Com Romário modelo, política "corte zero" da Seleção mantém Fred e grupo intacto

Meia dificilmente terá condições de enfrentar a Suíça, na estreia da Copa, mas orientação de só tirar jogadores do grupo em casos de extrema gravidade tranquilizou sua recuperação


  • 15/06/2018 10h44 Foto: Matt Dunham/AP.
O meia Fred dificilmente terá condições de ficar no banco de reservas na estreia do Brasil na Copa do Mundo, domingo, contra a Suíça. Mas engana-se quem pensa que isso pode provocar sua exclusão do torneio. Baseada em suas convicções e no forte exemplo do caso Romário, de 1998, a comissão técnica adotou a política do “corte zero”. A orientação era esgotar todas as possibilidades, sem pressa, na reabilitação. Para abrir mão de um convocado, a lesão teria de ser muito grave e tirar o atleta de ação por longo tempo. Não é o caso do meio-campista contratado pelo Manchester United por cerca de R$ 240 milhões. Ele deve voltar a treinar com o grupo nesta sexta-feira, em Sochi, antes da viagem para Rostov-on-Don, palco da partida. Pouco tempo para deixá-lo em condições físicas e técnicas de encarar um desafio tão importante, mas suficiente para que ele esteja à disposição no dia 22, diante da Costa Rica, em São Petersburgo. Fred sofreu um trauma no tornozelo direito no treino do dia 7, em Londres, ao ser atingido pelo Casemiro. Desde então, não fez atividades com os companheiros, mas foi avisado desde o início que não havia a menor intenção em cortá-lo. Processos similares ocorreram com Douglas Costa, que se apresentou com lesão muscular na coxa esquerda, e Renato Augusto, ausente de treinamentos na Inglaterra por causa de uma inflamação no joelho esquerdo. A comissão técnica optou por tranquilizar os jogadores para que eles não tentassem acelerar o retorno e, juntamente a fisioterapeutas, médicos e preparadores físicos, forçassem situações emergenciais. A lembrança do corte de Romário em 1998 é muito forte nessa Seleção. O artilheiro foi tirado da Copa do Mundo por lesão muscular e voltou a jogar pelo Flamengo com o torneio ainda em curso. Ele detonou a dupla Zagallo e Zico, na época técnico e coordenador da Seleção, que foi vice-campeã. Tite não se importa de perder jogadores por uma ou duas partidas na primeira fase. Avalia que nenhum substituto convocado em cima da hora ganharia minutos em campo nesses jogos iniciais, por uma questão de hierarquia. Aberto aos jornalistas apenas nos 20 minutos iniciais, o treino de quinta foi extremamente intenso e de uma carga superior ao que Fred poderia suportar nessas condições, com atividades específicas ao longo de uma semana. Enquanto titulares e reservas se enfrentavam num espaço reduzido, o reforço do United era acompanhado de perto pela fisioterapia. – Tá firme? – indagou Ricardo Sasaki, após uma corrida do meia em torno do gramado. A resposta foi positiva. Com um treino de menos exigência física programado para esta sexta-feira, e completamente fechado a público e imprensa, a tendência é que Fred participe. O restante do grupo estará relacionado para a estreia na Copa, inclusive Renato Augusto, que ficou ausente do banco nos dois amistosos contra Croácia e Áustria. O Brasil tem até as 15h deste sábado (horário de Brasília) para cortar algum jogador do grupo, baseado em lesões comprovadas à Fifa, e convocar um substituto. Não deve acontecer. (GloboEsporte)



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