Mais de 11 mil formados: Uenf faz 30 anos de conquistas e superação de desafios

Uenf está entre as 15 melhores instituições de ensino superior do país


  • 16/08/2023, 22h26, Foto: Divulgação.

Postado por Fabiano Venancio - Lá se vão três décadas entre o sonho de Darcy Ribeiro transformado em realidade e que inspirou a sociedade campista a ir à luta para a conquista da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) na busca de uma fonte de conhecimento e pesquisa para a transformação da realidade local. A instituição agora balzaquiana cumpre seus 30 anos como uma jovem senhora revolucionária que venceu desafios, desbravou as fronteiras do conhecimento e hoje ostenta posição privilegiada no topo das 15 melhores instituições de ensino superior do país. Mesmo diante de entraves estruturais e culturais.

Vários eventos marcaram os 30 anos da universidade, nesta quarta-feira (16), entre elas o lançamento de um livro onde a data está registrada. A obra foi lançada pela Editora da Uef (EDUENF), durante o Conselho Universitário Solene (CONSUNI), no Centro de Convenções. A versão digital já está disponível no site da Eduenf e a impressa será lançada ainda em agosto. Este é o primeiro volume de uma coletânea de cinco livros previstos a serem publicados ainda em 2023.   (Leia mais abaixo)

O primeiro volume, de 165 páginas, é dividido em 15 capítulos que contam a trajetória administrativa e institucional da Uenf, incluindo os avanços nestes 30 anos, período em que a Universidade foi administrada por nove reitores. Histórico sobre a luta pela implantação da Uenf e a contribuição de personalidades, como o ex-governador Leonel Brizola, o antropólogo Darcy Ribeiro e o arquiteto Oscar Niemeyer, também estão descritos no livro.

O reitor da Uenf, Raul Palacio, destacou que o livro, entre outros pontos, deixa clara a razão pela qual a Universidade foi criada. “A Uenf foi idealizada como uma lupa para o desenvolvimento das regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio. E a Uenf cumpriu esse objetivo, seja em qualquer ponto de vista, como, por exemplo, na formação de pessoas, com seus mais de 11 mil formados. A universidade criou uma quantidade suficiente ou pelo menos necessária de profissionais capacitados para ajudar no desenvolvimento regional. Muitas pesquisas desenvolvidas na Uenf abordam pontos importantes para o crescimento regional. E reunir tudo isso em um livro é fundamental porque, se a gente não escreve, não registra a história, em um determinado tempo ela será esquecida”, pontuou o reitor, que parabenizou a editora-chefe da Eduenf, professora Katia Valevski Sales Fernandes, pela organização da coletânea. 

Ainda como parte das comemorações das três décadas da universidade, subiu ao palco da Concha Acústica do Centro de Convenções Oscar Niemeyer,  a cantora Roberta Campos, uma das maiores revelações da MPB nos últimos anos.

O Campos 24 Horas ouviu alguns docentes e estudantes da universidade na celebração dos 30 anos da Uenf. O professor Alcimar Chagas Ribeiro enfatiza a importância da Uenf e seu papel no projeto de desenvolvimento regional, mas pondera que não houve uma contrapartida da sociedade. 

“Foi algo fabuloso a implantação da Uenf, segundo a inspiração de Darcy Ribeiro, sobretudo a proposta em trazer o conhecimento e a pesquisa para o interior algo que só privilegiava os grandes centros.  Vieram pra cá pesquisadores de ponta, alguns de larga experiencia de Minas Gerais e São Paulo.  Um projeto de desenvolvimento regional e a importância da redução das diferenças regionais, é algo que já se pensava nos anos 60. A Uenf veio facilitar isso, formou muita gente, mas encontrou certa dificuldade em fixar esses profissionais aqui em Campos e região. São contradições, dificuldades que se devem ao fato de a sociedade local e suas instituições, dos setores público e privado, não haverem entendido o potencial da Uenf e o que que ela poderia gerar no processo transformação da realidade regional. Precisamos vencer esta barreira”.    (Leia mais abaixo)

O geógrafo e professor da Uenf, Marcos Pedlowski, destacou o papel da universidade no processo de desenvolvimento regional.

“Acredito que, depois de 30 anos, a Uenf que demonstrou que é capaz de ser uma força motriz do desenvolvimento regional. A chegada de pesquisadores e o desenvolvimento de capital humano da região é uma prova disso. Neste sentido trouxemos boas contribuições nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, algo que não só repercutiu materialmente na vida das famílias dos nossos estudantes, muitos sendo os primeiros a ocupar posições acadêmicas e possuir títulos de graduação”.   

Ao mesmo tempo, Pedlowski avaliou os entraves gerados pelas dificuldades de financiamento que atingiu a universidade, mas a sociedade fluminense de um modo geral. “Creio que a Uenf, assim como a sociedade fluminense, tem sofrido os impactos da crise do Estado, o que repercutiu no encolhimento de seu financiamento pois dependemos das verbas do Estado, mas depois logo se estendeu para o governo federal, o que acabou resultando em dificuldades para o desenvolvimento pleno da instituição”.

Ainda de acordo com o professor Marcos Pedlowski, o maior problema neste momento na Uenf é a acomodação a um status quo que não aproveita os melhores aspectos institucionais que o projeto de Darcy Ribeiro desenvolveu para a universidade.

“Minha expectativa, particularmente, com a eleição que vai acontecer aqui, é a de que consigamos retomar alguns objetivos estratégicos. É importante pensar que Darcy e o Brizola não pensaram a Uenf não apenas como geração de capital humano, mas capital também voltado para a resolução dos graves problemas sociais nós enfrentamos do Norte/Noroeste Fluminense”,   (Leia mais abaixo)

Por fim, o geógrafo ressaltou a necessidade de superação de uma certa apatia na instituição e, mais importante, redinamizar suas atividades às novas situações que tem a ver com a disseminação de novas tecnologias e demandas que brotam da sociedade. “Assim vamos fazer com que que a Uenf seja presente naquilo que Darcy chamava de consciência cidadã.  Não sermos meramente reprodutores de ciência e tecnologia, mas transformadores da forma de pensar, de gerar e distribuir riqueza.  É o nosso grande desafio. Precisamos vencer a apatia e a acomodação, sempre”, concluiu.  

 A socióloga Luciane Soares Silva lembrou também do legado de Darcy Ribeiro nos 30 anos da universidade. “Nestes 30 anos da Uenf é preciso lembrar sempre de recuperar o legado da Darcy Ribeiro. Inventar o Brasil que queremos. Mas também devemos lembrar de Paulo Freire, Anísio Teixeira e Florestan Fernandes. Devemos pensar a escola pública e a universidade como porta da democratização do acesso à ciência. E seguir no caminho da transformação”,  concluiu a professora da Uenf.    



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