Candidatos a vereador em Campos com nomes exóticos

Confira os candidatos que utilizavam um apelido nas urnas nas eleições em Campos


12/09/2016     00h18  |  Foto: Campos 24 Horas Foto aérea Campos setembro de 2014“Carne Seca”;  “Direitinho”, “Obsessão”, “Pirralho” e Brinquinho”; “Bagaço”, “Biscoito”, “Amozinho” e Garrafinha”; “Palerma” e “Zé da Égua”. Se o leitor achou que a relação acima é do time da pelada de fim de semana entre solteiros e casados, enganou-se. Os apelidos listados são “nomes de guerra” adotados por candidatos ao cargo de vereador em Campos e outros municípios da região Norte Fluminense, apresentados ao eleitor na campanha deste ano.

Há outros, como “Bonitona”, “Pau Velho”, “Marrentinho”, ”Bonito”, “Gente da Gente”, “Vovô do Pavão”, “Fucinho”, “Tá Feliz”, “Só-Só”, “Fofinha”, “Pangaré”, “Peitinho de Rôla”, “Com Todo Gás”, “Docinho de Coco”,  “Rosa Vermelha”, “Mano Véio”, “Agua Neles”, “Amarelinho”, “Babão”, “Tigresa”, Macaquinho”, “Lampião” e “Camisolinha” e “Coalhada”, nomes pelos quais alguns dos candidatos tentarão criar uma relação de identidade com os eleitores nestas eleições. (Leia mais abaixo)

Eles apostam nas alcunhas pelas quais são conhecidos em suas comunidades e redes de relacionamento para conquistar votos, ajudar os partidos a atingir o coeficiente para eleger mais representantes e, quem sabe, conquistar uma das vagas no Legislativo.

A originalidade de alguns candidatos ao escolher os apelidos a serem utilizados na campanha da eleição proporcional não é novidade. Uns incorporam o nome da profissão, outros do bairro onde moram ou apelidos de infância que os fizeram assim com tal conhecidos.

Alguns candidatos reconhecem que o nome exótico pode ser um atrativo, pois os tornam mais populares, longe de serem depreciativos. Mas dizem que seu principal trunfo são suas propostas e ações nas comunidades.

“Ando pelos bairros, converso com a população muito antes de ser candidato, conheço os problemas da minha comunidade, muito mais do que um engravatado qualquer que só vem aqui em época de eleição e depois some, só volta daqui a quatro anos”, disse Eraldo Valentim PSDC), o “Agua Neles”, candidato a uma cadeira na Câmara de Conceição de Macabu.

No bairro da Ajuda, em Macaé, se alguém perguntar pelo comerciante Eduardo Jorge do Carmo Souza provavelmente ninguém saberá dizer quem é. No entanto, se procurar por Dudu da Ajuda (DEM), apelido dele, a identificação será fácil. (Leia mais abaixo)

Pelo Brasil afora, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou nomes de candidatos igualmente exóticos como “Cachorro Doido”, “Indignado”, “Caça-Fantasma”, “Homem-Aranha”, “Saci”, “Gata”, “Gorda”, “Chefinho”, “Vira Lata”, “Sem Janta”, e “Casca Grossa”, entre outros.

Para o cientista político Joviniano Neto, estes apelidos podem parecer estranhos para o eleitorado em geral, mas normalmente são a referência dos candidatos em suas comunidades. "Se não usar, não é reconhecido", diz. "Os partidos ou coligações precisam ter o máximo de candidatos. Quanto maior o número de candidatos, mais chance o partido ou coligação tem para eleger vereadores. Como referências em suas comunidades, esses candidatos (com nomes exóticos) podem ajudar nesta estratégia de popularização do candidato", pondera.

Em Campos, alguns candidatos exóticos surgem de tempos em tempos, pelo nome, mas também pelas suas propostas ou frases curiosas. É o caso do advogado Carlos Alberto Gomes Lima, o "Redondo", já falecido, que tinha como bandeira a construção de um cemitério em Guarus em sua campanha como candidato a prefeito.

A advogada Marilza Caputo, candidata à Câmara de Vereadores de Italva usava nos comícios uma frase para rimar com seu sobrenome, aproveitando o estado permanente de insatisfação da população. "Já que o povo está puto, vote então em Caputo". Fecha o pano.



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