Comerciantes e empresários de Campos preveem quebradeira




26/03/2020, 00h15, Foto: Campos 24 Horas.

Todos os comerciantes e empresários de Campos estão apoiando as medidas governamentais tomadas para conter a proliferação do vírus COVID-19, o coronavírus, mas não deixam de estarem preocupados com a situação financeira que se desenha, após a crise mundial. Para a maioria, incluindo líderes de classe, muitos pequenos negócios ou mesmo aqueles maiores, que não tiveram tempo de se estruturar financeiramente, poderão quebrar. Nesta terça-feira (24), a CDL de Campos em nome de várias entidades de classe, divulgaram carta aberta justamente relatando essa preocupação (VEJA CARTA ABAIXO)


Algumas prorrogações estão sendo oferecidas pelos governos municipal, estadual e federal neste período, como de pagamento de IPTU, INSS, FGTS, SIMPLES, além de suspensão de pagamento de água e energia, entre outros. Nesta segunda-feira (23), o Banco do Brasil começou a liberar operações de crédito para garantir a liquidez financeira das micro e pequenas empresas neste período de pandemia do coronavírus. Mas as categorias que movimentam a economia na cidade afirmam que essas medidas ajudam, mas não será solução para o que está por vir.


Em recente entrevista ao Campos 24 Horas, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Orlando Portugal, disse que o momento é de sacrifício em prol de todos. Mas lamentou a situação que, segundo ele, já estava insuportável. Ele explicou que 2018 foi ruim e 2019 pior ainda e, por isso, vários homens de negócios acabaram apanhando empréstimos ou comprando mais, como forma de tentar, neste 2020, conseguir amenizar os prejuízos acumulados nestes dois anos.


- Eu realmente não sei como vamos suportar. Mas sei também que não tem outra solução no momento, a não ser parar. Especialistas da área médica afirmam que a situação tende a se agravar nos próximos dias e se a gente não agir desta forma, será o caos total da saúde da nossa população – acrescenta Orlando Portugal.


O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), Leonardo Abreu, é outro que também está pessimista quanto ao futuro econômico de Campos. Ele diz que os governos têm feito prorrogações, mas são prorrogações e não isenção. Quando essa crise da saúde passar, analisa Leonardo Abreu, essas contas todas terão que ser pagas de qualquer jeito.


- Essas empresas têm empregados que, depois disso tudo, mesmo não tendo trabalhado por conta do coronavírus, terão que receber seus salários. Como, se não existiu venda, negócios? Infelizmente, muita empresa que não se estruturou financeiramente vai quebrar – analisa Leonardo Abreu.


Situação pode ser pior ainda para os pequenos comerciantes. Sebastião Batista, estabelecido na área central da cidade há 13 anos e há 40 como comerciante em outros pontos da cidade, diz que desde que as autoridades começaram a pedir para as pessoas ficarem em casa, bem antes de fechar por completo, o movimento começou a cair, chegando a redução de 80% nos últimos dias. Para ele, o que poderia ser interessante para todos do ramo seria uma linha de crédito por parte dos governos, com juros mais baixos e prazo mais longo prazo para pagar.


- Muitos comerciantes vão quebrar, vão fechar as portas. Se eles não vendem, não têm dinheiro. E se não têm dinheiro, como arcar com os compromissos todos? Vão tirar dinheiro de onde?”, questiona Sebastião Batista.


Nesta terça-feira (24), a CDL de Campos divulgou carta aberta à população, assinada por várias entidades de classe, preocupadas com a situação econômica do município, expressando tudo o que a reportagem acima se refere.


CARTA ABERTA


Caros cidadãos,


O Corona Vírus está mudando, de forma dramática, a forma como vivemos no mundo, em nosso país e em nossa cidade. As pessoas, por quanto tempo ainda não sabemos, não podem ir ao trabalho, as crianças não podem ir às escolas e a circulação está restrita. As economias mundial, nacional e local sofrerão graves impactos. É preciso encontrarmos, juntos, alternativas para a minimização desses impactos.


Nesse sentido, as entidades abaixo nomeadas vêm, por meio desta Carta, manifestar sua união na luta para manter o trabalho ativo nas empresas de Campos dos Goytacazes, garantindo, ou minimizando a perda, da renda de empresários, trabalhadores e microempreendedores individuais (MEI).


Para tanto, estamos criando um grupo de trabalho para ajudar empresários, MEIs e trabalhadores a encontrarem caminhos para a comercialização de seus produtos e serviços. Convidamos startups, empresas de base tecnológica, pesquisadores e professores de universidades públicas e privadas, desenvolvedores e programadores a juntarem-se a nós na busca de soluções. Se você possui uma empresa de tecnologia em nossa cidade que permite o canal direto e gratuito entre Empresas e Consumidores entre em contato para divulgarmos e contribuirmos ainda mais com o ecossistema local.


Já existem soluções tecnológicas disponíveis e aptas a serem usadas. Algumas são de abrangência mundial como iFood, ‘WhatsApp Business’, ‘Facebook para Empresas’ e outras redes sociais. Outras são de abrangência local como:


Achei Campos


Pediu Farma


Uny


Vimos assim, portanto, encorajar empresários e MEIs a utilizarem desde já essas ferramentas e nos colocar à disposição para orientarmos aqueles que tiverem dificuldades em usá-las.