando seus filhos chegam à adolescência, pois neste momento, na maioria das vezes, as transformações comportamentais destes indivíduos são tão significativas que são capazes de mudar toda rotina da família.  Isso acontece, em regra, devido às próprias variações hormonais inerentes a este período, o surgimento de inúmeras transformações sociais, físicas e psicológicas que ocorrem e que geram dificuldades enormes no relacionamento entre pais e filhos, pois na adolescência a cada dia a sensação dos pais é de terem um novo filho em casa, hora bem humorados, por vezes introspectivos, sem paciência, dentre outros fatores de instabilidade que geram inúmeras inquietações familiares. Porém, estes sinais se tornam bem simplórios quando em uma determinada família existe um adolescente TDAH que ainda não foi diagnosticado e/ou que não está com acompanhamento profissional adequado, pois nestes casos, essas oscilações geram consequências muito mais sérias às famílias e ao próprio adolescente portador do transtorno. Já se sabe, que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade – TDAH, por atingir diretamente o comportamento do indivíduo, por si só já traz consequências para seus portadores, que geralmente são desatentos, hiperativos e impulsivos. Ocorre que, em uma grande parcela da população essas crianças não são diagnosticadas em idade adequada ao tratamento, e por vezes, passam pela fase escolar inicial que vai da alfabetização ao término do ensino fundamental, em média, sendo categorizadas como crianças impossíveis, que só passam com ajuda de orientadora, que os colegas não gostam de estar próximos, que tudo que ocorre na escola de ruim é atribuído a elas, e seus familiares, acabam encarando o problema como algo comum, “coisa de criança”, “falta de castigo”. Com isso, ao chegarem na adolescência, idade em que as variações hormonais intensificam-se, tudo passa a ser novo na vida daquele indivíduo, essas características de impulsividade, hiperatividade e desatenção inerentes aos portadores de TDAH, pelo fato de não terem sido tratadas de forma adequada em tempo certo, se potencializam e trazem consequências sérias à vida destes indivíduos. Andressa3É muito comum, adolescentes com TDAH apresentarem sérios problemas de convívio social, e em grande maioria, pelo fato de terem vivido uma infância de estigmas, preconceito e emblemas sociais que lhe foram impostos pela escola, pelos colegas e até mesmo pela própria família, ao passo que quando chegam na adolescência, tendem a se isolar, em busca de um mundo “melhor” do que o vivido até então. Além disso, muitos destes jovens tornam-se cada vez mais impulsivos, e na maioria dos casos despertam compulsão por jogos eletrônicos, uso de computador de forma exacerbada, outros até, manifestam impulso ao uso de substâncias ilícitas, sem contar com o temperamento que, em razão da grande hiperatividade física e cerebral deste indivíduo portador de TDAH, tende a estar cada vez mais oscilante, o que gera conflitos familiares constantes. Todos estes fatores, que já são próprios dos adolescentes, aliados, ao problema do transtorno, faz com que estes adolescentes passem por sérios problemas sociais e psicológicos. Inúmeros são os casos clínicos de famílias que não sabem mais como lidar com aquele adolescente que: ·         Não consegue organizar sua vida e seu tempo; ·         Não apresenta nenhum interesse pela escola e só consegue alcançar resultados com auxílio de orientador; ·         Oscila comportamento e estado de humor; ·         Isola-se em seu mundo digital; ·         Busca sempre atividades que apresentam perigo; ·         É extremamente desatento, desligado, parecem viver no mundo da lua; ·         Não possui objetivos futuros, pensam que a vida esgota-se no fim de um dia; ·         Está sempre agressivo e na defensiva com os pais; ·         Tem dificuldade de acatar e seguir normas; ·         Responde aos pais com agressividade quando são questionados, etc.

Nestes casos, é muito importante o olhar da família para a questão de uma forma diferenciada.  É preciso entender que algo errado pode estar acontecendo com aquele adolescente e que o mesmo precisa de ajuda.  É neste momento que o diálogo familiar é imprescindível, que a presença dos pais na vida destes adolescentes é indispensável. Criança agressiva, ansiosa...O que fazer? Seu  filho tem apresentado características agressivas, recusa o cumprimento de regras, possui manias excessivas?  Fique atento, ele pode sofrer de algum transtorno de conduta e/ou ansiedade da infância e adolescência.

Estamos vivendo em uma sociedade, onde o tempo parece ser o bem mais raro do ser humano, a cada dia, as famílias estão mais comprometidas com trabalho, afazeres, e, na maioria das vezes estão sendo levadas  a encararem problemas sérios como algo natural. Muito se tem ouvido os pais reclamarem a respeito dos filhos: meu filho está impossível, não aceita ordens, agride as pessoas com palavras, vive ansioso, é cheio de manias, não para quieto, não se concentra, como se fosse algo natural, comum, vez que hoje a sociedade está sendo induzida a achar que tudo é normal.  Acontece que muitas vezes, tais atitudes podem indicar problemas sérios, que se não tratados podem levar a consequências graves durante o decurso da vida daquele indivíduo, principalmente quando ingressam na vida escolar ou no mercado de trabalho. Por este motivo, trataremos hoje de alguns transtornos que merecem destaque, por serem muito frequentes em crianças e adolescentes: TDO – TRANSTORNO DESAFIADOR OPOSITOR OU (TOD), TOC – TRANSTORNO OBSSESSIVO-COMPULSIVO, TAS – TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, TAG – TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA e o TDAH – TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. O TDO – Transtorno Desafiador Opositor,  tem ocorrido com muita frequência em crianças e adolescentes.  É um transtorno marcado geralmente por um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiante, desobediente e hostil incluindo resistência a figura de autoridade.  Crianças e adolescentes que sofrem deste transtorno apresentam basicamente os seguintes sintomas: Frequentes acessos de raiva, discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras, desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos, deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas, culpar os outros por seus erros e mau comportamento, agressividade contra colegas, dificuldade em manter amizades, problemas acadêmicos, dentre outros. Andressa2TOC – Transtorno Obssessivo-Compulsivo, é um distúrbio marcado basicamente pela necessidade do indivíduo a ter obsessões por ideias, imagens, pensamentos repetitivos que impulsionam àquela pessoa sem que ela queira, pois a sensação que estas pessoas possuem é que se um determinado ritual não acontecer, algo de errado pode acontecer com ela, como por exemplo:  preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para pronunciar certas palavras, indecisão diante de situações corriqueiras por medo que uma escolha errada possa desencadear alguma desgraça, pensamentos agressivos relacionados com morte, dentre outros. TAS – Transtorno de Ansiedade de Separação, é uma ansiedade excessiva, caracterizada pelo afastamento dos pais, geralmente em casos de separação familiar, que perdure por ao menos 04 semanas.  O transtorno causa um sofrimento interno muito grande àquela criança.  Os sintomas que mais aparecem nestes casos são: medo de ficarem sozinhos, dormirem sós, resistência a irem para escola com medo de voltar e estarem sozinhos sem os cuidadores, além de somatizarem sensações de dor de cabeça, abdominal, cólicas, sem contar que em larga escala, a ansiedade manifesta é tão grande, principalmente em crianças maiores podem manifestar sintomas cardiovasculares como palpitações, tontura e sensação de desmaio. Esses sintomas prejudicam a autonomia da criança e podem restringir suas atividades acadêmicas, sociais e familiares, gerando grande estresse pessoal e familiar. Sentem-se humilhadas e medrosas, o que resulta em baixa autoestima. TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada – esse transtorno manifesta-se em crianças e adolescentes, como uma ansiedade constante, geralmente fazendo com que por quaisquer situações o indivíduo manifeste sinais de ansiedade.  São geralmente pessoas muito preocupada com julgamento de terceiros, e com autoestima comprometida.  Fisicamente estas pessoas apresentas queixas somáticas sem causas aparentes, como: taquicardia, sudorese, comprometimento do sono, palidez, tensão muscular e outros.  O grande problema do TAG é que seu início parece muito comum às famílias, e geralmente a procura por tratamento é tardia, o que dificulta o tratamento. Por último vamos falar resumidamente do transtorno que mais afeta crianças e adolescentes, e que tem sido preocupação constante dos profissionais, vez que se não tratados podem acarretar problemas graves ao indivíduo: O TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que já foi tema de nossas discussões, e que apresenta, em síntese, três sintomas importantes: a hiperatividade, a desconcentração e compulsividade. Crianças e Adolescentes acometidas pelo TDAH, geralmente possuem comportamento difícil, pelo fato de terem muita dificuldade em parar quieto ao realizar uma atividade, além de apresentarem imensa dificuldade de concentração, precisando por vezes, ser advertido várias vezes para conseguir entender o que está sendo questionado, sem contar que na maioria dos casos, esses indivíduos apresentam necessidade à compulsão, seja ela por comida, doces, jogos eletrônicos (que ocorre na maioria dos casos). Vale ressaltar, que muitos são os transtornos que assolam boa parte das pessoas, contudo estes tem crescido muito nos últimos tempos e precisam ser tratados precocemente para que se tenha bons resultados. Geralmente o tratamento adequado nestes casos é o acompanhamento com equipe multidisciplinar, geralmente composta por psicólogos, neuropsicopedagogos, neurologistas, neuropediatras e outros profissionais, que em conjunto, atuam em prol do paciente, contudo, a Terapia Comportamental é a mais indicada no tratamento por objetivar trabalhar o indivíduo em seus hábitos e atitudes de modo que tais estímulos consigam suplantar os sintomas dos transtornos. Crianças ansiosas e agressivas: como tratar? Andressa3Seu filho tem apresentado características agressivas, recusa o cumprimento de regras, possui manias excessivas?  Fique atento, ele pode sofrer de algum transtorno de conduta e/ou ansiedade da infância e adolescência. Estamos vivendo em uma sociedade, onde o tempo parece ser o bem mais raro do ser humano, a cada dia, as famílias estão mais comprometidas com trabalho, afazeres, e, na maioria das vezes estão sendo levadas  a encararem problemas sérios como algo natural. Muito se tem ouvido os pais reclamarem a respeito dos filhos: meu filho está impossível, não aceita ordens, agride as pessoas com palavras, vive ansioso, é cheio de manias, não para quieto, não se concentra, como se fosse algo natural, comum, vez que hoje a sociedade está sendo induzida a achar que tudo é normal.  Acontece que muitas vezes, tais atitudes podem indicar problemas sérios, que se não tratados podem levar a consequências graves durante o decurso da vida daquele indivíduo, principalmente quando ingressam na vida escolar ou no mercado de trabalho. Por este motivo, trataremos hoje de alguns transtornos que merecem destaque, por serem muito frequentes em crianças e adolescentes: TDO – TRANSTORNO DESAFIADOR OPOSITOR OU (TOD), TOC – TRANSTORNO OBSSESSIVO-COMPULSIVO, TAS – TRANSTORNO DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, TAG – TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA e o TDAH – TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. O TDO – Transtorno Desafiador Opositor,  tem ocorrido com muita frequência em crianças e adolescentes.  É um transtorno marcado geralmente por um padrão contínuo de comportamento não cooperativo, desafiante, desobediente e hostil incluindo resistência a figura de autoridade.  Crianças e adolescentes que sofrem deste transtorno apresentam basicamente os seguintes sintomas: Frequentes acessos de raiva, discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras, desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos, deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas, culpar os outros por seus erros e mau comportamento, agressividade contra colegas, dificuldade em manter amizades, problemas acadêmicos, dentre outros. AndressaTOC – Transtorno Obssessivo-Compulsivo, é um distúrbio marcado basicamente pela necessidade do indivíduo a ter obsessões por ideias, imagens, pensamentos repetitivos que impulsionam àquela pessoa sem que ela queira, pois a sensação que estas pessoas possuem é que se um determinado ritual não acontecer, algo de errado pode acontecer com ela, como por exemplo:  preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para pronunciar certas palavras, indecisão diante de situações corriqueiras por medo que uma escolha errada possa desencadear alguma desgraça, pensamentos agressivos relacionados com morte, dentre outros. TAS – Transtorno de Ansiedade de Separação, é uma ansiedade excessiva, caracterizada pelo afastamento dos pais, geralmente em casos de separação familiar, que perdure por ao menos 04 semanas.  O transtorno causa um sofrimento interno muito grande àquela criança.  Os sintomas que mais aparecem nestes casos são: medo de ficarem sozinhos, dormirem sós, resistência a irem para escola com medo de voltar e estarem sozinhos sem os cuidadores, além de somatizarem sensações de dor de cabeça, abdominal, cólicas, sem contar que em larga escala, a ansiedade manifesta é tão grande, principalmente em crianças maiores podem manifestar sintomas cardiovasculares como palpitações, tontura e sensação de desmaio. Esses sintomas prejudicam a autonomia da criança e podem restringir suas atividades acadêmicas, sociais e familiares, gerando grande estresse pessoal e familiar. Sentem-se humilhadas e medrosas, o que resulta em baixa autoestima. TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada – esse transtorno manifesta-se em crianças e adolescentes, como uma ansiedade constante, geralmente fazendo com que por quaisquer situações o indivíduo manifeste sinais de ansiedade.  São geralmente pessoas muito preocupada com julgamento de terceiros, e com autoestima comprometida.  Fisicamente estas pessoas apresentas queixas somáticas sem causas aparentes, como: taquicardia, sudorese, comprometimento do sono, palidez, tensão muscular e outros.  O grande problema do TAG é que seu início parece muito comum às famílias, e geralmente a procura por tratamento é tardia, o que dificulta o tratamento. Por último vamos falar resumidamente do transtorno que mais afeta crianças e adolescentes, e que tem sido preocupação constante dos profissionais, vez que se não tratados podem acarretar problemas graves ao indivíduo: O TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que já foi tema de nossas discussões, e que apresenta, em síntese, três sintomas importantes: a hiperatividade, a desconcentração e compulsividade. Crianças e Adolescentes acometidas pelo TDAH, geralmente possuem comportamento difícil, pelo fato de terem muita dificuldade em parar quieto ao realizar uma atividade, além de apresentarem imensa dificuldade de concentração, precisando por vezes, ser advertido várias vezes para conseguir entender o que está sendo questionado, sem contar que na maioria dos casos, esses indivíduos apresentam necessidade à compulsão, seja ela por comida, doces, jogos eletrônicos (que ocorre na maioria dos casos). Vale ressaltar, que muitos são os transtornos que assolam boa parte das pessoas, contudo estes tem crescido muito nos últimos tempos e precisam ser tratados precocemente para que se tenha bons resultados. Geralmente o tratamento adequado nestes casos é o acompanhamento com equipe multidisciplinar, geralmente composta por psicólogos, neuropsicopedagogos, neurologistas, neuropediatras e outros profissionais, que em conjunto, atuam em prol do paciente, contudo, a Terapia Comportamental é a mais indicada no tratamento por objetivar trabalhar o indivíduo em seus hábitos e atitudes de modo que tais estímulos consigam suplantar os sintomas dos transtornos. Crianças com déficit de atenção: como tratar Qual é o tratamento mais indicado a crianças e adolescentes que possuem dificuldade ou transtorno de aprendizagem e hiperatividade (TDAH), que será o tema desta edição. Confira a entrevista: 20150403_092926Campos 24 Horas - Durante todo esse período, muitas indagações foram feitas sobre o tratamento ideal do TDAH.  Como a senhora orienta aos leitores a respeito disso? Andressa Amaral - Olá, mais uma vez é um enorme prazer estar aqui, e hoje em especial, em meu local de trabalho, finalizando um série de reportagens que me rendeu conhecer pessoas muito especiais, responder perguntas, ajudar com meus conhecimentos, o que certamente foi a maior recompensa desta série de reportagens. Mas, em relação ao questionamento, posso dizer que não há melhor tratamento à criança e adolescente portadora de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) do que um acompanhamento através de uma equipe multidisciplinar. C24H - E o que é de fato esta equipe multidisciplinar e porque esta ajuda tanto no tratamento? Andressa - A equipe multidisciplinar é um grupo de profissionais, geralmente composto de neuropsicopedagogos, psicólogos, psicopedagogos, fonoauliólogos, fisioterapeutas, neurologistas, psiquiatras, nutricionistas, educadores, arteterapeutas, que atuam em conjunto no diagnóstico e tratamento do TDAH. O trabalho em equipe é fundamental, porque o transtorno além de ser neurobiológico, ou seja, nasce com o indivíduo, seus sintomas atingem várias esferas do comportamento humano, tais como: aprendizagem (geralmente o mais afetado), personalidade, alimentação, equilíbrio, concentração e outros.  Por este motivo, apenas um profissional não consegue sozinho, resolver o problema, desde o diagnóstico, até o tratamento. 20150403_094459 C24H - E por falar em diagnóstico, suponhamos que meu filho apresente sintomas de uma criança TDAH, como falamos em outras reportagens (hiperatividade, falta de concentração, inquietude e outros), como é feito esse diagnóstico? Andressa - Em relação a essa questão, é preciso que os pais tomem muito cuidado pela opção inicial da busca, pois muitas vezes, na ansiedade de uma resposta para o problema, buscamos enquanto pais, aflitos mediante a situação, o que é totalmente compreensível, solução imediata para o problema, o que não há. O diagnóstico de TDAH, não deve e não pode ocorrer em apenas uma visita ao profissional, seja ele qual for, é necessário que sejam feitas algumas baterias de testes avaliativos, entrevistas familiares e com a criança, provas operacionais, exames rotineiros para eliminar outras possíveis causas da desatenção, e outras investigações paralelas, o que geralmente leva de 03 à 06 meses. É muito importante que as famílias entendam a importância de um diagnóstico preciso para um tratamento eficaz.  Não adianta uma resposta imediata que possa trazer comprometimentos para a criança no futuro. C24H - Então, qual o primeiro passo devo seguir? Em que profissional devo levá-lo? Andressa - O indicado nestes casos, é que, pelo fato do transtorno afetar diretamente questões relativas à aprendizagem, os familiares procurem primeiramente um psicopedagogo ou neuropsicopedagogo.  São estes os profissionais indicados ao primeiro contato com o problema. A partir daí, estes deverão proceder com uma série de avaliações, e, após, levantadas as hipóteses, pois como falei anteriormente, o diagnóstico não deve ser definido por um único profissional, é preciso que sejam feitos encaminhamentos para outros profissionais, para que, cada um em sua especialidade, busque confirmar as hipóteses levantadas pelo profissional citado. Só, ai, depois de feitos todos os procedimentos indicados, testes, entrevistas, provas operativas, exames de rotina, é que se indica que a criança ou adolescente sejam conduzidos ao neurologista ou psiquiatra, visto que estes profissionais se estiverem alicerçados de informações técnicas, poderão, com precisão, dar parecer acerca do diagnóstico. Somente após este protocolo é que o tratamento e acompanhamento com a equipe multidisciplinar deve ser iniciado. C24H - E quais os tipos de tratamentos podem ser feito para crianças que possuem TDAH? Andressa - Na verdade existem vários tipos de procedimentos que podem ser adotados.  Isso vai depender do quadro do paciente.  Existem crianças que precisam de fato, da intervenção medicamentosa, que por si só, também não resolve o problema como falei anteriormente, além de ser perigosa se prescrita indiscriminadamente, sem um diagnóstico preciso. 20150403_094105Em linhas gerais, independente do uso ou não de medicação, é muito importante a terapia interacionista, geralmente feita com profissionais especializados em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia Clínica, que busca extrair da criança as reais dificuldades que a mesma possui em relação à aprendizagem, e fazer com que esta criança, com o tempo, consiga lidar com suas limitações e desenvolver técnicas que lhes faça aprender a aprender.  Ainda há conhecida TCC – terapia cognitiva comportamental, feita por psicólogos especializados, e que é de suma importância na complementação do tratamento, pois irá focar os hábitos que tanto a família como o paciente deverão adquirir neste novo momento para o sucesso de seu quadro, dentre outras alternativas que ajudam muito no tratamento, como a arteterapia, a fisioterapia funcional, o acompanhamento alimentar, a medicina interna (ortomolecular) que vai buscar entender de que forma há desequilíbrio em substâncias no organismo do paciente que potencializam o transtorno,  dentre outras. C24H - Impressionante como existem vários recursos para o tratamento de crianças e adolescentes com TDAH. Mas, acima a senhora menciona alguns que nos chama atenção, como por exemplo, a arteterapia, fisioterapia funcional e medicina ortomolecular.  Fale um pouco sobre estas técnicas. Andressa - Bom, na verdade, todas são técnicas que trabalhadas de forma isolada, ou ainda trabalhada de forma indiscriminada, não garantem resultados satisfatórios. Como te falei anteriormente, é um trabalho, que para ser de excelência tem que ser multidisciplinar. IMG-20150401-WA0008 (1)Mas, vamos lá, falando da arteterapia, esta é um instrumento muito eficaz no tratamento, pois através da arte, estímulos são dados ao indivíduo que atuam na criatividade, capacidade de concentração, além de desenvolver habilidades que por vezes não se manifestam em situações comuns.  É muito importante valorizar o que os pacientes com TDAH fazem de melhor e o que gostam de fazer, pois quando gostam, se interessam, geralmente eles fazem muito bem.  Por isso, a arteterapia é fundamental, porque ela vai identificar no paciente estas habilidades e utilizá-las como aliadas ao tratamento. A fisioterapia funcional, principalmente o pilates e outras técnicas que podem ser trabalhadas em salas de recursos auxiliam muito no tratamento, pois são atividades que atuam nas habilidades psicomotoras do paciente que geralmente são afetadas pelo transtorno, além de atuar diretamente no equilíbrio e concentração que são grandes problemas de crianças portadoras do TDAH.  Há muitos resultados surpreendentes de pacientes que fazem este tipo de acompanhamento, pois a própria atividade ativa a produção de dopamina e noroadrenalina através dos estímulos utilizados, e por muitas vezes, ajudam na redução ou até mesmo exclusão de procedimentos medicamentosos. Em relação à medicina ortomolecular, esta tem trazido contribuições surpreendentes no acompanhamento multidisciplinar de portadores de TDAH.  A medicina ortomolecular busca entender, quais são as reais deficiências do organismo e repor, através de intervenção medicamentosa natural, estes componentes que por algumas razões estão ausentes ou hipossuficientes.  Estas reposições também ocorrem através de orientação alimentar, feita pelo próprio profissional, além de mudança de hábitos diários que auxiliam muito no tratamento. C24H - Quanto tempo dura, em média, um tratamento com crianças que possuem TDAH? Andressa - Não há como precisar um tempo, mas posso dizer que não é um tratamento rápido, pois, como falei anteriormente, só o diagnóstico, leva em média, de três a seis meses.  Fica um alerta aos pais: ao buscarem ajuda profissional, nunca aceitem em uma primeira consulta a certeza de um diagnóstico, pois é muito provável que possa haver precipitação e consequentemente erro no tratamento. Mas, voltando à questão, após diagnosticada, há um longo caminho a seguir, é preciso iniciar as terapias, de acordo com o plano de ação elaborado pelo profissional de acompanhamento, em paralelo com toda equipe envolvida.  Existem crianças que respondem de forma rápida ao tratamento, outras já levam mais tempo.  Mas o que posso dizer, é que o foco da equipe de acompanhamento multidisciplinar, orientada pelo psicopedagogo ou neuropsicopedagogo deve ser a condução do paciente a sua autonomia, ou seja, fazer com que ele, por si só, após algum tempo, consiga conviver normalmente com o transtorno. C24H - E esse tratamento, tem um fim em si mesmo? Andressa - Geralmente sim.  Existe um código de ética que deve ser seguido pelos profissionais.  Além disso, como falei em reportagens anteriores, o diagnóstico feito o quão precoce a idade do paciente, mais eficaz o tratamento.  Desta forma, os profissionais devem entender que a obrigação da equipe é desenvolver a capacidade no indivíduo de ter autonomia, pois geralmente, como o transtorno é diagnosticado na infância, a criança ainda é dependente, frequenta a escola, tem pessoas ao seu redor para auxiliá-la, mas e amanhã? Quando tiverem que enfrentar um mercado de trabalho, onde não haverá este trabalho diferenciado, pois o transtorno não é uma deficiência propriamente, e sim uma personalidade diferenciada que o indivíduo possui.. 20150403_094001Por isso, ressalto a importância do diagnóstico correto e do tratamento adequado, para que, na idade adulta, estes pacientes tenham uma vida completamente normal, sem a necessidade do acompanhamento direcionado. C24H - Para finalizarmos esta série de reportagens que muito contribuíram para famílias que vivem esta realidade de crianças com TDAH, gostaríamos que a Sra deixasse uma mensagem, assim como os contatos para que os interessados pudessem procurar ajuda. Andressa - O que deixo como mensagem é que o amor é a senha do sucesso.  Portanto, pais, familiares, profissionais educadores, profissionais da saúde, que são atuantes diretos na questão do TDAH, é preciso que o que façamos, não importa a circunstância, condição ou diplomação, que façamos com amor. Por isso, pais, amem incondicionalmente seus filhos independente de serem TDAH, é apenas algo ínfimo comparado ao amor materno e paterno. Profissionais educadores, façam do amor o principal condutor de suas ações, olhem a todos como se fossem únicos, especiais em si mesmos, tenham todos os seus educandos, sejam eles especiais, TDAH, ou simplesmente normais, como presentes que engrandecem os seus dias. Profissionais da saúde e áreas afins, busquem na ética a melhor conduta, suplantem a pressa, o imediatismo, pela precisão, atuem pondo a frente todos os conhecimentos adquiridos na academia, diagnostiquem com a experiência e mediquem com amor. Bom, esta é a mensagem que deixo a todos, e informo que estaremos em próximas matérias discutindo outros assuntos como: AUTISMO, TRANSTORNO BI POLAR, BULLING, DROGAS NA ADOLESCÊNCIA E OUTROS. Aguardo sugestões, perguntas, dúvidas, é sempre um prazer responder a todos os leitores.  Podem enviar email direto para: neuropsiandressaamaral@gmail.com. Crianças com TDAH: aprendizado do seu filho e o papel da escola Andressa 2903 5Na série de reportagens do Campos 24 Horas sobre crianças e adolescentes portadores de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), destacamos um agente fundamental no diagnóstico e acompanhamento do quadro de crianças portadoras do transtorno: A Escola. Para isso, voltamos a conversar com a especialista e neuropsicopedagoga Andressa Amaral, idealizadora deste projeto, numa entrevista interessantíssima sobre o papel da escola em casos de crianças com TDAH. Confira a entrevista: Campos 24 Horas – Por que a escola é tão importante no diagnóstico de crianças e adolescentes que possuem TDAH? Andressa Amaral –  Bom, mais uma vez gostaria de agradecer principalmente às pessoas que param aos domingos para conhecer um pouco mais do assunto, que interagem, tiram dúvidas, para mim, que amo minha profissão e não consigo me ver fora do processo de aprendizagem, é muito gratificante poder colaborar com estas discussões. Mas, respondendo à pergunta, por vez, muito oportuna, a escola é na grande maioria o agente principal no diagnóstico do TDAH, porque devido ao fato do transtorno afetar diretamente o processo de aprendizagem do aluno, é a escola que primeiro sinaliza aos familiares a possibilidade daquela criança ou adolescente ser possuidor do transtorno. C24H – Mas, através de que mecanismos a escola identifica a possibilidade do aluno possuir TDAH? Andressa – Esta observação se dá, por parte dos professores e da equipe pedagógica escolar que precisa conhecer, apesar da sala de aula possuir uma quantidade de alunos, cada um de seus alunos em suas particularidades. A partir daí, se a escola dispuser de uma equipe treinada e capacitada, a mesma terá condições de perceber comportamentos destoantes dos demais nos alunos que podem ser possuidores do TDAH.  Geralmente os mecanismos utilizados pela escola, devem ser observações no cotidiano escolar, comportamento dos alunos dentro e fora da sala de aula, técnicas de abordagem feitas pelos professores de modo a observar se os alunos estão concentrados, etc. C24H – Já que estamos falando da escola e da aprendizagem, porque o TDAH afeta diretamente a aprendizagem?  O que de fato acontece? criança déficit atenção 3Andressa -Vou tentar explicar de forma sucinta.  Em linhas gerais, como já falei em entrevista anterior, esse transtorno é neurobiológico, ou seja, já nasce com o indivíduo.  O que ocorre é que existe em nosso cérebro, o lobo frontal, que funciona metaforicamente, como um filtro.  Ou seja, inúmeras informações chegam ao mesmo tempo, e estes pensamentos precisam ser filtrados pelo lobo frontal.  Assim, quando eu lembro de algo, é porque esse filtro escolheu o que devo lembrar. Ocorre que, para este “filtro” funcionar e os pensamentos ocorrerem de forma organizada, é preciso que uma substância chamada dopamina funcione regularmente em nosso organismo.  Porém, os indivíduos com TDAH possuem uma deficiência na produção desta substância, e aí, é como se fosse um filtro furado, que não seleciona as informações, ou seja, para o TDAH, tudo acontece ao mesmo tempo, e de uma forma muito rápida, por isso a dificuldade de retenção.  Isso quer dizer que, se eu não retenho a informação, automaticamente meu processo de aprendizagem estará comprometido. Por este motivo, que os alunos que possuem o transtorno, alegam que não conseguem memorizar a informação, porque elas passam de uma forma rápida, sem que haja uma seleção, ou melhor, um filtro. C24H – E qual são os principais sintomas que as equipes escolares devem ficar atentas? Andressa – O transtorno, é marcado basicamente por três aspectos: a impulsividade, a instabilidade de atenção e a hiperatividade.  Sendo que a hiperatividade nem sempre acontece, sendo mais comum em meninos.  Assim, a escola já tem esses primeiros indícios que devem ser observados, principalmente a questão da impulsividade que é uma marca do aluno que possui TDAH. Andressa 2903 3C24H – Por que a senhora ressaltou a impulsividade? Andressa – Ressalto sempre, por ser este o sintoma mais perigoso e difícil de ser controlado.  O aluno TDAH, possui uma particularidade chamada hiper foco, como se fosse um botão de liga e desliga, é como se fosse uma atenção, intercalada com distração. E esta impulsividade é perigosa, alguns manifestam compulsão por comida, outros por jogos, trabalho, sexo, drogas, etc.  Por isso alerto que é muito importante que as equipes pedagógicas observem estes sinais em seus alunos. C24H – Quando a senhora fala da compulsão por jogos, estamos vivendo uma geração dependente de jogos e internet, então teríamos toda uma geração TDAH? Andressa 2903 4Andressa – Não.  Absolutamente, o que estamos vivendo é um mundo que a cada dia perde a essência do ser humano e passa a viver com características de androides, assunto que poderemos tratar em outros momentos.  Falo de um dos elementos, e por sinal o mais perigoso, porque se a impulsividade de um TDAH não for direcionada para o melhor caminho, que é o de desenvolver o que eles tem de melhor, eles tenderão a caminhos ruins, como vícios por jogos, etc. Para que uma criança ou adolescente seja diagnosticada com TDAH, não basta apenas um sintoma isolado, ou seja, não basta apenas ser impulsiva por internet ou jogo, é preciso que possua os outros sintomas em consonância. C24H - E uma vez, detectado o problema, estando o aluno diagnosticado e já em tratamento, como a escola deve atuar? Andressa – Neste caso é imprescindível que o aluno esteja numa escola que possua uma equipe preparada para atuar com estes alunos primeiramente, além de toda uma organização física que permita um trabalho pedagógico direcionado ao portador do TDAH. C24H – A senhora menciona na pergunta anterior duas questões: a equipe escolar e a questão física da escola, por qual razão? Andressa – Falando primeiramente da equipe, se não houver um trabalho direcionado, este aluno não consegue evoluir.  Por exemplo, estes alunos não podem sentar em quaisquer lugares na sala de aula, é preciso que a todo instante o professor, sem que o aluno perceba interaja com ele, de modo a não permitir que este perca a atenção, sempre que este aluno acertar é preciso ter feedback positivo (reforço) através de pequenos elogios e prêmios, vez que a auto estima deles é muito comprometida, dentre outras técnicas que devem ser adotadas pelos profissionais atuantes. Em relação à estrutura física, uma sala de aula para atender a este público não deve possuir, por exemplo, informações paralelas em sua decoração (quadros ilustrativos, mensagens, etc,) que distraiam a atenção destes alunos.É preciso também, possuir recursos áudio visuais, que geralmente conseguem prender muito a atenção destas crianças e adolescentes. Outra questão fundamental é que a equipe escolar possua profissional especializado em artes que desenvolva projetos de modo a extrair destas crianças os talentos que elas possuem.  Geralmente os portadores de TDAH são muito talentosos. C24H - Existe ainda um certo preconceito sobre o TDAH por parte das escolas, o que a senhora acha? Andressa 2903 2Andressa – Sim, e vou além, este preconceito não é só na escola, é primeiramente na família que tem muita dificuldade de aceitar que o filho possui o transtorno.  Gosto de reforçar que o transtorno não é uma doença contagiosa, é simplesmente uma personalidade distinta que precisa ser trabalhada, e por vezes os pais não querem aceitar a questão e dizem que os filhos são levados, desobedientes, e acabam tardando o diagnóstico e dificultando o tratamento. As instituições de ensino, precisam parar de estigmatizar todos os alunos que possuem sinais de inquietude, desatenção, impulsividade, como “pestinha”, quando na verdade o ideal é que estejam preparadas para lidarem com esta realidade e ajudar estes alunos a conduzirem suas vidas e aprenderem a lidar com o problema. C24H –  E, já que estamos falando de preconceito, vamos pensar na inclusão.  Sabemos que alunos diagnosticados tem direito a provas diferenciadas, podem fazer fora da sala de aula, o que a senhora acha disso? Andressa – Esta pergunta é bem complexa de ser respondida, mas vamos lá.  Quando pensamos em inclusão, temos que ter muito cuidado para não excluirmos.  Penso, de uma forma muito partícula, e nesta resposta coloco-me principalmente como educadora, e não em minha atuação clínica, que no momento que um aluno tem prova diferenciada, faz prova fora do contexto, ele está de alguma forma sendo excluído. O que se deve pensar, enquanto equipe pedagógica é em, estratégias de avaliações que permitam com que aquele aluno vivencie as mesmas provas, questões, dos outros colegas, com um olhar pedagógico da equipe para os resultados, é claro.  Tenho, na escola que atuo como diretora, exemplos de sucesso de alunos que possuem o transtorno e, ainda assim, estão totalmente inseridos. É preciso entendermos que a escola é um momento, e logo, essas crianças e adolescentes deverão estar preparadas para a vida.  E lá, quando chegarem ao mercado de trabalho, não haverá um processo seletivo diferenciado e um olhar distinto dos superiores pelo fato daquele candidato ser TDAH.  Por isso, a escola de fato tem a obrigação de ser o grande laboratório destes alunos, fazendo com que eles estejam aptos a vivenciarem estas experiências no futuro. C24H – O aluno TDAH consegue sozinho, um bom rendimento na escola, sem tratamento, apenas com a intervenção da equipe pedagógica? Andressa - Depende do grau manifesto do transtorno.  Existem crianças que através da atuação direcionada da equipe pedagógica conseguem excelentes resultados.  Mas, reforço.  É preciso que a equipe esteja preparada para isso.  Mas, em grande maioria, é preciso que haja um acompanhamento de uma equipe multidisciplinar em paralelo, pelo menos por um tempo, porque o correto é que os tratamentos ocorram por um período e que depois o indivíduo consiga caminhar sozinho. De qualquer forma, em linhas gerais, uma vez diagnosticado o problema é fundamental a atuação de profissionais especializados com o objetivo de ensinar a estas crianças e adolescentes de que forma eles aprendem melhor.  



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