Os comerciantes que conseguiram sobreviver aos efeitos da pandemia em Campos buscam continuar de pé diante de sérias dificuldades após meses de paralisação após duras medidas como o fechamento das lojas e o lockdown, que resultaram na queda brutal de receitas e o acúmulo de dívidas. O Campos 24 Horas ouviu lojistas do Centro para saber se o pior já passou para seus negócios, mesmo com restrições para evitar aglomerações no interior dos estabelecimentos.
Alguns negócios ainda enfrentam restrições mais rígidas mesmo com a liberação para o retorno às suas atividades, casos dos restaurantes, pizzarias, bares e lanchonetes. “Este retorno veio em boa hora, a gente já não agüentava mais ficar tanto tempo parado. No início fizemos uma engenharia financeira, conseguimos sobreviver, mas hoje após a reabertura, o que faço serve apenas para pagar as contas”, disse Edson Teixeira, dono de um restaurante. (Leia mais abaixo)
Bruna Nascimento, gerente de uma loja de presentes na Rua 21 de Abril, disse que tem buscado se reinventar para superar as dificuldades. “Com esta fase de pandemia está sendo muito difícil. Com isso, cada um vem tentando se reinventar à sua maneira para reverter esta situação que veio assim sem ninguém esperar, dificultando a vida de todo mundo. Sendo assim nós, comerciantes, estamos buscando reinventar novas formas de vender, com maior divulgação, telefonando para os clientes toda semana, melhorando a exposição dos produtos, mostrando novidades com preços promocionais e mais atrações nas vitrines”, explicou.
Já o empresário Sidney Rangel do Rosário, proprietário de uma loja na Rua João Pessoa, também busca atrair clientes com promoções e preços especiais para driblar a crise. “Estamos fazendo promoções com preços especiais todas as semanas para que possamos aumentar nossas vendas e superar os efeitos desta pandemia. A Rua João Pessoa é o maior shopping a céu aberto de Campos, que atende a clientes não só do município, mas também de outras cidades. E estamos também buscando atender aos clientes com todos os protocolos de segurança com máscaras e álcool em gel”, afirmou.
Os proprietários e funcionários de supermercados, farmácias, padarias, oficinas mecânicas, borracharias e materiais de construção passaram a pandemia sem maiores sustos com as portas abertas no período da Covid 19 por serem consideradas atividades essenciais.
SUPERMERCADOS E FARMÁCIAS - “Os supermercados, as drogarias e farmácias não tiveram dificuldades. Estas últimas inclusive, além de terem mantido suas vendas, já que ninguém deixa de tomar medicamentos na pandemia, tiveram aquecimento nas vendas de álcool em gel que no princípio da Covid 19 chegou até mesmo a faltar nas prateleiras. Mas outras atividades passaram e ainda passam por sérias dificuldades”, lembrou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Leonardo Castro de Abreu.
Outros segmentos ainda vivem o mais amargo dos dissabores da crise, como as casas de eventos e reuniões, assim como os colégios e as faculdades particulares, que ainda não reabriram suas atividades. (Leia mais abaixo)
O quadro de demissões, avalia ainda Leonardo, só não foi maior devido as medidas emergências adotadas pelo governo federal. “A manutenção dos empregos se deveu às medidas do governo federal para que o empregador pague somente uma parte dos salários, além da redução da jornada de trabalho”.
Outras alternativas encontradas pelos comerciantes e empreendedores na pandemia foram as vendas em sistema de delivery e pelos canais digitais. Proprietário de um mercadinho em Guarus, Diego Mello já fazia entregas em domicílio e vendas virtuais pelas redes sociais desde o ano passado, mas com a pandemia, percebeu que deveria potencializar esses canais de venda.
Ele aumentou o investimento em divulgação e fortaleceu o sistema de delivery. A adaptação para a nova realidade impôs alguns desafios. Além da logística, foi preciso planejar muito bem o sistema de recebimento de pedidos para não deixar os clientes esperando da encomendas por muito tempo. “Se eu não estivesse no meio virtual não iria inviabilizar meu negócio, mas me prejudicaria muito para uma reerguer meu negócio”, avaliou.
Diego afirma que as dificuldades nas vendas pelas plataformas digitais têm diminuído. “Hoje o avanço da tecnologia permite que qualquer comerciante ingresse quase que imediatamente no comércio digital. Há várias ferramentas com custo muito abaixo do mercado e que dispensam o desenvolvedor, website ou designer. Só precisa de uma boa foto do produto para começar a vender”.
A Acic e a CDL têm disponibilizado informações com a lista de estabelecimentos que contam com serviços em delivery e vendas online. Entre outras iniciativas para dar fôlego a economia local, a campanha Compro Onde Moro, visando valorizar o comércio campista e incentivar as compras na cidade, fazendo com que o dinheiro circule no município. (Leia mais abaixo)
Este mês, um evento de nível nacional promete impulsionar as vendas, a Semana Brasil, iniciativa capitaneada pelo governo federal e pelo Instituto de Desenvolvimento do Varejo. As Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) de estão envolvidas na campanha, que busca incentivar as vendas. A ação começou na quinta-feira (3) e se estende até 13 de setembro.
“A Semana em 2020 vai se tornar o ponto de partida de um novo tempo para o comércio, tempo de normalização da relação econômica entre pessoas e empresas” disse o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fabio Wajngarten. “Vai contribuir para a superação em momentos decisivos de grande adversidade e contribuir para que o possamos encontrar saídas para atravessar a crise econômica”, completou Fábio.