Postado por Fabiano Venancio - Assustadoramente, o homem que matou sua companheira Julia Silva de Souza, de 24 anos, no início desse mês, em Campos, bateu a cabeça da vítima várias vezes contra pedras e tentou jogá-la inconsciente no Rio Paraíba. O caso ficou marcado como uma "morte cruel" e um dos mais graves feminicídios de 2025. O Campos 24 Horas inicia, nesta terça-feira (23/12), uma série de publicações a respeito dos casos de feminicídio registrados na região ao longo do ano, visto que a violência contra as mulheres abala gravemente princípios constitucionais da dignidade humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.
O companheiro de Julia, Jonatam do Nascimento Gomes Barbosa, de 36 anos, foi impedido por policiais militares de jogá-la desacordada no Rio Paraíba. Julia deixa dois filhos menores. (Leia mais abaixo)
Testemunhas viram o autor segurando a vítima pelos cabelos e dando golpes contra o chão. PMs do 8º BPM ainda encontraram a mulher com vida e prenderam o autor em flagrante. O caso ocorreu no dia 7 de dezembro, nas proximidades da antiga Usina São João, no Parque Prazeres, em Guarus.
Júlia ficou hospitalizada por uma semana, mas não resistiu aos graves ferimentos.
LEI DE FEMIMICÍDIO - Sancionada no Brasil em março de 2015, a Lei de Feminicídio foi implementada no código penal brasileiro, o inciso VI, no parágrafo segundo do artigo 121, na qual qualifica o homicídio contra a mulher em razão de sexo feminino, da violência doméstica e familiar; menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena prevista é de reclusão de 12 anos a 30 anos, não sendo admitidos os institutos da anistia, graça ou indulto, muito menos a aplicação de finança, pois se trata de um crime hediondo.
Apesar do advento da Lei 11.104/15, qualificando o homicídio e aumentando a pena do criminoso, a mesma não foi capaz de diminuir ou até mesmo erradicar esse tipo de violência no Brasil. Assustadoramente, o nosso país ocupa o 5.º lugar em mortes de mulheres no ranking de 84 países.
O mutismo da vítima grita por socorro, mas os ouvidos surtos são inacessíveis. Perceber uma mulher em situação de violência requer o silêncio da alma diante dos barulhos do machismo e das omissões. Indubitavelmente, o feminicídio quase sempre é um crime anunciado, pois o agressor ameaça e até mesmo agride as mulheres várias vezes antes de cometer o delito. (Leia mais abaixo)
A violência de gênero muitas vezes acontece de forma velada e não denunciada, o ciclo das violações se nutrem pelo silêncio e pelas negligências alheias. Indubitavelmente, um dia a violência se cessa e o ciclo se quebra, e uma mulher é morta ou liberta.
A omissão da sociedade abandona o senso da empatia e conforta-se na naturalização da violência contra as mulheres, afinal o sistema patriarcal ensina lições de desigualdade, privilégios e violações ao gênero supostamente inferior.