A coordenadora Cíntia Cordeiro, do Centro de Combate e Combate do Coronavírus (CCCC), mantido pela prefeitura de Campos, disse nesta sexta-feira (26) na reunião remota do Gabinete de Crise de Combate ao Covid, que as equipes médicas que lutam por vidas na unidade chegaram ao ponto máximo de exaustão e que a população precisa restringir a circulação para reduzir o número de casos e de mortes na cidade.
De acordo com Cíntia, em todo o Brasil e no mundo o quadro é adverso e complexo: “Essa dificuldade de conseguir medicação, leito, é grande. Espaço físico nós temos, mas a dificuldade é de conseguir leitos de UTI, com equipamentos, insumos, equipe médica e não estamos conseguindo. Os médicos estão exaustos, é cansaço, exaustão, toda hora um médico diz que não aguenta mais. Mas não temos o que fazer e cada um tem que ajudar. Eu sei que é difícil o isolamento, mas quando a gente fecha tudo a gente vê uma queda das internações. Nós estamos exaustos e não há outro caminho que não seja o isolamento e a vacinação”, afirmou. (Leia mais abaixo)
- Não existe nada mais angustiante para um profissional de saúde que está na linha de frente do que escolher pacientes para ver quem vai subir para UTI e isso aconteceu na terça-feira. Parece que só a gente sabe o que está acontecendo, que a gente está vivendo em uma bolha. A gente sai nas ruas e vê as pessoas nas ruas aglomeradas. A gente precisa diminuir a velocidade de transmissão desse vírus é com isolamento social – apontou a coordenadora do CCCC.
A coordenadora reconheceu o esforço do prefeito Wladimir Garotinho, que conduziu a reunião: “Quem está fazendo o papel de coordenação é o governo municipal, que está correndo atrás e, se não fosse isso, seria muito difícil. O CCCC é muito sensível e viu isso acontecer na primeira semana de março, quando mudou o padrão. Ninguém esperava que fosse na velocidade como foi, nunca vi um aumento como estamos vendo agora da necessidade de leitos. Na faixa etária de 30 a 50 anos, que era uma faixa que evoluía muito bem, agora está indo a óbito. Esse aumento não é exclusivo do SUS, na verdade a gente sempre observa o aumento da rede privada antes do SUS, o que é um indicativo”, citou Cíntia.
O subsecretário de Saúde, Paulo Hirano, disse que não há outro caminho: “Atingir três mil mortes por dia é apavorante. O nosso país está atingindo 300 mil mortes, então, não tem outro caminho, é a prevenção e a vacina. A prevenção se dá com o distanciamento social, com o uso da máscara, com o ato de lavar as mãos. Não é buscar culpados, mas todos temos que estar unidos. Os vários fatores estão relacionados ao contato interpessoal, há sim novas variantes, e o Brasil hoje é o epicentro da pandemia. Quando mais o vírus se multiplica, maiores são as cepas diferentes. Quando se fala de previsibilidade sobre flexibilizar, a gente depende da fila de doentes esperando nas filas”, explicou.