O reaquecimento do mercado da construção civil trouxe reflexos na indústria de cerâmica de Campos, que deixou para trás os últimos anos, período em que o setor mergulhou numa crise com fechamento de algumas indústrias e demissões. “Diferentemente de alguns anos atrás, quando atravessamos nossa pior crise, com demissões e o fechamento de algumas cerâmicas, o panorama de hoje é de otimismo com o aquecimento de vendas, devido aos juros baixos que tem incentivado o programa de casas populares e outros produtos da construção civil”, admite o ceramista Osiel Batista Crespo Filho, ex-presidente do Sindicato das Cerâmicas de Campos.
Este ano, a rotina é o tráfego diário de 300 caminhões que deixam a Baixada Campista pela Rodovia BR 101 em direção ao Grande Rio, principal mercado que absorve mais de 80% da uma produção de 3 milhões de peças por dia das mais de 100 cerâmicas da região, que empregam cerca de 4 mil trabalhadores. (Leia mais abaixo)
Durante o período de crise, as olarias chegaram a trabalhar com cerca de 60% de sua capacidade de produção. Com o mercado tímido desde 2015, não havendo como escoar a produção, a solução foi frear a produção. Os preços também se tornaram mais atraentes: o milheiro de tijolo lajota 20x30, o mais requisitado, passou a custar entre R$ 600,00 e R$ 700,00. Antes, o preço ficava em torno de R$ 400,00.
Os números da geração de empregos na construção civil no Estado do Rio de Janeiro demonstram a recuperação do setor com saldo positivo em setembro e no acumulado do ano.
No mês, foram criadas 152.553 vagas de emprego formal (com carteira assinada) para 107.304 demissões, um saldo positivo de 45.249 postos de trabalho.
No acumulado do ano (entre janeiro e setembro), o setor efetuou um total de 1.157.064 contratações de trabalhadores. No mesmo período, foram realizadas 1.054.956 demissões, restando um saldo positivo de 102.108 vagas de emprego formal. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.
Osiel Filho admite que o setor tem acompanhado a campanha eleitoral em Campos e espera que o próximo prefeito invista em serviços essenciais e obras de infraestrutura. (Leia mais abaixo)
“O que esperamos é que o próximo gestor eleito consiga manter os serviços essenciais como saúde, educação e transporte, mas também possa investir em obras de infraestrutura e casas populares para suprir também nosso déficit habitacional e adquira os produtos das indústrias do município que geram empregos aqui. Há empresas de fora que levam o dinheiro daqui para fora. Nós trazemos o dinheiro de fora para cá”, finalizou o industrial.