A ausência de envolvimento com corrupção e o compromisso com a democracia são os atributos que mais influenciam a escolha de um candidato à Presidência, segundo a pesquisa Quaest realizada em todo o país na semana passada.
Entre os entrevistados, 31% apontaram não estar envolvido em corrupção como a principal característica para votar em um presidenciável. Outros 28% citaram o compromisso com a democracia.
Quando a pergunta tratou do principal motivo para não votar de jeito nenhum em um candidato, 40% mencionaram o envolvimento em corrupção. A falta de compromisso com a democracia apareceu em seguida, com 21%.
O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, avaliou que a corrupção funciona mais como veto do que como credencial eleitoral. Segundo ele, a rejeição ao tema atravessa diferentes grupos políticos, embora os eleitores possam divergir sobre quem está envolvido em irregularidades.
O envolvimento em corrupção foi o motivo de rejeição mais citado por eleitores que se identificam como lulistas, bolsonaristas e independentes. Já a falta de compromisso com a democracia liderou entre pessoas com maior escolaridade e entre aquelas que se definem como de esquerda não lulista.
A defesa da democracia aparece com maior frequência como atributo favorável entre eleitores mais à esquerda e moradores do Nordeste. Entre os lulistas, a experiência do candidato também foi citada acima da média como razão para o voto.
Nos segmentos mais à direita, não ter envolvimento com corrupção ganhou mais destaque como justificativa para apoiar um candidato. Nesses grupos, a percepção de que o presidenciável é aliado do Supremo Tribunal Federal também apareceu como fator de rejeição acima da média.
A pesquisa foi feita entre domingo e terça-feira, antes do aumento das divergências públicas entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça relacionadas ao caso Banco Master.