08/05/2016 07h34 | Foto: Campos 24 Horas
Postado por Fabiano Venancio
A filosofia principal do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), de que os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) são “porta de entrada” da assistência social é correta, mas, aos poucos, vem sendo intensificada pelas próprias prefeituras responsáveis pela implantação e desenvolvimento do equipamento federal. Isso acontece, por exemplo, aqui em Campos, onde existem 12 Cras espalhados pelo município e que, através das suas várias ações, fazem com que estes sejam, também, “porta de saída” para as pessoas que querem e precisam mudar de vida.
Cras é unidade responsável pela oferta de serviços de proteção básica do Sistema Único de Assistência Social (Suas) nas áreas de vulnerabilidade e risco social e aqui está ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento humano e Social. Entre os Cras da cidade, o do Jardim Carioca se destaca pelo número de usuários e serviços, tendo mais de 6 mil e 300 famílias cadastradas e de 200 a 300 atendimentos/mês. Se levando em conta que cada família é composta, em média, por quatro pessoas, esse número aumenta. A coordenadora técnica do Cras, a assistente social e pós-graduada em gestão administrativa, Elaine Jardim de Oliveira, atuando no local desde sua implantação, em 2009, tem muitas histórias a contar.
Campos 24 Horas – Todos sabem que Cras é porta de entrada da assistência. Mas, de fato, o que é desenvolvido aqui?
Elaine Jardim de Oliveira – Vários programas e serviços, além de fazermos o encaminhamento para a rede sócio-assistencial quando necessário. Desenvolvemos ações dentro do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos; Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Adolescentes; acompanhamento dentro do Programa de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif); busca ativa para famílias que precisam ser referenciadas pelo Cras; reuniões de acolhimento; atendimento aos usuários do Programa Bolsa Família, entre outros serviços. E todos eles com desdobramentos que dão origem a diferentes ações, de acordo com a necessidade e especificidade de cada um.
C24H – Vamos por partes. Qual o trabalho desenvolvido com os idosos, por exemplo?
Elaine Jardim – Para eles nós temos aulas de dança e artesanato, com orientadores sociais desenvolvendo seus trabalhos todas às quartas-feiras. E na parte de artesanato, a partir das aulas, alguns idosos produzem e até conseguem comercializar seus os produtos, adquirindo uma renda extra. Mas, fora isso, temos também tardes dançantes, realizamos passeios, aniversários do mês, cafés comunitários, festas juninas e reuniões para conversas e patê papos, como forma de integração entre eles.
C24H – E o trabalho com crianças e adolescentes?
Elaine Jardim – Para este público é realizada busca ativa e ações que façam com que eles, fora do período escolar, não fiquem nas ruas, ociosos. Assim direcionamos essas crianças e adolescentes referenciadas para atividades aqui ao lado, na Vila Olímpica, onde eles participam de atividades esportivas diversas, como artes marciais, futebol, entre outras, além de dança. Essa é uma forma de prevenção, uma medida protetiva.
C24H – E com as demais pessoas, a maioria mulheres?
Elaine Jardim – Muitos serviços e ações. Primeiro fazemos a inclusão no Cadastro Único, o CAD-Único, instrumento que identifica e caracteriza as famílias de renda de até três salários, permitindo que o Governo conheça melhor a realidade socioeconômica da população. Nele são registradas características da residência, identificação de cada pessoa, escolaridade, situação de trabalho e renda. Também encaminhamos, quando for o caso, para nossa rede, por exemplo, para à Saúde, à Educação, entre outros. Realizamos acompanhamento de crianças e adolescentes que estão fora da condicionalidade do Programa Bolsa Família, ou seja, com baixa frequência escolar. A partir dai realizamos palestras nas escolas falando aos pais sobre a importância da frequência escolar. Realizamos, ainda, reuniões de acolhida às segundas-feiras e muito mais.
C24H – Muito mais o que?
Elaine Jardim – Temos também ações em grupos e outros serviços. Por vezes convidamos profissionais da nossa rede municipal para palestras e esclarecimentos, entre eles, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros, de acordo com a necessidade que detectamos naquele momento. Com a descentralização do Programa Bolsa Família, antes na Beira Valão, recebemos muitos usuários aqui para esclarecimentos e tirada de dúvidas, além de realizarmos recadastramento e atualizações. Também de dois em dois meses, em parceria com a Concessionária de Energia Ampla, são feitas reuniões de grupos para falar de consumo consciente, troca de lâmpadas usadas ou queimadas por lâmpadas econômicas.
C24H – Em sete anos de implantação do Cras, são muitas histórias, não?
Elaine Jardim – Com certeza, umas muito tristes e outras alegres, esta última justamente por causa do resultado dos programas e serviços implantados. Tem um caso aqui de uma filha muito nova que perdeu sua mãe e não sabia o que fazer, até chegar aqui no Cras do Jardim Carioca, onde foi referenciada e orientada para inclusão em programas e cursos, se transformando numa pessoa que hoje trabalha e conseguiu sobreviver sozinha. Sem falar em depoimentos de idosos que dizem terem combatido a depressão depois que passaram a participar das ações no Cras. E, ainda, a questão da elevação da autoestima da maioria, o mais importante.
C24H – Como as pessoas chegam ao Cras? E qual é a equipe disponível?
Elaine Jardim – Muitas pessoas chegam por indicação até mesmo da rede e outras através de busca ativa. Quanto à equipe, não é uma equipe grande, mas é uma equipe eficiente e unida. Temos psicólogos, assistentes sociais, digitadores, auxiliar administrativo e auxiliar de serviços gerais.