Começaram nesta sexta-feira (4) os testes em voluntários da vacina contra dengue. A estudante de medicina Helena Marques, de 19 anos, foi a primeira voluntária a receber a vacina. Ela faz parte de um grupo de 700 voluntários que vão participar dos testes que devem durar até janeiro de 2023 no Rio Grande do Sul.
“Acho que assim a gente serve também de exemplo para as pessoas se vacinarem, para as pessoas participarem de pesquisas e continuarem acreditando na ciência”, diz Helena. (Leia mais abaixo)
A vacina está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com 16 centros de pesquisa no Brasil. O estudo começou em 2016 envolvendo 500 pessoas. A vacina em testes tem uma tecnologia que usa os quatro tipos de vírus da dengue que circulam no Brasil.
“Ela é eficaz para todos quatro tipos do vírus da dengue, podendo ser eventualmente um pouco menos eficaz para algum subtipo do que outro, mas muito próximo de 90% de proteção para todos os tipos”, explica o infectologista Fabiano Ramos, coordenador da pesquisa.
Hoje existe apenas uma vacina contra a dengue disponível no mundo, e ela é restrita a quem teve já a doença. Os voluntários do novo estudo vão ser acompanhados por um ano.
A vacina vai apresentar um grande salto para a ciência. Há mais de 50 anos os pesquisadores tentam encontrar uma forma mais eficaz de proteção contra a dengue. Esta é a última fase de testes. Se for aprovada, a expectativa é que a vacina, em 2024, comece a ser aplicada na população brasileira pelo SUS.
O Rio Grande do Sul foi escolhido para testar a vacina nessa fase por ter baixa incidência de infecções de dengue, quando comparado com outras regiões do país. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve neste ano mais de 1,3 milhão casos de dengue. (Leia mais abaixo)
“A gente está cansado de ver notícias tristes todo ano no número de casos, e eu acredito que, fazendo parte dessa pesquisa, a gente pode ser prova viva de que ações como essas, investindo na pesquisa, a gente tem a possibilidade de ajudar o Brasil nessa preservação de vidas”, afirma o voluntário Luciano de Souza Almeida.
Fonte: G1