No dia 17 de novembro 2020, a GHAI (Global Health Advocacy Incubator) divulgou um relatório detalhando como grandes empresas de alimentos (Coca-Cola, McDonald's, Nestlé, PepsiCo), referidas como Big Food, aproveitaram a pandemia da covid-19 para promover alimentos ultraprocessados no mundo todo, especialmente para populações vulneráveis.
Para quem não conhece, a GHAI é uma incubadora que apoia organizações da sociedade civil na defesa de políticas de saúde pública e na redução de mortes e doenças. Participam de diversas ações, como a defesa de alimentos mais saudáveis, redução das gorduras trans e sódio e outras soluções de saúde. (Leia mais abaixo)
O relatório se chama Facing Two Pandemics: How Big Food Undermined Public Health in the Era of covid-19 (Enfrentando duas pandemias: como as grandes corporações de produtos alimentícios sabotaram a saúde pública na era da covid-19), está disponível no site da instituição e há um resumo executivo em português.
Para a construção desse documento, a GHAI realizou uma pesquisa de março a julho de 2020, durante o início da pandemia, coletando, em 18 países, 280 exemplos de ações da indústria com potencial para interferir no desenvolvimento e na implementação de políticas de alimentação e nutrição. Para isso, foram utilizados diversos métodos, como análise dos discursos, escuta social e monitoramento da mídia.
Big Food e novas formas de marketing Esse relatório revela como a falta de regulamentação de alimentos no mundo todo permite que as grandes multinacionais usem a crise global da covid-19 para promover ainda mais os alimentos ultraprocessados para as pessoas mais vulneráveis.
De acordo com o documento, além das respostas tradicionais aos desastres nacionais e internacionais, foram identificadas novas formas utilizadas pelas Big Food para promover a venda de seus alimentos e bebidas nesse momento global de vulnerabilidade.
Entre algumas das estratégias que as indústrias de alimentos adotaram, a GHAI citou as seguintes: (Leia mais abaixo)
Alimentação como direito humano
O titulo do relatório: "Enfrentando duas pandemias: como as grandes corporações de produtos alimentícios sabotaram a saúde pública na era da covid-19" mostra que essas estratégias de marketing das Big Food têm explorado a vulnerabilidade dos consumidores durante a quarentena, além disso colocam o Direito Humano à Alimentação Adequada em risco.
Quando se trata de alimentação não é uma questão apenas de ter comida na mesa, mas de ter alimentos de qualidade, variados, seguros do ponto de vista sanitário e adequados do ponto de vista cultural, entre outras coisas.
Por isso, o relatório ressalta a necessidade urgente de políticas e regulamentações para a indústria de alimentos com base em evidências, bem como protocolos de conflito de interesses em todo o mundo.
Os planos de ação podem incluir impostos sobre bebidas ricas em açúcares e sobre alimentos ultraprocessados, rotulagem eficaz, regulamentações de marketing e limites à publicidade de alimentos industrializados. (Leia mais abaixo)
Perceba que não se trata de querer o fim da indústria de alimentos, da qual somos tão dependentes atualmente. A ideia é que a saúde pública seja priorizada antes dos interesses e lucros privados para que tenhamos alimentos de melhor qualidade e a garantia de uma alimentação adequada e saudável.
Os países também devem permitir e educar os cidadãos a buscarem a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e à Saúde junto ao governo e outros atores por meio de medidas legislativas, legais ou administrativas, caso esses direitos sejam violados.
Assim, torna-se possível a criação de ambientes e sistemas alimentares mais saudáveis, contribuindo para que as pessoas façam escolhas alimentares melhores e que exista uma proteção do Direito Humano à Alimentação Adequada e, consequentemente, da saúde.
Fonte: Viva Bem