(Texto da assessoria do candidato) - O movimento estudantil sempre produziu figuras que se tornaram protagonistas e alcançaram importantes espaços no cenário da política brasileira. Por aqui, a FEC (Federação dos Estudantes de Campos) igualmente abriga um histórico que faz da entidade uma usina de lideranças que cumpriram importante papel nos diferentes setores da sociedade, inclusive na própria política, seja na luta pelos direitos do estudante, como na questão do passe livre, na participação nos movimentos populares ou na militância da política partidária. Nesta eleição, o líder estudantil Maycon Maciel, de 25 anos, candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Roberto Henriques (PC do B), estudante universitário perto da graduação em Geografia na Universidade Federal Fluminense (UFF), desponta como um destacado representante desta fértil escola política nesta disputa pela sucessão municipal. Ele falou ao Campos 24 Horas sobre suas propostas para o município. (leia abaixo)
— Faço política desde os 14 anos, venho do movimento estudantil ainda como estudante da Escola Desembargador Álvaro Ferreira Pinto, em Donana. Estou na presidência da FEC e faço parte da diretoria da UNE (União Nacional dos Estudantes). A política partidária começou para mim, aos 16 anos, quando fundamos o PPL (Partido da Pátria Livre) com o André Lacerda, o Márcio Tavares e outros companheiros, mas logo tivemos o problema da cláusula de barreira quando houve a incorporação das siglas e a fusão com o PC do B. Isso em nome da sobrevivência partidária para que tivéssemos acesso a tempo de TV, fundo eleitoral, etc— relata Maycon. (Leia mais abaixo)
Natural de Goitacazes, onde mora com os pais na mesma casa em que nasceu, Maycon hoje preside o diretório do PC do B em Campos e admite que o cenário extremamente delicado que o município atravessa. “Não será fácil, vai ser preciso mesmo um choque de gestão. Campos vive a sua pior crise, mas não é possível mais ficar só falando no passado, chorando a perda dos royalties. Nem ficar à espera apenas das emendas parlamentares. As emendas são importantes, mas é necessário apresentar projetos consistentes para se obter recursos que o município vai precisar com essa queda de receitas”, analisou.
Na análise de Maycon, por estar ancorado apenas numa sigla partidária, a candidatura do PC do B, é a que se encontra mais à vontade para implantar mudanças drásticas a fim de ajustar a máquina administrativa com um quadro mais enxuto e que lhe permitirá sobra de caixa para investimentos em políticas públicas. “As outras candidaturas, com esta soma de partidos em suas coligações, vão ter dificuldades em fazer ajustes necessários nas contas da prefeitura devido aos compromissos que terão de assumir com tantas alianças. A Prefeitura não pode ser apropriada por partidos com farta distribuição de cargos para cumprir esses acordos. Do contrário, não conseguirá fazer uma gestão técnica e enxuta, com os pés no chão. E a situação, que já é ruim, só tende a piorar”.
O candidato a vice do PC do B destacou as qualidades de Roberto Henriques pela sua experiência como ex-prefeito e por ter sido também deputado e secretário em diferentes áreas de várias administrações. “O Roberto Henriques tem capacidade de dialogar, é o candidato mais experiente e bem melhor preparado para assumir estas responsabilidades, não apenas por conhecer o funcionamento da máquina administrativa, como saberá também escolher as pessoas certas para cada função. E neste desafio de encaminhar projetos e na captação de recursos federais e estaduais, é também o que tem as melhores credenciais”, avalia Maycon.
Num eventual governo do PC do B, Maycon já adianta que não será um vice de gabinete. “Não serei um vice de gabinete, até pela minha juventude, minha trajetória e o meu perfil. Meu ativismo político e meu lugar de atuação é nas ruas, conversando com a população. E eventualmente ir aos locais onde o prefeito não puder comparecer”.
Para Maycon, Campos precisa repensar seu modelo de fazer política e gestão pública. “A Saúde será nossa maior prioridade. Com tantos recursos no orçamento da pasta (R$ 850 milhões) não é possível termos uma saúde sem qualidade. Como também não é possível admitir como natural 45 mil pessoas que vivem em situação de miséria em Campos. Vamos atacar esses graves problemas, ir aonde for possível buscar recursos para por um fim nesta herança”. (Leia mais abaixo)
Uma das prioridades, na visão de Maycon, de um governo do PC do B, é dialogar com a sociedade para equação dos problemas. “No primeiro dia de governo vamos chamar para perto associações de moradores, sindicatos, empresários, agricultores e convidar todos os segmentos da sociedade para trabalharmos juntos a reconstrução de Campos. Mas sem tutelar essas entidades, mas priorizando-as como agentes importantes deste trabalho de reconstrução. Mas sem fisiologismo, ou troca-troca porque se trata de um projeto sério e de uma responsabilidade histórica”.
Com a pandemia, as restrições têm sido observadas nas caminhadas, adianta o candidato. “Temos priorizado a saúde em primeiro lugar, ao contrário de outras candidaturas, que tem falado apenas da boca pra fora. Na prática, são todos abraçando a todos com as aglomerações que se vê por aí”.
Com pouco tempo de programa na televisão, Maycon conta que as redes socais têm sido as ferramentas pelos quais veiculam as propostas da candidatura. “Fazemos bastante o uso das redes sociais. As emissoras de rádio e televisão têm substituído os debates pelas entrevistas, devido à pandemia, mas as universidades e entidades empresariais tem anunciado debates para os próximos dias. São espaços importantes para que nossas ideias e nosso projeto para Campos tenham ainda mais visibilidade”.
Caso sejam eleitos, Maycon acredita que ele e Roberto Henriques deverão governar para todos, independente do estigma de um partido comunista em uma cidade tão conservadora e num país governado por um presidente da extrema direita. “Eleitos, deixaremos de ser candidatos do PC do B e iremos governar para todos, independente de quem votou ou não em nós. Como não teremos dificuldades em manter uma relação institucional com o governo Bolsonaro. Campos é uma cidade importante, não é uma cidade qualquer”.
Maycon, no entanto, não abre mão de uma postura adversa ao presidente da República em defesa da democracia. “Nós da UNE, a comunidade estudantil, as universidades e o magistério temos sido alvo do governo desde a gestão do ministro Abraham Weintraub, que abriu fogo contra nós, chamou as universidades de locais de balbúrdia. Agora nossa batalha é contra este aparelhamento a partir da nomeação de reitores por Bolsonaro com o intuito de privatizar o ensino superior. Então, defendo uma frente ampla de esquerda e mesmo setores do campo liberal para a defesa da democracia”, finalizou. (Leia mais abaixo)