O governador Cláudio Castro avisou a deputados e secretários do governo que cancelará mais um período de férias, previsto para começar na sexta-feira (11), e ficará no Rio para resolver um imenso impasse que ameaça tudo, da reta final de seu governo aos planos dele de se tornar senador em 2026. Nesta quarta (09) ele irá ao Ministério da Justiça.
A crise entre ele, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Rodrigo Bacellar (PL) e o presidente do MDB e ex-secretário de Transportes Washington Reis escalou nesta terça-feira, com a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa. (Leia mais abaixo)
Bolsonaro pediu que Castro (PL) reconsidere a saída de Reis (MDB) da Secretaria de Transportes do Rio em uma tentativa de evitar um racha do seu grupo político na eleição de 2026. Para políticos ouvidos pela coluna, isso demonstra a falta de confiança da família do ex-presidente Jair Bolsonaro em Bacellar para capitanear a candidatura da direita ao governo do Rio em 2026. E, para os planos de Jair, um racha poderia significar uma divisão da direita na disputa para o Senado, considerada a mais importante pelo ex-presidente.
Embora tenha dado sinais trocados nos últimos meses e que desagradaram profundamente políticos de direita, Washington Reis e Jair Bolsonaro são aliados. E Reis tem capital político grande em Duque de Caxias, segundo maior colégio eleitoral do Rio. Bacellar, por sua vez, não é um político experimentado nas urnas. (Leia mais abaixo)
A crise tem vários atos e remete ao mês de maio. O estopim dessa fase mais aguda do embate foi a decisão tomada por Rodrigo Bacellar de exonerar Reis da secretaria na semana passada tão logo assumiu o cargo após uma viagem de Castro a Portugal.
O governador voltou e emudeceu. Ouviu opiniões de presidentes de partidos e lideranças da Alerj. Se viu em uma sinuca de bico: se intercede por Reis e o devolve ao governo, compra briga definitiva com Bacellar e inviabiliza seu plano de ter o presidente da Alerj como candidato ao Guanabara em 2026 e seu aliado na corrida para o Senado; se mantém a demissão do secretário de transportes, passa recado à política que o poder já mudou de mãos no Rio e sua caneta não tem mais tanta força. (Leia mais abaixo)
Reis e Castro conversaram na madrugada da última sexta-feira (04), após a exoneração ser publicada por Bacellar no Diário Oficial. Desde então, não conversaram. Bacellar, por sua vez, não foi ouvido.
Sobre 2026, Washington Reis diz ter confiança na reversão de uma decisão contra si no Supremo Tribunal Federal e que conseguirá ser candidato ao governo. Bacellar, por sua vez, diz que se Reis voltar para o governo, ele não será mais candidato. E, segundo aliados, não dará vida fácil para a reta final do governo Castro. (Leia mais abaixo)
“Nem na menor cidadezinha do interior se vê uma briga dessas e nesses termos”. A frase foi dita à coluna por um político que conhece bem a Assembleia Legislativa e o Palácio Guanabara. E que só vê um vencedor na crise: o prefeito Eduardo Paes, que sem precisar fazer nada, viu seus opositores iniciarem uma briga política que deixa em segundo plano temas importantes como a redução do preço da passagem do metrô, a gestão da Supervia e a nova litação do bilhete único intermunicipal - temas da vida real, de agora, e que não podem esperar 2026.
Fonte: CBN (Leia mais abaixo)