A era de receitas expressivas de royalties do petróleo parece ter chegado ao fim. Prova disso é a situação financeira crítica que Campos e outros municípios produtores de petróleo da região vivem. Nos últimos anos Campos não conseguiu atrair empresas e investidores para geração de mais emprego e renda e vive problemas sérios em áreas como saúde, transporte, economia, entre servidores públicos e outros. Em virtude deste quadro, o Campos 24 Horas dá início à série de entrevistas sobre a tão sonhada e necessária diversificação da economia do município, sem dependência dos royalties.
Perguntas padrão são enviadas aos entrevistados, como “Propostas para diversificação da economia do município, a fim de que adquira autonomia e independência em relação aos royalties do petróleo”; “Como atrair empresas e investidores para geração de mais emprego e renda”; “Quais os principais programas que devem ser implementados e como apoiar o homem do campo com programas que ofereçam suporte técnico, qualificação e linhas de crédito especiais”; “Como incentivar e capacitar micro e pequenas empresas e as cooperativas”; “Como fortalecer o comércio em Campos”; “Como incentivar segmentos de tecnologia da informação e de cultura digital, estimulando a criação de produtos inovadores”. (Leia mais abaixo)
A entrevista de hoje é com o comerciante estabelecido no município há anos e diretor da Associação de Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências (Carjopa), Expedito Coleto Ribeiro, que a partir das perguntas diz que, “desde o primeiro momento tentamos ser parceiros do atual governo municipal, mas a crise econômica que assola o país, aliada à incapacidade administrativa dele, está levando Campos ao caos social e financeiro”.
- Nós da Carjopa estamos muito à vontade para responder ao Campos 24 Horas, pois desde o primeiro momento tentamos ser parceiros do atual governo municipal. Lamentavelmente, a crise econômica que assola o país, aliada à incapacidade administrativa do governo municipal, está levando toda população de Campos ao caos social e financeiro. Antes de tudo, para atrair empresários é preciso que haja credibilidade do poder público junto à iniciativa privada e a garantia de que os aportes de recursos por meio de investimentos no município trarão resultados positivos – afirma o comerciante.
Expedito cita que, além de vantagens fiscais, são observados pelo investidor, infraestrutura dos serviços de saúde, saneamento, comunicação, energia, logística e aspectos financeiros que venham contribuir para a redução de custos operacionais. E explica que um parque industrial, por exemplo, necessita de uma boa logística para escoamento de seus produtos, além de facilidade para importação de matéria prima, características que Campos oferece amplamente. “Estamos muito próximos de duas capitais com acesso pela BR 101. Temos o Porto do Açu, um aeroporto alfandegado (hoje privatizado), extensa malha ferroviária (precária, mas existente), portanto, estamos muito bem posicionados em logística – acredita Expedito.
DEPENDÊNCIA DO PODER PÚBLICO Quanto a diversificação da economia, o comerciante afirma que já existe com a agricultura, serviços, petróleo e gás, energia, turismo, saúde, transporte (muito deficitário, segundo ele), educação com um dos maiores parques universitários do Brasil, além de alguns startups e incubadoras de base tecnológica dentre os principais segmentos. Mas diz que o que caracteriza a cidade é a grande dependência do poder público, “onde não se prima pela competência administrativa, mas por indicações políticas/partidárias, hábito impensável numa empresa privada”. - Temos ainda que constatar que a Prefeitura pouco investe na capacitação de seus servidores e hoje temos um excesso de funcionários com capacidade muito limitada e com baixa produtividade, além do excessivo número de “RPAS”, fruto de indicações políticas, aumentando cada vez mais a folha de pagamento. Precisamos de um Legislativo sério, competente, onde nossos vereadores tenham o mínimo de responsabilidade cumprindo com sua obrigação, que é fiscalizar o Poder Executivo e não permitir que a população seja espoliada como tem acontecido há anos – diz o comerciante.
O QUE AINDA FALTA Expedito enumera que o município dispõe de mais de 2,5 mil produtores agropecuários, incluindo bovinos, ovinos, suínos e aves, mais de 8 mil produtores de cana de açúcar, mais uns 1,5 mil produtores de hortaliças, legumes, frutas, entre outros. Mas, mesmo assim, não dispõe de uma ceasa para centralizar esses produtos. E cita o “excelente” Parque de Exposições da Fundação Rural de Campos que, segundo ele, se transformou num local de shows. “Há de se observar que em todas as cidades onde o Agro Negócio é pujante, existe um comércio forte em todos os seguimentos”, acrescenta o comerciante. (Leia mais abaixo)
- Pensamos que nosso governo municipal deve focar em parcerias público-privada (PPP), onde notoriamente se apresenta excelentes resultados em competência e gestão. O transporte público é primordial para o desenvolvimento numa cidade com grande território e mais de 500 mil habitantes. Mas, após três anos, o que vemos é um transporte público ineficiente, fruto da incompetência da gestão do órgão responsável pelo seu planejamento. O Mundo moderno está cada vez mais profissional e competitivo. O Brasil ainda está em desenvolvimento e Campos, apesar dos royalties, não se preparou para o futuro. Chegou o momento de trocar a política predatória pela competência administrativa – finaliza o comerciante.