Adversário do Americano na final da Copa Rio, neste quarta-feira, às 15h, em Cardoso Moreira, o Pérolas Negras está com ótima campanha nos dois campeonatos estaduais que disputa: já garantiu classificação para a semifinal da Taça Maracanã (primeiro turno da Série B1 do Campeonato Carioca) e abriu grande vantagem na disputa por uma vaga na final da Copa Rio contra o Americano. No primeiro jogo da decisão, o Pérolas venceu o Cano por 3 a 0. O Americano precisa vencer o adversário ou pela mesma diferença para decidir a Copa na cobrança de pênaltis ou levar o titulo direto com um ou mais gols de diferença. .
Mas a saga do time sediado na cidade de Resende vai além da história convencional de um clube de futebol. A Academia de Futebol Perolas Negras é uma equipe criada pela ONG Viva Rio depois do terremoto no Haiti, em 2010, que devastou o país mais pobre das Américas. A equipe conta com vários jogadores haitianos e, atualmente, disputa o terceiro nível do Campeonato Carioca. . (Leia mais abaixo)
A ONG, que está no Haiti, desde 2004, foi convidada a aproximar o esporte e a cidadania na sociedade haitiana. Em 2009, a ONG deu inicio às obras para a construção de um centro de treinamento esportivo, mas a obra acabou ficando pronta apenas em 2011, devido ao terremoto no Haiti.
Cerca de 150 atletas, meninos e meninas a partir de 11 anos, vivem e estudam na Academia Pérolas Negras nos arredores de Porto Príncipe.
“O Pérolas Negras é um clube de futebol criado pela Ong Viva Rio para gerar impacto social. Nossas academias no Haiti e no Brasil são ao mesmo tempo casa, escola e centro de treinamento para jovens em busca de um futuro melhor. Elas promovem a inclusão e integração de imigrantes e jovens em situação de risco e atendem a todas as exigências da Fifa a um clube formador”, destaca o clube em seu site oficial. CIDADANIA - A Academia Pérolas Negras combina exercícios com educação básica, valores e cidadania. As atividades desenvolvem as habilidades físicas e interpessoais dos jovens, além de um senso de responsabilidade.
Os atletas recebem alimentação balanceada e treinamento tático, físico e técnico para uma performance de alto nível. Eles também vão para a escola local e têm acesso a cuidados médicos.
Em 2013, o Pérolas Negras foi até a Europa, onde conquistou o vice campeonato mundial em um torneio de verão, na categoria sub-16. O maior mérito do clube, no entanto, foi ter eliminado o América, do México, nas semifinais. (Leia mais abaixo)
Nos anos de 2014 e 2015 a equipe disputou duas competições amadoras no Brasil, entre elas a Copa da Amizade Brasil-Japão de Futebol Infantil, no ano de 2015,
Em 2016m o time foi convidado a jogar da Copa São Paulo de Futebol Junior
FORMAÇÃO - De acordo com a ONG, o seu intuito é formar os jogadores no Haiti, mas manter o time sub-20 no Brasil. Inicialmente, com sede em Paty do alferes, o time começou a disputar o campeonato carioca o Campeonato Carioca de Futebol deste ano.
Ao completar 16 anos, os jovens com mais talento e vontade são convidados a treinar no Brasil, onde encontram possibilidades reais de inserção no mercado do futebol.
O Pérolas Negras disputa alguns dos principais torneios profissionais, sub-20 e sub-17 do país, e jovens haitianos mais promissores vêm conseguindo contratos com grandes clubes brasileiros. (Leia mais abaixo)
“O futebol é um espaço democrático sem lugar para discriminação social, racial ou religiosa. Por isso, o Viva Rio quer levar a ideia do Pérolas Negras para o resto do mundo. Uma carreira no futebol é um futuro possível e promissor para centenas de jovens levados por razões políticas ou humanitárias a deixar seus países. Para quem não é jogador, a academia está de portas abertas com ações de inclusão social”, afirma o coordenador da Viva Rio, Rubem Cézar Fernandes.
FUNAÇÃO SOCIAL - A vocação do Pérolas Negras é ser um clube formador, de acordo com Rubem, mas outras opções são oferecidas aos jovens. “Sabemos que nem todos os jovens conseguirão ganhar a vida como jogadores de futebol. Por isso, mesmo com a rotina pesada de treinos, não descuidamos nem por um dia do trabalho de educação e de formação cultural e instrumental dos alunos. Assim garantimos que, seja no Brasil ou em seus países de origem, os que não seguirem carreira nos campos estarão em boas condições para disputar vagas de trabalho dentro ou fora do mundo do futebol”, acrescentou Rubem.
No clube, os garotos jogam, estudam e até aprendem português, mas as meninas também tem vez no projeto.
– A gente quer um legado permanente: uma ponte de continuidade, de trânsito, feita pelo futebol – diz Ruben Cesar Fernandes, diretor executivo da Viva Rio.
O objetivo desses meninos na Copa São Paulo é conseguir fazer, por meio do futebol, o que outros milhares de haitianos também fizeram: vir morar e trabalhar no Brasil para poder ajudar as famílias que ficaram por lá — explicou ainda o coordenador, lembrando que cerca de 56 mil haitianos vivem no Brasil, a maioria em São Paulo. (Leia mais abaixo)
“Mais do que empoderar jovens pérolas, queremos torná-los protagonistas de suas próprias histórias. E para chegar lá, utilizamos o futebol como ferramenta de transformação para criar oportunidades e gerar impacto social positivo”, finalizou Rubem.