Crianças com necessidades especiais e terapias em excesso: a importância do planejamento terapêutico

Confira a entrevista com a neuropsicopedagoga Andressa Amaral sobre o assunto


19/01/2017         12h21        |     Foto: Campos 24 Horas CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS E TERAPIAS EM EXCESSO: A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO TERAPÊUTICO Confira a entrevista com a neuropsicopedagoga Andressa Amaral sobre o assunto. Dra, tem crescido muito a quantidade de crianças com necessidades especiais, principalmente Autismo e TDAH, S. Down, dentre outros.  Em que momento é importante começar o tratamento? Sim, as estatísticas apontam este crescimento nos últimos anos.  O quanto antes iniciar o tratamento, melhor o prognóstico. É muito comum recebermos bebês recém  nascidos, com síndromes ou prematuridade para tratamento logo que saem da maternidade.  E o tratamento é um conjunto, engloba a parte clínica e também terapêutica. E tem sido muito comum estas crianças fazerem várias terapias ao mesmo tempo.  Isso é um problema? Depende.  Há casos que são necessários vários profissionais atuando, tais como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, etc.  Essa questão só se torna um problema  quando esta atuação se torna excessiva, ou sem planejamento terapêutico supervisionado.  É muito comum crianças que fazem várias terapias, várias vezes na semana por exemplo, e acabam ficando exaustas e muitas recusam ir às terapias.  Neste caso é um problema sim, o excesso terapêutico tem sido muito discutido. E como este problema do excesso de terapias pode ser resolvido? Na verdade, primeiramente é importante que os pais entendam que nem sempre a quantidade de terapias está associada a resultados positivos. Além disso, é preciso que os profissionais tenham também este entendimento e que também orientem aos pais.  Outra questão já por mim citada é sobre a importância de planejamento no tratamento para evitar o desgaste do paciente. A Sra mencionou que algumas crianças fazem tratamentos sem planejamento terapêutico supervisionado.  Como funciona este processo? Hoje, muitos profissionais da saúde mental, já trabalham com processo transdisciplinar.  Dentro desta linha, antes de iniciar o tratamento da criança, é feita avaliação neurocognitiva, para investigar as habilidades sensoriais, motoras, psicológicas, de linguagem e cognitivas da criança.  Esta avaliação é composta de alguns exames clínicos, além de testes que por vezes constituem avaliação neuropsicológica e em outros casos, são testes específicos por patologia. Além da avaliação quantitativa, também é feita avaliação qualitativa investigativa, onde a equipe responsável  avalia as relações familiares comportamentais, e por vezes in loco caso necessário, além de visita à escola do paciente para compreensão junto à equipe pedagógica acerca da real situação da criança.  Feito isso, a equipe avalia as necessidades gerais da criança, estabelece prioridades, e traça o PLANO TERAPÊUTIO SUPERVISIONADO, que engloba acompanhamento das terapias e o objetivo de cada uma, orientação familiar e adaptações necessárias, e supervisão e adaptação ao planejamento pedagógico da criança junto à escola. Interessante, e quais benefícios o Planejamento Terapêutico traz para estes pacientes? Inúmeros. Com isso, é possível seguir uma linha de tratamento específica com aquela criança, buscando com toda equipe, de maneiras diferentes, seja na área de linguagem, comportamental ou psicomotora, objetivos comuns.  Tem acontecido com muita freqüência, pedidos de inúmeros métodos concomitantes ao tratamento, ocorre que, são focos distintos, e por vezes, a falta de direcionamento faz com que os vários métodos aplicados não atinjam seus objetivos. Além disso, com o planejamento, é possível avaliar e acompanhar a quantidade de terapias que a criança precisa sem que esta, passe por um processo de sobrecarga terapêutica e exaustão.  É neste momento que se busca dosar as terapias, até porque a maturação cognitiva se dá por etapas, e por vezes, busca-se numa criança a escrita ou a fala, mas esqueceram de trabalhar o sensório-motor, que é imprescindível para a linguagem falada e escrita.  Por isso a importância de um trabalho direcionado. Ademais, vale também ressaltar que através do plano terapêutico, os orientadores particulares ou mediadores,  caso a criança tenha, também são acompanhados e orientados de acordo com as necessidades daquele paciente de modo que todos façam um trabalho coeso e direcionado. Outra questão importante, é que através do planejamento terapêutico, o médico que acompanha a criança, consegue, por meio de relatório periódico único, entender toda linha de tratamento daquele paciente e de que forma o trabalho tem sido desenvolvido.  Sem contar, que em alguns casos, estes profissionais acompanham as crianças em algumas consultas. Este Plano Terapêutico é feito uma única vez? Na verdade, feitas as avaliações da criança, é traçado o plano, ele deve ser dinâmico, e supervisionado.  Geralmente o profissional responsável pela supervisão acompanha periodicamente a evolução da criança e vai fazendo as adaptações necessárias de acordo com a evolução do quadro.  Em alguns casos, quando são necessários testes, estes são repetidos após 1 ou 2 anos, para comparação quantitativa o quadro clínico apresentado. CLÍNICA CCRIAMSA Rua dos Goytacazes, 991 – IPS Tel: 22 3052-0960 / 99886-1239 email: [email protected] site: www.criamsa.com.br



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