Cláudia Raia comemora 30 anos de carreira

Em cartaz com o musical 'Raia 30', atriz define-se como uma pessoa debochada, garante que encararia uma gravidez numa boa e relembra antigos rótulos: 'Era só uma bunda'


30/09/2015    -    às    13h57      -     Foto: Divulgação  4sdaf0ziqzi60x5is44qjpyq9Como você contaria a história de sua vida profissional em uma hora e meia de espetáculo? De fato, não é tarefa fácil. Mas Cláudia Raia acerta em cheio ao retomar três décadas de sua carreira no espetáculo "Raia 30 - O Musical", com texto presenteado de Miguel Falabella. "Quando você tem 48 anos e vai contar a sua trajetória, por onde começa? Qual o caminho que você vai tomar e o que é preciso em termos ingredientes para não ficar um show de vaidades?", questiona a atriz ao iG Gente, enquanto se prepara para subir ao palco do Teatro Net, em São Paulo. Enaltecer a si mesma não é de seu feitio e isso Cláudia deixa bem claro. "Sou uma pessoaextremamente debochada, adoro não me levar a sério. Gosto de falar das minhas fragilidades e limitações e rir disso. Foi muito difícil achar o tom e o que contar neste espetáculo."Mas ela traçou um caminho e fez um flashback bem-humorado, contando a história de uma menina que nasceu no meio da dança e desde pequena lutou para se tornar a artista completa que é hoje. Alguns pilares foram selecionados para dar corpo ao musical. "O balé clássico, o teatro de revista, o coreógrafo americano Bob Fosse, que foi minha grande inspiração, e o Lennie Dale, que foi meu mestre, meu mentor, são os fios condutores da peça e dão ritmo à história." Fazer uma colagem de tudo que já fez foi deixado de escanteio. "Acho cafona falar do que já foi visto. Eu queria mencionar os momentos mais importantes da minha carreira de uma maneira diferente." Lembrar daquilo que está sendo falado, mas com outros números, figurinos e uma nova estética. "Personagens marcantes e teatrais são revisitados por uma artista que hoje eu sou e não era há 30 anos", analisa ela que leva a plateia às gargalhadas com o Tonhão, da TV Pirata, e a inesquecível Tancinha de "Sassaricando". Ao colocar no espetáculo os musicais estrelados por Cláudia, Falabella teve o cuidado de mudar a letra para contar a história da atriz. "Ele achou um caminho bem sutil para narrar a minha vida e é possível detectar um por um. "Sweet Charity" (2006), "O Beijo da Mulher Aranha" (2000), e assim por diante. Então não ficou pretensioso, não ficou déjà vu." Claudia ainda encontra tempo para fazer piadas com rótulos que foram estabelecidos durante sua jornada. "Eu era só uma bunda e também já chegaram a pensar que eu fosse um travesti. Era o que as pessoas conseguiam ver. Não é meu caminhar, mas é meu caminho, então fui por aí e mostrei a atriz que eu sou, a bailarina que eu sou, a cantora que eu sou. É mais inteligente lidar assim do que ficar negando." Seus casos e amores, no entanto, são colocados em segundo plano. "Não interessa falar sobre a minha vida particular. Não quero encher o teatro para fazer fofoca. Contar como eu conheci fulano ou sicrano, estou fazendo 30 anos de carreira, não 30 anos de pares românticos." E toda vez que surge o assunto no palco, corta para palmeiras balançando ao vento. "A gente achou uma maneira bem humorada de falar sobre isso. A mim não interessa expor meus romances. Até para o público interessaria, mas não é essa a ideia. Sou mais sofisticada do que isso", diz e entrega: "Se um dia eu quiser contar tudo e jogar tudo para o alto, com certeza será aos 80 anos em um livro que vai se chamar 'Ou vai Ou Raia' ou 'A Raia que o parta', aí pronto. Meus filhos já vão aceitar tudo porque vou estar velha mesmo".



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