
Sob esquema forte de segurança pelas autoridades egípcias, o Papa Francisco celebrou na manhã de sábado uma missa para 15 mil pessoas num estádio do Cairo, unindo fiéis e ainda bispos coptas e anglicanos. Diante de um país sob ameaça do terrorismo e que recentemente teve 45 mortos em ataques coordenados a igrejas, o Pontífice fez um apelo à união dos muçulmanos contra o radicalismo islâmico e o fanatismo. No final da tarde, ele deixou o país.
— A verdadeira fé nos leva a proteger os direitos dos outros com o mesmo zelo e entusiasmo com os quais defendemos nossos próprios direitos — disse o Papa diante da multidão.
A missa após uma sexta-feira de encontros com líderes políticos e religiosos foi acompanhados por milhares de fiéis com bandeiras do Vaticano e do Egito. Com proteção apurada, líderes muçulmanos e de outras vertentes cristãs também acompanharam.
— Estamos tão felizes que nem nos importamos de ficar esperando. Estamos orgulhosos de que o Papa esteja no Egito — disse uma fiel Kanzi Bebawi.
Francisco, por sua vez, decidiu não usar um carro à prova de balas, optando por um modelo popular que costuma usar.
— Deus se satisfaz apenas por uma fé que é proclamada por nossas vidas, pois o único fanatismo que os crentes podem ter é o da caridade, qualquer outro fanatismo não vem de Deus e não lhe agrada — assegurou o Pontífice.
O apelo por coragem foi o tom dos fiéis que acompanharam a missa aberta:
— É muito importante que ele esteja aqui. Não temos medo de ir à igreja no Egito — afirmou Nabil Shukri.
Após a missa e um almoço com bispos egípcios, Francisco se reuniu com futuros sacerdotes em um seminário copta católico. Posteriormente, o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, o cumprimentou pela última vez ao pé de seu avião, ao término de uma visita de 27 horas, sua primeira a este país de maioria muçulmana.
Contra a 'violência cometida em nome de Deus'
Um dia antes, durante sua primeira visita ao Egito, onde a minoria cristã local sofre constantes ataques, Francisco denunciou a "violência cometida em nome de Deus", assim como "o populismo que ameaça a paz".
— O sofrimento de vocês também é o nosso sofrimento — declarou o Pontífice em discurso na sede da Igreja copta ortodoxa diante do papa Teodoro II.
Os dois líderes religiosos caminharam por 100 metros em procissão, cercados por guarda-costas e dignatários, até a igreja de São Pedro e São Paulo, atingida em dezembro por um atentado reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI). Francisco e Teodoro II firmaram um acordo ecumênico para que os católicos que decidam abraçar a tradição ortodoxa não sejam batizados novamente, antes de se sentarem próximo a um altar e assistirem uma cerimônia na qual um coro entoou cânticos religiosos.
Fonte: O Globo