Com problemas e dúvidas no meio, Muricy segue otimista

Em entrevista à Rádio Transamértica, treinador fala do momento do Flamengo


05/04/2016    19h     |    Foto: Divulgação  20160405173524_955Menos de quatro meses foram o suficiente para Muricy Ramalho perceber que a realidade no Flamengo seria mais dura do que ele imaginava quando assinou seu contrato de dois anos. Aeroportos, ônibus e deslocamentos além da conta – por causa de um ausente Maracanã –, em um curto período de temporada, representam o principal obstáculo para melhores resultados em campo, de acordo com o próprio treinador. Ele, no entanto, se mantém otimista. Se o bordão "aqui é trabalho" parece redundante no dia a dia de Muricy, ele pode ser aplicado com mais certeza nesta semana, em que a comissão terá os dias livres de jogos para corrigir erros e recuperar seus jogadores, até a partida de sábado, contra o Boavista, pela sexta rodada da Taça Guanabara, às 16h, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. – O desgaste foi muito maior do que a gente pensava. Eu nunca tinha participado disso. E a diferença é brutal dos times que não estão fazendo isso. Os outros adversários nossos não faziam. A diferença física é muito grande. Mas não é só física, é mental também. É aeroporto, é avião. É um monte de coisas que preocupam os jogadores e desgastam demais. Sabemos o que os jogadores estão passando. Mas percebemos os jogadores muito comprometidos, trabalhando muito forte. Não reclamam de nada – diz o treinador, em entrevista à Rádio Transamérica. Os resultados virão, garante Muricy, que mostra ter plena confiança no trabalho da diretoria e do departamento de futebol. Quando o assunto é Paolo Guerrero, os elogios são feitos facilmente. O treinador parece entusiasmado com a disciplina do peruano. Agora, se o tema é quem escalar no meio de campo – com o iminente retorno de Mancuello, recuperado de lesão, e as opções de Ederson e Alan Patrick, que vem tendo bom desempenho nos jogos –, a dúvida paira no ar, com um certo bom humor: – Vamos ter que escalar 12 ou 13 (risos). É muita gente boa. Confira a entrevista com Muricy Ramalho: Acidente com Jorge no treino – Realmente foi um susto. Uma trombada. Ele foi quase que a nocaute. Nos preocupou um pouco na maca, se assustou muito porque a pancada foi dura. Ontem ele começou a melhorar muito rapidamente. A preocupação era com os movimentos, e estavam normais. Os médicos dizem que quando leva uma pancada assim a pessoa fica muito assustada. Mas depois foi se recuperando. Todo mundo o apoiando. Mas é importante fazer os exames. Falei com os médicos ontem à noite mesmo. Hoje de manhã conversei com ele por telefone. Ele dormiu bem. Teve um pouco de dor de cabeça, mas normal. Ele queria vir treinar de manhã, mas o doutor achou melhor que ele ficasse em casa. Pelo o que eu conversei com ele, pela voz, ele está saudável, está bem. Também é jovem. É atleta e se recupera rápido. Semana livre para treinamentos – Para nós, que estamos no futebol, sabemos que é importante trabalhar. No último jogo, escalamos o time meio-dia, no almoço, depois do exame, e isso não é futebol. Trabalho é importante, porque recuperamos os jogadores, está todo mundo inteiro. Nossa grande preocupação era a semana que foi do clássico, porque vínhamos de muitas viagens, dois clássicos seguidos com viagens. Mas fomos até melhor fisicamente do que o nosso adversário. A semana é importante para corrigir. Tem muitos jogadores jogando em sequência. É o caso do Guerrero. Estava arrebentado e já está recuperado. Essa semana vai ser boa para os treinamentos. – Eu nunca tive essa experiência mesmo. Primeiro que quando fui assinar o contrato eu não sabia disso, infelizmente, porque estava muito preocupado com a estrutura. O desgaste foi muito maior do que a gente pensava. Eu nunca tinha participado disso. E a diferença é brutal dos times que não estão fazendo isso. Os outros adversários nossos não faziam. A diferença física é muito grande. Mas não é só física, é mental também. É aeroporto, é avião. É um monte de coisas que preocupam os jogadores e desgastam demais. Como nós somos da bola, sabemos o que os jogadores estão passando. Mas percebemos os jogadores muito comprometidos, trabalhando muito forte. Não reclamam de nada. O que o Guerrero fez foi muito importante para mostrar isso. É um grupo que trabalha muito. São coisas normais do futebol, mas não dá para a pessoa não se preparar para entrar em campo. Isso é que é o pior para o jogador. Diferença do Flamengo para as demais equipe que passou – O tamanho. Trabalhei em grandes clubes, gigantes em tudo. Mas isso aqui é muito gigante, muito grande. Está sendo legal, porque é um desafio. As pessoas que estão no Flamengo hoje, diretoria e funcionários, estão querendo fazer o melhor. O trabalho é muito bem feito. Isso anima a gente, porque é uma coisa produzida, não é nada mais ou menos. É um trabalho que há muito tempo eu não via, em outros clubes que eu passei. Por isso a gente tem certeza que vai ser sucesso. Experiencia com Guerrero e desafio de motivar um jogador experiente – Nós não precisamos motivar jogadores como ele, que é diferente. Jogador que tem uma história na seleção peruana, na Alemanha. Nós percebemos agora nesse momento difícil dele de jogos, que não precisamos exigir nada dele. Sabíamos que seria um sacrifício muito grande. Jogar eliminatória em um país diferente, aí enfrenta problemas de voo. E veio para jogar. Achamos até que ele ficaria no banco, jogaria 10, 15 minutos. Mas não. Jogou o tempo todo e brigou o tempo todo. Sabemos que um clássico não é fácil. Se reapresentou, voltou a jogar de novo. Não precisa motivar um jogador desse. É um profissional diferente, muito responsável nos treinamentos. Treina duro. Não sei se isso é dele desde moleque ou se aprendeu na Alemanha, porque a Alemanha é um país duro para os treinamentos, para a mentalidade do jogador. É um profissional que não preciso ficar motivando. Só de estar no Flamengo, todo mundo tem que estar motivado. Quando o Flamengo voltará aos bons resultados – Eu mexi muito no time também. Não tinha jeito, eu tinha que fazer isso, senão ia estourar o time todo. Tive que mexer no time. Estamos formando um novo time. Os resultados não acontecem por vários motivos. Indo mal preparados para o jogo. O trabalho está sendo bem feito e, daqui a pouco, os resultados vêm. – É um jogador que resolvemos queimar um pouco as etapas. O Paquetá também, Ronaldo, Léo. Já entrosamos com os mais experientes. Claro que eles oscilam um pouco. São meninos ainda. O Vizeu é um menino ainda. Ano passado nem titular era dos juniores. Surgiu na Copa São Paulo e foi bem. Temos que dar oportunidades, mas não exigir tudo deles. Estamos olhando com carinho. Tudo depende do jogador, sempre. O jogador dá resultado. Enquanto ele estiver dando resultado, ele vai permanecendo. Mas não podemos impor responsabilidade em cima dele. Ainda tem muito tempo de carreira. – Todo trabalho aqui é muito bem feito e elaborado. Ele vem há muito tempo fazendo trabalho físico, porque ele teve um problema sério. Semana passada, chegou a trabalhar com bola, mas em campo reduzido. Para ele ter mais contato mesmo com o adversário. Porque quando ele tem contato percebemos se ele está bem ou não no joelho. Porque a articulação é complicada. Agora chegou a fase de aumentar o campo. Essa semana vamos aumentar o campo para ele, fazer um coletivo, um jogo-treino, para ele, aí sim, sentir como está. Depois disso, vamos nos reunir com os fisiologistas, médicos, ouvir o jogador, assim como fizemos com o Ederson, pouco a pouco. Não sei quando tempo ele aguenta. Se aguenta 40 minutos, 50 minutos. Vamos fazendo muito bem as coisas para não ter arrependimento de por o jogador antes, de arrebentar o jogador. Com ele não vai ser diferente. Disputa no meio entre Allan Patrick, Ederson e Mancuello – Vamos ter que jogar com uns 12 ou 13 (risos). Tem muita gente boa, isso é legal. Eu tenho por característica fazer as coisas por merecimento. Quando eu tenho duvida em uma posição, eu faço por mérito. Aqui é assim a filosofia, e os jogadores sabem. Porque senão o cara é dono da camisa e nunca mais sai. Aqui não tem essa. O cara vai bem, permanece. Claro que temos que por em prática, porque aqui na conversa fica muito fácil. A gente tem a semana toda para por em prática, para sentir se esse time que pensamos vai bem ou não. Fazemos muito pela parte tática do jogador, mas muito também por mérito.



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