"Eu me lembro que tinha 11 anos de idade já ia à delegacia sozinha, desesperada, chorando, pedindo ajuda, porque eu não sabia, eu era uma criança...". O drama vivido por mais de 10 anos pela filha que viu a mãe ser agredida de forma violenta pelo irmão mais velho foi revelado por Lara Maria Aquino Cardoso, 24 anos, irmã do estudante de medicina Carlos Eduardo Aquino Cardoso, de 32, acusado de atropelar e matar sua própria mãe Eliana Lima Tavares, de 59, fato ocorrido no dia 28 de outubro (AQUI), em Campos. Lara concedeu entrevista ao programa "Encontro com Patrícia Poeta", na manhã desta quarta-feira (13), na TV Globo. Ela revelou fatos impressionantes ocorridos nos últimos 10 anos, detalhando as agressões físicas e psicológicas sofridas por ela e sua mãe e danos materiais praticados por Carlos Eduardo, além das dificuldades que enfrentou para registrar o caso na Polícia. (Leia abaixo)
MÃE E FILHA AGREDIDAS POR 10 ANOS- "As agressões do meu irmão contra minha mãe acontecem desde a minha adolescência. Na verdade, antes da minha adolescência eu ainda uma criança, ele é oito anos mais velho que eu. Então eu ainda não entendia no começo o que estava acontecendo, mas eu sabia que eu precisava pedir ajuda. O meu pai sempre trabalhou como representante farmacêutico, então ele viajava praticamente toda semana, ele passava dois três dias fora de casa e ficava eu, o meu irmão e a minha mãe. Então, duas mulheres com ele, que sempre se aproveitou disso para conseguir manipular a minha mãe. Ele se aproveitava que estava sozinho comigo e com ela e aí tentava tirar as coisas dela, falava de forma grotesca e qualquer não que ele ouvia já era motivo para uma agressão, já era motivo para uma violência e aí eu comecei a entrar, eu sempre entrei em atrito com ele", disse em um dos trechos da entrevista. (Leia mais abaixo)
AGRESSÕES CONTRA A IRMÃ - "Ele começou a me agredir porque eu via o que ele fazia e eu não conseguia ficar quieta. mesmo sendo muito menor eu dava o meu jeito, eu entrava na frente, eu batia de volta. Eu falava: para você bater nela, você vai ter que bater em mim primeiro. Nessa época ele tinha seus 17 e eu nove anos de idade".
DENÚNCIAS NA POLÍCIA - "Eu me lembro de com 10, 11 anos de idade já ia à delegacia sozinha, desesperada, chorando, pedindo ajuda, porque é eu não sabia, eu era uma criança. Eu ainda não estava entendendo que estava acontecendo, mas a medida que eu fui crescendo e fui tomando ainda mais consciência, eu percebi que não podia ficar assim e ninguém conseguia parar ele porque começou a ficar forte. Ele começou a trabalhar até com fisiculturismo e ele era imparável. Ele se sentia o Hulk, ele quebrava tudo que tinha pela frente, ele falava que enfrentava qualquer um. E a gente ia até à polícia. Eu cheguei a denunciar diversas vezes e todas as vezes que eu cheguei à delegacia sozinha foi assim praticamente impossível para não dizer impossível completar uma denúncia.
REAÇÃO DA MÃE - "Ela tinha esperança que ele fosse melhorar. Ela tinha muito amor pelo filho. Você imagina gerar uma criança, cuidar, criar e, ao passar o tempo, esse amor se transformou num medo porque ela percebia violência. Só que ela era vítima, ela sempre teve medo, e ela não tinha que fazer. Ela era uma mulher sendo agredida por um homem maior, mais forte, com mais voz, que era mais ouvido pela sociedade".
O VÍDEO DAS AGRESSÕES - "Sobre quando e porquê eu decidi gravar esse vídeo (da agressão), depois de recorrer à delegacia, depois de recorrer a justiça, depois de tentar inúmeras vezes a minha opção era expor na internet".
PAI TAMBÉM TINHA MEDO - "Meu pai também era vítima porque eles entraram em um estado de, assim, eu não posso dizer não para você, senão você vai me bater, você vai quebrar o que eu tenho. Era um medo constante, e não só agressão física, mas de destruição de bens materiais. Ele chegou a quebrar o carro da minha mãe duas vezes, inúmeros celulares. Ele já quebrou um celular meu, inclusive o meu carro. Depois a gente vender todos os nossos bens, meu pai vendeu todos os bens que ele tinha para pagar Faculdade de Medicina que ele fez. ele quebrou até o meu carro porque dei (o veículo) para o meu pai trabalhar. Meu pai não tinha como trabalhar mais porque estava devendo muito ao banco. Não tinha mais o que fazer e aí vendeu o carro" (Leia mais abaixo)