Os desafios e as perspectivas de ser um policial

Campos 24 Horas ENTREVISTA o Major Maxwell, subcomandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças


domingo, 12 de abril de 2015   -   Foto: Campos 24 Horas MaxuellComo ser um policial em tempos de crise? Para entender um pouco esse grande dilema que a sociedade vive em dias atuais acerca da profissão e atuação do policial militar, convidamos o Major Maxwell, subcomandante do CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS/31VOL, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro para falar um pouco da questão e nos contar um pouco de sua trajetória enquanto policial militar. Confira a entrevista: Campos 24 Horas - Major, gostaria que o senhor nos falasse um pouco de como é, aos 38 anos, já ser  Oficial Superior,  faltando apenas dois postos para chegar ao último degrau da carreira de Oficial da Polícia Militar, que é o  de Coronel? Major Maxwell - Primeiramente, gostaria de agradecer a oportunidade do jornal Campos 24 horas, de abrir espaço para que possamos falar de uma profissão tão questionada e observada por diversas instâncias sociais. Mas, vamos à resposta, para mim, estar no posto que me encontro, com uma carreira de sucesso, é antes de tudo uma conquista, fruto de muito trabalho, é abrir mão de estar ao lado da família em prol da sociedade, trocar as horas de sono, pelos minutos de segurança de uma população, e acima de tudo, é honrar a instituição que sirvo com muito orgulho. CURSO SAO PAULO C24H - De onde vem à escolha por uma profissão tão bonita e ao mesmo tão perigosa? Major - Acredito que esta escolha vem da minha história de vida e herança familiar. Pois tive, e agradeço meus pais por isso, uma criação pautada nos princípios da ética, respeito às regras e valorização do ser humano.  Além disso, pelo fato de ter me tornado atleta aos 14 anos, onde fui campeão estadual dos 400 e 200 metros de corrida, o que sempre me fez ser um jovem que buscava novos desafios e que não podia ter medo do inesperado para alcançar meus objetivos, além de um desejo que sempre tive, talvez pelos filmes de super heróis que vi na infância, de defender e estar sempre próximo da sociedade.  Por estas questões, escolhi ser policial militar, mesmo sabendo de todas as dificuldades que iria encontrar. C24H - E como tudo começou?  Foi fácil ingressar na carreira de Oficial da Polícia Militar? Major - Na verdade eu vim em busca do novo, saí aos 18 anos do Espírito Santo, cidade na época, em idos de 96, considerada pacata, em busca de um sonho de defender a sociedade fluminense, umas das mais importantes do pais,  ainda que o preço disso fosse a própria vida. Em relação à segunda pergunta,  posso te dizer que custou dias e noites de estudo, mas que a dificuldade quem impõe é o ser humano a si mesmo, por isso, considero que foi apenas um obstáculo, mas que como eu tinha um ideal não  importou a dificuldade na busca incansável pelo sonho de ser policial militar. C24H - Major, a tua história retrata a de inúmeras pessoas, que saem de suas cidades, por vezes interioranas, e no seu caso, de seu próprio Estado, para enfrentarem o desafio de estar em sua cidade grande, tão desafiadora e com tantos conflitos em relação à segurança pública, como é a cidade do Rio de Janeiro? Na verdade é abrir mão de uma vida, superar o medo, sentir frio na barriga e construir uma nova história, pois a partir do momento que nos propusemos a ser policiais militares, temos que ter a consciência de que nossa primeira família é a instituição à qual servimos. Posso dizer que deixar meus pais, meus amigos, foi o que mais me motivou sobrevir a cada dia na certeza de poder revê-los novamente. corporação C24H -Fale-nos um pouco desta sua trajetória militar, pois sabemos que o senhor, apesar de tão jovem, já passou por diversas unidades e especializou-se bastante dentro da Polícia Militar. Essa capacitação continuada do Profissional faz diferença na carreira? Major - Bom, em 1999 saí aspirante, meu primeiro batalhão foi o honroso 8º BPM, aqui em Campos,  que foi o local onde escolhi para viver e constituir família, o posso dizer que foi a minha grande escola. Dentre diversos cursos que fiz, destaco o estágio de aplicações táticas do BOPE, gerenciamento de crises – BOPE, curso de adestradores de cães para emprego policial militar – CACEP, Cinotecnia no Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar de São Paulo, curso de operações marítimas policiais especiais – COMPE, curso de educação física na Escola de Educação Física do Exército, além de ter tido a oportunidade de reviver minha juventude e ser atleta representando, tendo sido tricampeão brasileiro na modalidade 400 e 800 metros de corrida, dos jogos acadêmicos das escolas de oficiais da Polícia Militar do Brasil,  dentre outros. Além disso, estive a frente de vários batalhões tais como: 2º, 30º, 36º, Grupamento Marítimo Fluvial, BAC – Batalhão de Ações com Cães, como subcomandante e atualmente exercendo a função no CEFAP. AIMG-20150412-WA0000lém dos cursos operacionais que relatei, continuo me especializando fazendo atualmente pós-graduação em Segurança Pública, MBA em Gestão de Pessoas e um Curso Técnico em Segurança Pública pela SENASP. Em relação à capacitação, com certeza faz diferença.  Fica a dica aos futuros e já integrantes da corporação: não parem no tempo, sejam únicos, na história profissional que vocês traçarem, se especializem sempre, pois hoje, estou tão jovem com este currículo, porque sempre preparado fisicamente para ser voluntário em todos os cursos que a PMERJ me permitiu fazer, e farei todos que eu tiver condições de fazer. C24H - E de quando o senhor entrou na década de 90 até hoje, mudou muito a vertente filosófica do policial militar, hoje estamos vivendo a era dos Direitos Humanos. Trace para nós um paralelo entre essas duas realidades vivenciados pelo senhor. Na década de 90 a polícia militar tinha um perfil de combate, em prol da realidade e contexto da época.  Hoje,  a polícia militar volta-se em defesa da sociedade na função primeira de mediar conflitos para evitar o confronto e primar pela preservação da vida humana.  Exemplo disso, é a criação das UPPs e o investimento cada vez maior no uso progressivo da força que é primeiramente o policial militar utilizar auto-defesa com técnicas de imobilização, depois munições não-letais, e em ultima instância, esgotadas todas as possibilidades, o uso da arma de fogo.  Por isso, reforço a importância do policial especializar-se a cada dia. C24H - E em tempos de crise, onde observamos conflitos diários, policiais morrendo, incentivos salariais precários, poucos programas governamentais de investimento na carreira policial militar, o que ainda faz um jovem optar pela profissão e o senhor permanecer nela com tanto orgulho? Major - Primeiramente ressalto que o ingresso na carreira policial militar se dá por meio de concurso.  Ou seja, somos voluntários ao ingresso e sabemos de toda a realidade e problemas colocados por vocês na pergunta, apesar de estarmos presenciando investimentos por parte do governo na melhoria salarial e também de equipamentos, o que por muito tempo não aconteceu na história da polícia militar, ainda que tenhamos que melhorar muito, mas ainda assim, escolhemos por simplesmente vocação, por mais que todo trabalhador busque salários equiparados, não adianta ter o melhor salário do mundo se não tem vocação. Independente da profissão é preciso amar o que faz, vibrar pela sua escolha e honrá-la acima de tudo para ser um profissional realizado. 10404265_1532763953633991_7715763720110009442_nC24H - Como é ser policial em um momento em que os noticiários mostram muitos militares mortos em conflito e em suas rotinas diárias pelo simples fato da escolha profissional que fizeram? Major - É muito difícil perder um irmão de farda e saber que, a todo momento que você sai de casa, não há a certeza de volta, pois como diz o nosso hino: “ser policial, é sobretudo uma razão de ser, enfrentar a morte, tornar-se forte no que acontecer”.  Mas ainda assim, posso dizer que permanecerei policial militar enquanto vida tiver e pronto para defender a sociedade. C24H - Major, deixe para nós,  uma frase que reflita toda essa linda história construída pelo senhor Bem, vou repetir as palavras de uma das razões de minha vida, meu filho, Maxwell Junio: “Não é a roupa que faz o homem, mas o coração de herói que há dentro dele “. C24H - Para finalizar, gostaríamos de saber: se o senhor não fosse policial militar qual profissão escolheria? Major - Digo a vocês, que se eu não fosse policial militar eu correria quantos quilômetros fossem necessários, desbravaria todos os mares que existissem, enfrentaria o medo, superaria meus limites, iria até o infinito e retornaria à certeza de que seria mais uma vez: POLICIAL MILITAR, pois esta foi uma escolha ímpar em minha vida. Excelente, continue!!! CURSO OP MARITIMA Agradeço a oportunidade de falar um pouco de minha carreira e servir de exemplo aos novos policiais militares. Caso alguém queira conversar um pouco sobre o assunto: [email protected] / [email protected]



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