Cem anos de luxo e histórias: Trajetória do Hotel Copacabana Palace se confunde com a do país

Em grande estilo: Após passar por muitas transformações, tradicional hotel do Rio de Janeiro dá início as comemorações do centanário neste domingo


  • 13/08/2023, 09h17, Foto: Reprodução/O Globo.

Além dos rotineiros cuidados reservados aos hóspedes, um minucioso projeto de reforma varreu o endereço ilustre a partir de janeiro. O trabalho foi dos lustres originais, todos restaurados, à fachada, pintada em tom pérola branca realçado pela nova iluminação cênica. Tudo está finalmente preparado para a chegada dos cem anos do Hotel Copacabana Palace, celebrados hoje. Ao longo deste século, salões, piscinas, quartos e demais ambientes passaram por muitas transformações. Só o que não muda é o encanto provocado pelo “Copa”.

Quando o empresário Octávio Guinle inaugurou seu prédio de frente para o mar, em 13 de agosto de 1923, Copacabana ainda era um bairro da Zona Sul com poucos moradores. O desfile de celebridades pelo saguão não demorou a começar: o físico Albert Einstein esteve por lá em 1925. Passar a noite num dos hotéis mais sofisticados do país é sonho de consumo de cariocas e turistas, em especial de casais em lua de mel: nove mil curtiram as núpcias por lá. Para a maioria dos mortais, no entanto, o jeito é garantir uma foto diante da Avenida Atlântica 1702. (Leia mais abaixo)

Diretor-geral do hotel, Ulisses Marreiros não divulga quanto foi investido para que o Copa chegasse renovado ao centenário. Mas observa que, no segmento de alto luxo, novidades são necessárias para atrair um público disposto a, por exemplo, pagar quase R$ 70 mil em um pacote de quatro dias na virada do ano.

— O valor do Copacabana Palace não é apenas o edifício em si. Como patrimônio, é imensurável. Nosso lema é honrar o passado e inspirar o futuro — diz Marreiros. — Dentro de algum tempo, vamos renovar os quartos, o que já ocorreu pelo menos três vezes desde 1988. Isso vai acontecer também em breve com o spa. Faz parte da proposta de focarmos na excelência.

Parte do processo de renovação, a iluminação cênica da fachada estreia hoje com suas 14 programações, preparadas para distintas épocas do ano, como o réveillon e o carnaval. Na pérgula, um dos vários espaços do hotel que ganharam fama e vida próprias, mesas, cadeiras e ombrelones, trocados outro dia (em 2017), foram mais uma vez substituídos, agora para o centenário.

A trajetória do Copa se confunde com a história do país. O projeto original era inaugurar o empreendimento no centenário da Independência, em 1922. Octávio Guinle iniciou os trabalhos em 1919, motivado pela promessa do então presidente Epitácio Pessoa de que os jogos de azar seriam liberados no Brasil — e o Copa, claro, teria um cassino. Nenhum dos lados cumpriu o acordo: as obras atrasaram, e o jogo não foi liberado. Mesmo assim, o hotel abriu suas portas em 1923, com o cassino em atividade, fechado logo em seguida por ordem do governo.

Só em 1933, quando a jogatina foi permitida no país, seus três salões — que hoje recebem principalmente festas de empresas e casamentos — reabriram para apostadores. Enquanto as roletas giravam, Nelson Gonçalves (1919-1998) e Ciro Monteiro (1913-1973) se apresentavam como crooners, revezando-se com coristas, para um público em traje passeio completo. O cassino, um dos maiores entre os 79 que o país teve em sua história, fechou em 1946, com o fim da era Vargas e a volta da proibição. (Leia mais abaixo)

Diversão e arte Com jogo ou sem jogo, lazer e cultura sempre foram “hóspedes” do Copa. Grandes nomes passaram pelo Teatro Copacabana, outra de suas instalações que se destacou sozinha. Fernanda Montenegro iniciou sua gloriosa carreira ali, assim como os saudosos, e igualmente lendários, Paulo Autran e Tônia Carrero. O palco passou mais de duas décadas fechado e voltou a receber público em 2021, totalmente renovado, com mais poltronas e sistema acústico elogiado por produtores.

— Comecei minha vida no teatro em dezembro de 1950, na peça “Alegres canções da montanha”. Depois, participei de mais sete montagens importantes no Copacabana até 1970. Ele é importantíssimo no mundo cultural, social e teatral do país — declara Fernanda Montenegro.

Salão mais prestigiado do Copa — e também dono de luz própria —, o Golden Room recebeu uma constelação musical que inclui, entre muitos outros, os internacionais Sammy Davis Jr., Marlene Dietrich, Charles Aznavour, Edith Piaf, Ella Fitzgerald, Josephine Baker, Nat King Cole e Yves Montand.

Fonte: O Globo



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