Os boletos dos fornecedores, as contas de luz, água e telefone, a cobrança do aluguel e os carnês com o valor do IPTU não param de chegar. São despesas líquidas e certas, mas grande parte dos comerciantes de Campos não tem como pagar na terceira semana de portas fechadas devido ao lockdown por conta da pandemia da Covid-19, de acordo com as entidades representativas do lojistas do município, que pedem uma contrapartida do governo para que o setor possa respirar e não sucumbir diante dos impactos do quadro de desidratação financeira. Com suas portas fechadas, os comerciantes, lojistas e prestadores de serviços realizaram uma manifestação nesta terça-feira (06) na Rodovia BR-101. O Campos 24 Horas mostra como esse momento é encarado pelos presidentes de duas entidades do setor empresarial: da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), José Francisco Rodrigues, e da Associação Comercial e Industrial, Leonardo Abreu.
“Nós temos perfeita noção da situação da pandemia no município, com 100% dos leitos de UTI ocupados, as pessoas na fila buscando uma vaga, morrendo por conta do vírus, que é um problema não só de Campos, mas de todo o país. Mas mesmo com o lockdonwn tem sido grande a circulação de pessoas nas ruas, com os idosos que vão receber o dinheiro de suas aposentadorias, além do pessoal que vai apanhar o auxílio-emergencial. Não é o comércio, portanto, que está causando aglomerações”, argumenta o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Leonardo Castro Abreu. (Leia mais abaixo)
Leonardo acrescente ainda que os reflexos irão recair sobre o setor público. “Chega a uma situação em que as consequência irão recair para o setor público porque o comerciante não terá até mesmo como pagar os seus impostos”.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), José Francisco Rodrigues, prenuncia um cenário de graves de dificuldades do setor com o encerramento de atividades e demissões em massa.
“O comerciante já tem dificuldades em pagar o salário dos seus funcionários neste mês de abril. Se ele fica com as portas fechadas, não vende. Se não vende, fica sem caixa. Se ele demite, não tem nem mesmo como pagar as verbas rescisórias ao empregado. É uma situação que já estava difícil e só tende a piorar. Outros compraram seus artigos e produtos, mas não tem como pagar o fornecedor porque não vende, a mercadoria está encalhada na prateleira”, pondera o presidente da CDL.
A ajuda do governo federal ao micro e pequeno empresário com a criação do Pronampe não gerou o efeito desejado, segundo Leonardo. “Mais de 70% das empresas no país não tiveram acesso aos recursos porque tem restrições. Precisamos de uma contrapartida do setor público para que as empresas possam respirar durante este período em que o comerciante só vê despesas e contas a pagar, mas não tem dinheiro em caixa porque não tem faturamento”, analisou.
Em seu site na internet, a CDL reforça que “o comércio de Campos que segue rigorosamente os protocolos de segurança no curso da pandemia, desde o ano passado, entra na terceira semana consecutiva fechado. Segundo os empresários “isso é o suficiente para fechar definitivamente cerca de 30% dos estabelecimentos comerciais provocando mais de 20 mil demissões”. O protesto na BR-101 aconteceu de forma pacífica e com faixas alusivas ao descontentamento do setor com as medidas adotadas, e alertando para a maior crise da história da economia do município. (Leia mais abaixo)