Desde os tempos bíblicos que se sucedem registros de casos de parentes que travam brigas e desavenças a ponto de um dar cabo à vida do outro, sendo o caso mais célebre a pedra atirada por Caim contra Abel, causando a sua morte. Nas últimas semanas, dois casos de violência extrema entre familiares chocaram a sociedade campista que culminaram com as mortes de duas mulheres que tiveram as vidas ceifadas pelos próprios filhos. O Campos 24 Horas ouviu alguns moradores de Campos a respeito das duas mortes.
Nas ruas, a reação do povo é de indignação e incredulidade para alguns, mas de reflexão para outros. (Leia mais abaixo)
"O mundo está perdido, sem rumo. E precisando de Deus. Sinal dos tempos, é o Apocalipse. Está tudo na Bíblia", disse o comerciante Márcio Luís Pinto.
A professora Joana Figueiredo resume: "A sociedade está doente, enferma. E precisa de um choque de tratamento. A droga é uma doença. A psicose é outra doença", concluiu.
No último dia 30 de outubro, o estudante de medicina Carlos Eduardo Tavares Aquino Cardoso atropelou e matou a mãe Eliane Lima Tavares, de 59 anos, na Avenida Francisco Lamego, em Guarus.
Nos últimos dez anos há registros de agressões do estudante contra a mãe.
Já no último domingo, o DJ Raphael Paes Costa, de 34 anos, também foi preso por agredir e matar a mãe Marly Ferreira Paes, de 63, no dia do aniversário dela, após um surto psicótico. (Leia mais abaixo)
Marly era campista, mas o crime ocorreu num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, onde morava.
O Campos 24 Horas ouviu também especialistas sobre está sequência de dolorosos episódios de matricídio, denominação a quem comete esse tipo de crime.
Para o psiquiatra Bruno Calil, o uso de drogas é um grave problema de saúde pública e pode levar à depressão e surto psicótico, sendo um gatilho para a esquizofrenia, e vamos lembrar também que essas doenças crônicas não tem cura, mas tratamento", pontuou.
O médico acrescenta ainda que todo dependente químico tem que ter tratamento multidisciplinar. "A dependência química também é uma doença crônica", assinalou.
Segundo a Polícia, Raphael Paes Costa tem diagnóstico de bipolaridade e tomava pelo menos três remédios controlados por dia. (Leia mais abaixo)
Relatos de testemunhas indicam que o DJ tinha se convertido a uma religião evangélica, seguia tratamento contra o transtorno de bipolaridade há mais de cinco anos e havia deixado de atuar como DJ.
Convidados souberam da sua morte quando chegaram ao condomínio para a festa de aniversário.
O apartamento foi encontrado com vários itens quebrados, cacos de vidro espalhados e sangue em diversos pontos do imóvel.
O psicólogo Rossandro Klinjey, também especialista em educação e desenvolvimento humano, pondera que há inúmeras variáveis que explicam estes fenômenos de violência.
"São eventos muito raros, mas dolorosos a imagem de filhos que matam os próprios pais. É preciso avaliar cada caso, item por item. Não é algo simples, mas bastante complexo" (Leia mais abaixo)
Rossandro, que apresenta um podcast semanal denominado "Cuidando da Alma", avalia que há estudos que apontam faces peculiares nos que cometem tais crimes.
"A primeira questão a ser levantada nestas tragédias é que em grande parte de casos incidentes são indivíduos tomados de ressentimentos que não tem capacidade emocional de nomear suas relações, controlar suas emoções e conter seus instintos que todos nós temos".
O psicólogo relata ainda que há estudos que relacionam algumas características e motivações que levam indivíduos à prática desses crimes.
"É verdade que se percebe hoje em grande parte dos jovens e adolescentes uma falta de noção de limites. Uma dificuldade de ouvir um "não" de seus pais. Por outro lado, há em alguns desses jovens casos de violência física, verbal ou psicológica que sofrem, que os levam inclusive a falar em suicídio ou em tirar a vida de alguém, pedem socorro a um a outro ou até mesmo à Justiça e não encontram resposta.
O caso mais emblemático de pais mortos pelos próprios filhos foi o de Suzane von Richthofen, em 2002, que mandou os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos assassinar os próprios pais Manfred e Marísia Richthofen na mansão onde o casamento morava em São Paulo. (Leia mais abaixo)
Suzane namorava um dos assassinos, os país não concordavam com o namoro e foram mortos.
Segundo se apurou depois, o namorado e Suzane queriam ficar com parte da herança.