Carnaval 2022: comitê científico do Rio diz que não há restrição para a festa

A recomendação foi anunciada durante uma reunião ordinária do comitê, nesta segunda-feira (20)


  • 21/12/2021, 16h01, Foto: Divulgação.

Em menos de uma semana após o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciar em sua rede social que não há garantia de que blocos de rua poderão desfilar no carnaval de 2022, o Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC) recomendou que, nesse momento, a prefeitura do Rio não deve estabelecer nenhuma restrição à folia do próximo ano. Anteriormente, o prefeito só garantiu os desfiles da Marquês de Sapucaí, no Centro. A recomendação foi anunciada durante uma reunião ordinária do comitê, nesta segunda-feira (20). No dia 27, a Riotur irá divulgar os blocos aprovados para desfilar no próximo ano.

"O CEEC fundamentado no cenário epidemiológico favorável, (número de casos, número de casos internados, % de positividade de testes) com 80% de cobertura vacinal atual, na análise dos dados de todos os eventos com aglomeração no país e no Rio de Janeiro, e sustentado pelas evidências científicas disponíveis, recomenda a SMS que não estabeleça, nesse momento, nenhuma restrição à realização do Carnaval Carioca. Recomenda adicionalmente que todo o processo de monitoramento do cenário epidemiológico seja mantido em vigilância", diz o documento da reunião. (Leia mais abaixo)

O CEEC foi criado na pandemia para que membros da comunidade científica possam tomar as decisões relativas ao coronavírus na cidade. O comitê também recomendou que seja mantido "o processo de monitoramento do cenário epidemiológico" para o avanço da discussão sobre a festa. O grupo de especialistas ainda recomendou "fortemente" que a prefeitura avalie a possibilidade de encomendar diretamente com o fornecedor as vacinas contra a Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos.

A decisão, no entanto, não desobrigará o cumprimento de normas sanitárias. Se o carnaval fosse hoje, a apresentação do passaporte de vacinação seria obrigatório para desfilantes e público entrarem na Marquês de Sapucaí. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, diz que a decisão do comitê científico indica que os blocos de rua poderão sair sem qualquer medida sanitária adicional, valendo as regras atuais, que dispensam máscaras em áreas públicas:

— Hoje, não são exigidas máscaras em ambientes abertos. E blocos desfilam na rua — argumentou o secretário.

Soranz argumenta que há 17 semanas os índices de Covid-19 estão em queda, tendo apenas 19 pessoas internadas na cidade devido a complicações da doença. Além disso, ele argumenta, que não existe nenhuma evidência que a variante Ômicron atinja de maneira mais efetiva quem foi imunizado há menos de seis meses. A maior parte da população, diz Soranz, completou o ciclo antes desse prazo.

— Temos 99,9% da população da cidade protegida com a primeira dose e 80% da população total com a segunda dose. Além disso, 25% já tomaram a dose de reforço ampliando essa proteção — argumentou o secretário. (Leia mais abaixo)

Liesa e Sebastiana se pronunciam Otimista, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, diz esperar que com a vacinação sequer haja necessidade de exigências mais restritivas no Carnaval. No entanto, ele antecipa medidas que pretende pôr em prática para tentar evitar que componentes das escolas entrem na Sapucaí sem proteção:

— Vamos orientar as escolas para que só entreguem as fantasias mediante a apresentação pelo componente do comprovante da vacina. Essa orientação também valerá para as alas comerciais (que vendem fantasias ao público em geral) — disse o presidente da Liesa.

À frente da Associação Independente de Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade (Sebastiana), Rita Fernandes diz que, se o carnaval fosse hoje e o comitê aprovasse o desfile nas ruas, os blocos da Sebastiana desfilariam:

— Nós confiamos absolutamente no comitê. Quem define as regras que vamos seguir são eles. Se o comitê afirmasse hoje que seria possível desfilar, desfilaríamos. Temos que comemorar esse avanço positivo que o país está tendo perante a Covid-19. É uma ótima notícia. Ficamos super felizes.

De acordo com Rita, até o dia 20 de janeiro é possível aguardar um posicionamento concreto do governo do estado e da prefeitura para o desfile, mas parte das contratações já estão encaminhadas: (Leia mais abaixo)

— Já agilizamos a documentação dos blocos e estamos contratando equipes de ritmistas e carro de som. Caso haja alguma mudança, vamos cancelar. E volto: vamos pensar no plano B, com festas fechadas ou apresentações, mas jamais será carnaval de rua.

Presidente do Bola Preta, mais tradicional agremiação do carnaval de rua do Rio, Pedro Ernesto Marinho, diz que tem a mesma posição das ligas carnavalescas: seguir as orientações da comunidade científica.

— Com a decisão do Comitê Científico, vamos sair. O problema agora é buscar patrocinadores, porque todo mundo estava à espera de uma posição oficial. Estamos com a sede fechada (na Rua da Relação, no Centro) desde 26 de fevereiro de 2020, sem gerar receitas. Com isso, não temos recursos, nesse momento, para promover o desfile (no sábado de Carnaval, pela Avenida Presidente Antônio Carlos) — disse Pedro Ernesto.

Ele calcula precisar de R$ 300 mil para botar o Bola Preta na rua. Esses recursos pagarão estruturas como cinco trios elétricos, 200 seguranças, entre outros itens.

Impasses da festa No dia 15 deste mês, o prefeito utilizou o Twitter para falar sobre o carnaval. Em uma publicação, ele citou que "o carnaval da Sapucaí é algo garantido", desde que o não haja "uma mudança completa em todas as regras hoje existentes e no quadro da epidemia". Paes escreveu uma série de postagens, no qual inicia falando ser "muito cedo" para uma "decisão em definitivo" sobre o carnaval 2022. (Leia mais abaixo)

Ainda de acordo com o prefeito, as autorizações para a folia do próximo ano devem levar em consideração a possibilidade das regras sanitárias contra a Covid-19 serem mantidas. Com isso, segundo diz, a decisão sobre os blocos de rua precisa passar por uma análise mais detalhada.

Paes enumera três tipos de eventos. O primeiro sendo os bailes em ambientes fechados, onde diz ser possível ter a cobrança do passaporte de vacinação e/ou testes para o público, exigências comuns em outros momentos da pandemia de coronavírus que apresentou resultado, mas acompanhado de uma parcela de descumprimento.

Já sobre o carnaval de rua, com blocos que arrastam multidões, o prefeito disse que se trata de um ambiente onde não é possível haver a cobrança de exigências, como o passaporte da vacina. A folia popular então "requer uma análise ainda mais detalhada", afirmou na publicação.

Martelo será batido no dia 15 No mesmo dia em que Paes publicou sobre o carnaval em seu Twitter, o governador do Rio, Claudio Castro, afirmou que a decisão final sobre a realização do Carnaval de 2022 será tomada até o dia 15 de janeiro do ano que vem — para esta data, está programado o início do cronograma de ensaios técnicos das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Até lá, de acordo com Castro, o governo monitora os índices de contaminação da variante Ômicron da Covid-19 e da influenza.

— Ainda é muito cedo para falar. Combinei uma reunião com o prefeito Eduardo Paes em janeiro. Até lá, vamos ver como fica a situação da Ômicron e da influenza — disse o governador sobre o tema. (Leia mais abaixo)

Fonte: Extra



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