Caso Eliana: Como era relação mãe/filho e denuncia de médico contra estudante

Campos 24 Horas mostra toda investigação do caso do filho que atropelou e matou a própria mãe em Campos e ganhou repercussão nacional


  • Atualizado em 04/11/2024, 07h24, Fotomontagem: Campos 24 Horas .
Postado por Fabiano Venancio - A noite chuvosa de segunda feira, 28 de outubro de 2024, foi marcada por uma tragédia que chocou Campos e ganhou repercussão nacional, uma data a ser jamais esquecida pela família do estudante de medicina Carlos Eduardo Aquino Cardoso, de 32 anos, que atropelou e matou a própria mãe Eliana Lima Tavares, de 59. Eliana pedalava uma bicicleta elétrica quando foi atingida pelo carro do próprio filho, na Avenida Francisco Lamego, no Jardim Carioca. Dados levantados pelo Campos 24 Horas junto à Polícia e advogados são surpreendentes. Um deles revela uma conversa entre o estudante de medicina e um médico, durante a qual Carlos Eduardo Aquino faz um apelo ao médico para usar seu carimbo, a fim de que ele possa tirar plantões em unidades  de saúde se passando por médico. Na ocasião, o advogado Alex da Mata, contratado pelo médico, chegou a denunciar o caso na delegacia de Polícia, Cremej e Ministério Público. Outros três dados chamaram a atenção da nossa reportagem: a relação bastante conturbada com a mãe; a família polarizada, ou seja,  uma parte tem um entendimento diferente em relação ao atropelamento; e testemunhas que disseram que Carlos Eduardo sequer demonstrou emoção ao saber que a vítima era sua mãe. Vale ressaltar que, se há acusações de relações hostis entre Eliana e Carlos Eduardo, por outro lado mãe e filho demonstravam carinho e afeto mútuo nas redes sociais. (Leia  abaixo)
Eliana morreu no local do atropelamento, e o filho foi levado para o Hospital Ferreira Machado, onde permaneceu sob custódia policial, após ter sofrido uma lesão no rosto, e depois para a delegacia de Guarus. Durante audiência de custódia na Justiça, na última quinta-feira (31), Carlos Eduardo teve sua prisão preventiva decretada e depois foi levado para o Presídio Carlos Tinoco da Fonseca, onde permanece preso.
Após o atropelamento, Carlos, conhecido por Cadu Aquino, que dirigia um Citröen, teria dito aos presentes que estava sentindo-se desorientado e que "estava perdendo os sentidos". Segundo o delegado Carlos Augusto Guimarães, responsável pelo caso, o estudante de medicina era usuário de drogas e já praticou exercício ilegal da medicina, além de ser suspeito de comportamento agressivo com a mãe. 
MÉDICO E ADVOGADO FAZEM ESCLARECIMENTOS - No dia 12 de março deste ano, o médico Carlos Eduardo de Souza e seu advogado Alex da Mata gravaram um vídeo(Aqui) onde acusam o universitário.  “Como tem um nome parecido com o meu, ele tentou por muito tempo se passar por médico”, disse o profissional de medicina. Há áudios onde Carlos Eduardo Aquino faz um apelo ao médico Carlos Eduardo Souza para que ele não releve o fato do uso do seu carimbo para continuar sua prática de exercício ilegal da profissão, ajuda negada por Souza
O advogado comunicou o fato as autoridades pela prática de uso ilegal da medicina. “Ele fez uso do carimbo e número do CRM (Conselho Regional de Medicina) para se passar por médico e fazer atendimento em unidades de saúde. Após tomar conhecimento, registramos um boletim de ocorrência, assim como comunicamos ao Ministério Público, ao Cremerj (Conselho Regional de Medicina) e a instituição de ensino em que ele estuda”, disse o advogado.
 
ADVOGADO DIZ POR QUE DEIXOU A DEFESA DO ESTUDANTE - O último capítulo do trágico acontecimento foi o comunicado do advogado Márcio Marques que se afastou da defesa de Carlos Eduardo pelo fato de a família estar dividida. Uma parte tem um entendimento diferente em relação ao crime; outra parte, diverge.
Em suas redes sociais, Márcio Marques contou que no dia seguinte à tragédia foi procurado pelo pai do estudante para que intercedesse em nome dele pelo filho. Mas há outros familiares que acusam Carlos Eduardo, que teria uma relação bastante conturbada com a mãe.
 
“Há uma divisão dentro da própria família neste caso, onde não me sinto confortável em estar causando mal-estar ou desconforto junto a uma outra parte da família. Em um processo criminal, há autor do crime e a vítima. Neste caso, autor e vítima são da mesma família. Sendo assim, estou me afastando do caro porque não me sinto confortável estar atuando numa situação como essa”.
 
HISTÓRICO AGRESSIVO - Familiares de Carlos Eduardo o acusam de agressões a Eliana, inclusive com registro de boletins de ocorrências na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), desde 2015, onde constam, além de agressões físicas, outros crimes como manter a mãe em cárcere privado.
Ao analisar imagens do acidente e ouvir testemunhas, o delegado decidiu autuá-lo por feminicídio e lesões corporais nos ocupantes de outro veículo envolvido no acidente.
 
Há depoimentos de testemunhas que disseram que Carlos Eduardo sequer demonstrou emoção ao saber que a vítima era sua mãe. Cadu confessou ser usuário de drogas e estava sob efeito de álcool ou qualquer outra substância química", segundo o boletim de ocorrência.
 
VERSÃO DO FILHO E A INVESTIGAÇÃO POLICIAL - Em seu depoimento, Cadu diz que dirigia desde o Centro pela ponte da Lapa, confessou ter feito uma manobra proibida na saída da ponte para alcançar a Avenida Francisco Lamego até o local do acidente, em frente à loja Só Motos, em direção à Ponte Leonel Brizola.
 
As investigações sobre o caso prosseguem para esclarecer as circunstâncias que levaram ao atropelamento e morte de Eliana. A polícia vai ouvir ainda familiares, amigos e vizinhos para saber a relação e o comportamento do estudante com os pais
 
RELAÇÃO MÃE E FILHO - Se há acusações de relações hostis entre Eliana e Carlos Eduardo, por outro lado mãe e filho demonstravam carinho e afeto mútuo nas redes sociais. Em seu último post no Instagram, em 17 de setembro, Carlos compartilhou um vídeo com frases motivacionais.
Em resposta, Eliana comentou carinhosamente: "Meu filho lindo, te amo até o infinito". Esse foi um dos muitos comentários de amor e orgulho que Eliana deixou em publicações de Carlos, mostrando uma relação afetuosa entre mãe e filho.
 
O crime da última segunda-feira em Campos ganhou repercussão nacional. Veículos de comunicação do país inteiro noticiaram a tragédia, com alcance semelhante à chacina da Rua Doutor Beda, no final da década de 1970, que vitimou o comerciante Seniltz Gomes da Paixão e familiares.
 



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