12/10/2016 14h04 | Foto: ABr

Depois de José Mariano Beltrame pedir demissão da função de secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, agora foi a vez do chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, entregar o cargo.
Em entrevista ao Bom Dia Brasil, da Rede Globo, ele disse que, por causa da crise no Estado, a polícia não tem conseguido fazer seu trabalho corretamente.
De acordo com matéria do G1, Veloso teria dito aos delegados, após a confirmação da sua saída, que tomou a decisão em definitivo quando soube do afastamento de José Mariano Beltrame,confirmado na manhã de terça-feira (11).
“Colocamos nosso cargo à disposição, para que Vossa Excelência possa, sem nenhum embaraço ou constrangimento, montar a sua equipe de trabalho, como convém a toda nova gestão que se inicia”, escreveu Fernando Veloso em comunicado publicado no site da Polícia Civil.
O chefe de polícia também agradeceu ao governador em exercício, Francisco Dornelles, e ao governador licenciado, Luiz Fernando Pezão.
Dornelles diz que saída de Fernando Veloso estava atrelada à de Beltrame
O governador em exercício, Francisco Dornelles, disse na manhã desta quarta-feira que já esperava que o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, fosse deixar o cargo. Segundo ele, a saída estava atrelada a de José Mariano Beltrame da Secretaria de Segurança Pública, que entregou a sua carta de demissão nesta terça-feira. Ainda segundo Dornelles, todos os assuntos sobre Segurança Pública estão sendo tradados diretamente com o governador licenciado Luiz Fernando Pezão.
— Já esperava a saída do Veloso, porque ele estava vinculado ao Beltrame. O Pezão já tinha me avisado que assim que ele deixasse a Secretaria de Segurança Pública, o Veloso também sairia. Mas não participei dessa negociação. Isso ficou por conta do Pezão - explicou o governador em exercício.
Sem querer polemizar sobre o caso, Dornelles não poupou elogios ao chefe da Polícia Civil:
— O Veloso é uma pessoa excepcional. Com uma capacidade muito boa de gerência, mas que infelizmente resolveu deixar o cargo. Só tenho a agradecer todo o empenho dele em frente à Polícia Civil, nesse momento tão complicado pelo qual o estado está passando.
Em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo, Veloso afirmou que já vinha pedindo para deixar o posto desde o ano passado e fez duras críticas à escassez de recursos.
“Quanto menos recursos a polícia tiver, menor será sua capacidade de atuação. Hoje, a dificuldade é grande. O trabalho da Polícia Civil é um trabalho velado. Quando a Polícia Civil não tem recursos, isso impacta na atividade de toda a Segurança Pública”, afirmou.
Já na tarde desta quarta-feira, no RJTV, da TV Globo, Pezão disse que vai dar total liberdade para que o novo secretário de Segurança Pública, o delegado Roberto Sá, monte a sua nova equipe.
“O segredo da política de pacificação foi a despolitização da segurança pública do Rio. Ontem, conversei com o Roberto Sá, por mais de 3 horas, e ele terá autonomia total para escolher o novo chefe da Polícia Civil e montar toda a sua equipe”, comentou Pezão afirmando que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) — criadas na gestão de Beltrame, vão continuar. “Ele é uma pessoa superpreparada. É delegado e formado em Direito na PUC).
Pezão também comentou a declaração de Beltrame de que o estado não tem dinheiro para pagar os salários de dezembro e o 13º:
“Todo o mês está sendo difícil para fechar as contas. Mas temos uma série de medidas que vamos fazer durante o mês de outubro para conseguir fechar as contas. Eu e o governador Dornelles vamos trabalhar juntos na administração do Estado. Volto ao cargo, no dia 31 de outubro. Não vou poder ficar 12 horas como ficava, mas estarei lá por 7 ou 8 horas junto com o Dornelles”.