Ceia de Natal do campista: Campos 24 Horas ouve sugestões de nutricionista para uma ceia frugal

Dicas são importantes num momento em que dólar alto inflaciona ceia de Natal


  • 24/12/2021, 08h12, Foto: Reprodução/Campos 24 Horas.

O preço dos produtos natalinos assustam os consumidores campistas. Muitos produtos típicos dessa época, como bacalhau, castanhas, vinhos e frutas secas, com preços lastreados em dólar, se não chegam a encalhar nas prateleiras, são comprados com parcimônia pelos clientes e obrigam comerciantes a fazer um rígido controle de entrada e saída, evitando que os produtos se acumulem no estoque.

Comerciante de cereais do ramo de atacarejo em Campos, Roberto Viana, admite que este será um Natal atípico em comparação com os que antecederam o período de pandemia.  (Leia mais abaixo)

“Fizemos um cálculo para planejamento de estoque com base nesta retração de consumo porque não há nada barato da ceia de Natal. Todos os produtos chegaram com alta”, disse.

Márcio Azevedo, auxiliar da gerencia de um supermercado, também admite que os preços sofreram majoração em comparação a 2019, já que em 2020 praticamente não houve Natal, lembra o funcionário.

Márcio explica que grande parte do que tradicionalmente compõe a ceia de Natal é importado, o que encarece o custo da refeição.  Segundo ele, bacalhau, peru, panetone e azeitona estão entre os produtos com maiores altas de alimentos. A substituição de uma ceia tradicional por outros produtos é uma alternativa para enfrentar a inflação da cesta natalina. 

“A saída é pechinchar ao máximo, pedir um desconto ou buscar produtos por preços mais baratos. Se os produtos mais caros ficarem na prateleira, no ano que vem eles podem estar mais baratos. O consumidor precisa ter consciência”, criticou a professora Isabel Borges.

Mas nem tudo está mais caro. É o caso da carne de porco, que se tornou uma alternativa às aves natalinas. “O preço é um preço acessível, onde você compra pernil, paleta, lombo, costela com um preço bom”, sugere o aposentado Nelson Figueiredo.  (Leia mais abaixo)

É possível uma ceia de Natal decente sem gastar? A nutricionista Alessandra da Mata garante que sim. Com os preços altos como estão, pensar numa refeição festiva sem pesar o bolso se tornou um verdadeiro exercício. 

“Se a grana estiver curta na sua família, é possível preparar uma ceia de Natal completa e barata. Afinal, o mais importante da data é estar com a família ou com aqueles que você ama”, disse Alessandra.

COMO SUBSTITUIR - Alessandra sugere que o peru e chester podem ser substituídos por frango, vendido a preços menores. Para fazer bonito à mesa, recheá-lo com farofa e decorá-lo com fios de ovos ou fatias de abacaxi, exatamente como se faz com as aves tipicamente natalinas, são boas pedidas.

“Para quem é vegetariano ou vegano tem a opção de usar a jaca: temperada e cozida, a fruta fica com textura e sabor semelhantes aos da proteína animal. Pernil e carne suína substituem muito bem as aves. E tender será a opção para meu almoço de Natal. A opção é procurar por boas marcas que estão em promoção”, disse Alessandra.  

Alessandra recomenda o uso da criatividade. "Você consegue substituir um peru por um frango assado, uma farofa feita em casa, você não compra pronta, você agrega valor com seus insumos. Bacalhau é um produto que não pode faltar normalmente no final do ano, por[em a gente consegue utilizar as lascas do bacalhau. Com batata, a gente faz um bolinho de bacalhau. o damasco, por exemplo, é uma fruta muito cara, importada. A gente substitui pela uva ou pelo morango", acrescentou a nutricionista. (Leia mais abaixo)

CESTA INFLACIONADA -O avanço dos itens no acumulado vai até a faixa dos 27%, aponta um levantamento do economista Matheus Peçanha, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O pesquisador selecionou dez produtos, cuja variação de preços consta no IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor-10). O indicador é calculado pelo FGV Ibre em sete capitais –Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

No acumulado de 12 meses, entre dezembro de 2020 e novembro de 2021, o frango inteiro é o item da ceia de Natal que mais subiu. O item disparou 27,34%, seguido pelo aumento dos ovos (20,05%).



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