Clima acirrado leva presidente da Câmara de Campos a apelar: "Precisamos de união"

Ambiente de hostilidades entre vereadores preocupa Fábio Ribeiro


  • 19/08/2021, 09h07, Foto: reprodução- Campos 24 Horas.

O clima de hostilidades que tem predominado entre vereadores da bancada governista e da oposição nas sessões da Câmara Municipal de Campos tem preocupado o presidente da Casa, vereador Fábio Ribeiro (PSD). O tiroteio verbal extrapola as paredes do Legislativo, resvala para as retaliações pessoais e envolvendo o nome até de familiares das partes envolvidas.  Em entrevista ao Campos 24 Horas, o presidente do Legislativo avalia a postura de alguns vereadores.

— O que eu posso fazer é usar o Regimento Interno ou o Código de Ética em caso de excessos. Mas não posso censurar o conteúdo da fala de nenhum vereador, que não cabe numa sociedade democrática. Mas tenho chamado atenção para o fato de que precisamos sair dos embates para os debates. Este enfrentamento não vai levar a nada. Precisamos de união porque temos muito o que fazer e Campos precisa de todos nós — disse o presidente do Legislativo. (Leia mais abaixo)

Fábio Ribeiro avaliou que, quando as relações adquirem um nível de acirramento em razão de embates, a união entre as forças política em prol do bem comum fica prejudicada. “Quando partimos para a discussão tocando no lado pessoal e ferindo a sensibilidade de colegas vereadores, isso impede uma aproximação para que possamos trabalhar em conjunto pela população, independente de siglas e posicionamento partidário”, analisou.

— O maior exemplo de que podemos trabalhar em conjunto, independente de siglas, foi dado pelo vereador Abdu Neme na sessão de terça-feira, quando encaminhou um documento ao governo estadual solicitando verbas para o Hospital Geral de Guarus que agora o prefeito Wladimir Garotinho conseguiu receber. Precisamos fazer esta reflexão, abrir as portas para os projetos, as propostas e os debates, ao invés dos embates — ponderou.

Ainda de acordo com o presidente da Câmara, “o fato de o governo estar com as finanças equilibradas, efetuando em dia o pagamento do servidor público é benéfico para o comércio e as atividades econômicas em geral, mas o que promove o desenvolvimento econômico mesmo são os investimentos em obras estruturantes, com o poder público cumprindo o papel de indutor do crescimento junto com o setor privado”.  

MOÇÃO/UENF - Na sessão desta quarta-feira(18), Fábio Ribeiro propôs uma moção de aplausos pelos 28 anos da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e ofereceu o exemplo da instituição como resultado da união e do esforço conjunto. “À época, a sociedade em geral e lideranças políticas, independente de siglas, se uniram em torno da causa para que o projeto de implantação da Uenf se tornasse viável”, lembrou. “Hoje temos aqui uma das maiores universidades do país”, acrescentou.

"TIROTEIRO" ENTRE VEREADORES- A oposição reclama que os vereadores da situação, especialmente o líder da bancada governista Álvaro Oliveira (PSD), ao defender as ações da atual administração municipal, nunca perde a chance de alfinetar vereadores oposicionistas pela participação na gestão do ex-prefeito Rafael Diniz (Cidadania). "O governo trabalha muito e isso incomoda a eles. Foram coniventes, se omitiram e ajudaram a afundar nossa cidade", afirmou. (Leia mais abaixo)

O vereador Marquinho Bacellar (SD) tem feito inúmeras críticas ao prefeito Wladimir Garotinho (PSD) e sua família, especialmente seus pais Anthony e Rosinha Garotinho. Também tem embates com  Álvaro Oliveira e membros de sua família que são também aliados do casal de ex-prefeitos e ex-governadores.

Igor Pereira (SD) chegou a fazer um apelo direto a Álvaro para que cessasse com as citações de seu nome. “Isso já está ficando enjoado. Tenho maior respeito por Vossa Excelência e vamos conversar depois sobre isso, mas peço aqui da tribuna que pare, por favor. Sempre fui extremamente crítico ao governo de Rafael logo após o segundo ano. E fui secretário também do governo Wladimir. Será que eu sou tão ruim assim? Novamente te peço de coração: pare com isso!”.

Álvaro Oliveira sustentou sua posição pediu também respeito. “Respeito é bom e eu gosto. Não subo aqui para falar de ninguém, mas não vou admitir falar de mim ou de minha família. Sempre que alguém falar, vai ter resposta. Não fico calado. No governo passado levei quatro anos aqui sendo massacrado e cheguei até ameaçado pelo líder do governo. Ninguém levantou uma voz a meu favor”, lembrou o líder do PSD.

Num recado direto a Marquinhos Bacellar, Álvaro avisou. “Quem tem telhado de vidro toma cuidado. Não joga pedra no telhado dos outros, não”, alertou. Bacellar, por sua vez, prometeu fazer um levantamento e trazer ao plenário os processos judiciais a que responde a família Garotinho.  

Também pela oposição, Nildo Cardoso (PSL) também não ficou de fora dos embates, ao criticar aliados do governo que usam as redes sociais. “Presidente, eu não gosto de entrar nessas picuinhas, mas também não sou de fugir do pau, não. Se o bicho tiver que pegar, pega. Está na hora de as pessoas, terem mais um pouquinho de respeito quando se dirigirem as outras, ao usar as redes sociais. Estou aqui há 20 anos na Casa, e não vou servir de burro de alguém que está atrás de um carguinho. Na boa, não vou aceitar, não. É preciso ter respeito. Vamos devagar, respeitar o posicionamento de cada um, aqui ganha-se ou perde-se no voto. Mas tudo tem seu limite. No meu caso, o meu limite quem faz é o outro”, advertiu Nildo.  (Leia mais abaixo)

Pela bancada governista, Leon Gomes (PDT) questionou a oposição. “Percebo que para alguns aqui nesta Casa, respeito é uma via de mão única, onde se pode bater na gente, chamar de papagaio-fêmea ou de pau mandado, tudo isso tá valendo. Cadê o respeito? Moralidade só para eles, os donos da razão, que sempre exigem respeito. Para mim, respeito é uma mão dupla: se você dá, você recebe”, disparou.  

Em seguida, ao ser interpelado por Rogério Matoso (DEM), disparou. “Eu não lhe chamei de mentiroso, vereador. Por favor, quando o senhor tinha a palavra agora pouco em não lhe interrompi”.

Matoso não deixou barato. “Ninguém aqui tem medo de cara feia ou de quem fala mais alto do que o outro”.

Fábio Ribeiro admite que a bancada governista encontra dificuldade em não mencionar o governo passado. “Para se falar das dificuldades encontradas na realidade atual não há como deixar de tratar da realidade anterior”. O clima pesado parece que prevê novos capítulos.  



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