O impacto da pandemia sobre as cerâmicas de Campos

Presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Campos fala ao Campos 24 Horas


  • 25/04/2020, 10h57, Foto: reprodução-Campos 24 Horas.

E a aflição geral por conta do coronavírus vai fazendo seus estragos. Se antes do novo coronavírus, as cerca de 100 cerâmicas de Campos já atravessavam uma séria crise que gerou quase 2 mil demissões, com o desaquecimento do mercado em razão da pandemia, um cenário de incertezas já toma conta do setor. O presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Campos, Oziel Batista Crespo Junior, revela que, nos últimos anos, oito empresas do setor encerraram suas atividades na Baixada Campista. Segundo ele, no melhor período da economia, o setor chegou a produzir 4 milhões de peças de tijolos por dia, quando cerca de 400 caminhões transportavam diariamente a produção para estes grandes centros de consumo. Hoje esse movimento caiu para 250.

“Muitas lojas e obras estavam paradas e só agora voltaram a trabalhar. Mas mesmo assim, as pessoas estão inseguras com esta situação da pandemia. Está todo mundo com o pé no freio na hora de fazer qualquer investimento”, disse Oziel Junior. (Leia mais abaixo)

De acordo com Oziel, a indecisão na retomada ou não das atividades em vários municípios tem gerado desconfiança no consumidor, com impactos nos diferentes setores da cadeia produtiva.

“Já estamos sentindo as consequências deste cenário de incertezas e de indecisão, de fecha ou não fecha...  Os Estados anunciam uma decisão, já as prefeituras não acompanham a decisão de governadores em alguns casos. É uma indefinição que não traz segurança para nós que dependemos destes mercados”, analisou.

Pelo menos 75% da produção das indústrias, a quase totalidade na Baixada Campista, vai para o mercado do Grande Rio e Região dos Lagos. Os outros 5% para Campos, o restante da produção é transportada para Espírito Santo e Minas Gerais.

“Em algumas cidades houve paralisação de atividades de alguns setores na construção civil, enquanto em outras o funcionamento tem sido normal. Mas o mercado não tem sinalizado uma boa resposta. Por enquanto, não há demissões, mas se permanecer este quadro, acredito que o setor será obrigado a dispensar funcionários”, admitiu.  

 Segundo ele, “as indústrias estão funcionando com todos os devidos cuidados para não por em risco seus funcionários, mas houve uma queda brutal da produção em função da Covid-19”. Hoje o setor opera com capacidade ociosa em torno de 60% a 70%.  (Leia mais abaixo)

OUTRO CERAMISTA AVALIA CRISE

Nildo Cardoso, também ceramista, admite que demissões já ocorrem no setor. “Na crise anterior, antes desta crise da pandemia, havia cerâmica que trabalhava com 40, passou a 30 e hoje trabalha com 15 ou 10 funcionários. Não adianta trabalhar e produzir porque não há como escoar a produção. Está todo mundo mandando, a União não manda nada neste caso. Mas quando querem dinheiro eles vão até o governo federal”, desabafa o empresário e ex-vereador.

Nildo defende a flexibilização das medidas de isolamento social. “Se não morrerem de coronavírus, as pessoas vão morrer de fome”.  

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro, João Manoel Martins Fernandes, lembrou que que as medidas restritivas para o combate ao coronavírus termina neste mês de abril.

“O Governo do Estado prorrogou as medidas restritivas para combate ao novo coronavírus até o final de abril. Se esta será a última prorrogação não podemos saber, entretanto, temos que ser otimistas, tendo a certeza de que, passada a pandemia, o nosso setor será, mais do que nunca, de relevante importância para o soerguimento da economia, não só do nosso estado, mas de todo o país, posto que somos eficientes geradores de riquezas e empregos". (Leia mais abaixo)

João Manoel também afirmou que a prefeitura adotou medidas de flexibilização com o uso de equipamentos.  

“Neste fim de semana, tivemos a edição complementar de medidas restritivas expedidas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, determinando a utilização de máscaras caseiras em locais compartilhados, no transporte urbano e na circulação em geral. Para nossa satisfação, o nosso segmento, sempre comprometido com o bem-estar dos colaboradores, já vinha distribuindo tal equipamento de proteção individual, além de outras medidas de ordem sanitária”, finalizou.



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