Postado por Fabiano Venancio - Os números apurados pelo Censo do IBGE agora concluído apontam que a população de Campos é estimada em 483.643 habitantes, registrando aumento de 4,2% em relação ao último levantamento em 2010, que projetou um contingente populacional estimado em 464.066 pessoas. Entretanto, dados do mesmo IBGE estimava que a população de Campos em 2021 era de 514.643 pessoas. Assim, o município apresenta uma redução populacional de 6,04%, com aproximadamente 30 mil habitantes a menos em relação à estimativa realizada há dois anos. O diretor de Indicadores Econômicos e Sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ranulfo Vidigal, falou ao site Campos 24 Horas sobre a expectativa no governo Wladimir.
Como o quantitativo populacional serve de parâmetro para as transferências constitucionais do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e um percentual do ICMS, o município pode perder arrecadação destes repasses para o orçamento de 2024, já que o cálculo anterior do Tribunal de Contas da União (TCU) era feito com base na população estimada em 2021, de mais de meio milhão de habitantes. (Leia mais abaixo)
O diretor de Indicadores Econômicos e Sociais da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ranulfo Vidigal, disse aguarda uma resolução do TCU para suavizar as perdas.
— O TCE vai fazer uma normativa que terá como meta definir parâmetros para os repasses do FPM em 2024. Se houver perdas, serão mais suaves —disse.
O economista ponderou que, tendo por base as contas de contribuintes da concessionária Águas do Paraíba, além de alunos matriculados nas escolas da rede pública e particular, a população de Campos supera bem a 500 mil habitantes.
Municípios como o Rio de Janeiro, São Gonçalo e Duque de Caxias terão perdas expressivas, de acordo com Ranulfo, por diminuição populacional.
Ranulfo Vidigal admite que um conjunto de fatores e os problemas enfrentados pelo IBGE neste Censo podem ter distanciado os números apurados da realidade populacional. (Leia mais abaixo)
— Houve um controle populacional, além de diferentes aspectos, como o envelhecimento da população que tende a sair das capitais e médias cidades e buscar cidades pequenas onde há uma melhor qualidade de vida e a rotina é mais tranquila. Outro fato é que a taxa de natalidade caiu nos últimos anos. Ainda se somam os efeitos da pandemia e seus milhares de óbitos — analisou.
Há ainda outros fatores apontados pelo especialista. “Com esta polarização política, muitas pessoas se recusaram a responder aos recenseadores. Há um fenômeno que se amplia como uma grande parte da população que escolheu como opção morar sozinha. Outros entraves foram as dificuldades enfrentadas pelo IBGE neste Censo em razão das dificuldades orçamentárias impostas pelo governo passado”.
PRECARIEDADE - Em suas redes sociais, o Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE ressalta que nos anos 1990 o IBGE tinha cerca de 12 mil servidores efetivos, mas hoje está atualmente com apenas 3.900, sendo que, destes, 900 já podem pedir aposentadoria. Só nos últimos 12 anos, houve perda de 40% do quadro efetivo.
— O cenário é trágico. Se continuar assim, o IBGE não terá condições de seguir executando seu plano de trabalho. Temos mais de 7.000 cargos vagos, mas não houve concursos suficientes. O que deveria ser emergencial, virou permanente. Mais de 60% dos nossos trabalhadores são temporários. Nossas 570 agências estão quase sem pessoal efetivo e é através delas que o IBGE atua no território — explicou o sindicato.