A "bomba" que explodiu esta semana sobre o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), o deputado campista Rodrigo Bacellar (União Brasil), tem o poder também de causar estragos no governo Cláudio Castro. Os parlamentares que irão decidir no voto, nesta segunda-feira (08/12), se Bacellar continuará ou não preso também definirão se o parlamentar campista será ou não mantido na presidência da Alerj. Porém, tudo que for decidido na Alerj pode encontrar resistência no Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente de Alexandre de Moraes, ministro que decidiu pela prisão preventiva de Bacellar em razão de provas robustas levantadas pela Polícia Federal.
Eleito para comandar a Alerj com a totalidade dos votos dos colegas, Bacellar pode "morrer no naufrágio" sem o apoio de grande parte dos hoje ex-aliados, que temem os impactos negativos de absolver alguém que colaborou com vazamento de informações para proteger o ex-deputado TH Jóias, ligado ao Comando Vermelho. Tudo isso ocorre também às vésperas do julgamento do escândalo do Ceperj, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Leia mais abaixo)
"Ele (Bacellar) pode até ser liberado da prisão, mas por uma margem pequena de votos porque os deputados morrem de medo do ministro do STF, Alexandre de Moraes, da Polícia Federal, mas também sabem que o Bacellar tem aquele jeito truculento...Mas voltar a comandar a Alerj, jamais. Uma autoridade inclusive me garantiu hoje que ele nunca mais na vida irá sentar naquela cadeira de presidente da Alerj", disse o comentarista da Globo News, Octavio Guedes.
O PSD foi o primeiro partido a atirar Bacellar na cova dos leões, mas sem a sorte de Daniel, salvo por Deus na passagem bíblica. Numa reunião dos parlamentares da sigla na Alerj com o deputado federal Pedro Paulo, ficou selado que os deputados pessedistas votarão pela manutenção da prisão de Bacellar. (Leia mais abaixo)
O campo da esquerda também não deverá livrar o presidente da Alerj do cadafalso. Após uma reunião, deputados do PT, PSOL, PC do B e PSB definiram que o grupo irá votar pela manutenção da prisão e pela perda do cargo de presidência da Alerj.
Enquanto isso, os sete deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) anunciaram uma reunião na segunda-feira, às 11h, para análise e votação a fim de levar a matéria à votação do plenário no mesmo dia. (Leia mais abaixo)
Enquanto isso, várias lideranças políticas se apressaram em apagar fotos e vídeos em suas redes sociais com imagens ao lado de Bacellar.
No Palácio Guanabara, o governador Cláudio Castro baixou uma portaria levando o deputado Jair Bitencourt novamente para ocupar a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Interior, Pecuária e Agricultura Familiar. (Leia mais abaixo)
A decisão de Castro para que o parlamentar tivesse nova licença na Alerj visa impedir a participação de Jair na votação que decidirá se a Casa referenda ou rejeita a prisão de Bacellar.
É uma tentativa de Castro em preservar um grande aliado, uma blindagem pessoal para evitar um desgaste ao deputado itaperunense e reforça o atual clima de tensão e apreensão na Alerj. (Leia mais abaixo)
TSE - Tudo isso ocorre também às vésperas do julgamento do escândalo do Ceperj, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Castro e Bacellar foram denunciados pela criação de 27 mil cargos fantasmas em um esquema que custou aos cofres públicos cerca de R$ 248 milhões.
Se forem condenados à cassação, os eleitores do Estado poder ter que ir às urnas antes de outubro de 2026. Até lá, o eleitor fluminense só tem a lamentar o inventário de tantas mazelas, mas não morrerá de tédio. (Leia mais abaixo)